JORGE LIMA ALVES, PAISAGENS MÍNIMAS, 2021

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Jorge Lima Alves

Paisagens mínimas

Fotografia, poemas e textos: Jorge Lima Alves

Edição do Autor / 2021

Português / 13,3 x 19,9 cm / 32 pp.

Agrafado / 50 ex.

ISBN: nd

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“I firmly believe in the story-building power of landscapes”

Wim Wenders

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“Tudo o que vemos é outra coisa.”

Fernando Pessoa

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Reúne-se nesta publicação a fotografia e a escrita, tão caras ao seu autor.

Dois capítulos compõe esta zine: o primeiro, “Ametade”, a paisagem da Serra da Estrela, do Covão da Ametade, fotografado em janeiro de 2015, acompanhado de alguns poemas. A segunda parte, dá o título à obra, data de maio de 2020: paisagens sobrepostas acompanhadas de pequenas reflexões ou situações, como que outras imagens sob a forma de texto.

Transcrevo alguns dos poemas e textos.

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Amanhece

0 vento levantou-se

A luz mudou

A terra aquece

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Escuta o silêncio

e a tua solidão

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Tira as mãos dos bolsos

e faz sentir

o suspiro da tua espada

no mel da manhã

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Com outra fotografia:

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No pequeno vale

a que chamam Covão

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ninguém me vê

ninguém me ouve

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mas eu vejo e ouço tudo

pela primeira vez:

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em segredo todos os lugares

estão à nossa espera.

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Era uma vez uma árvore que cresceu sem querer. Ou melhor, sem que ninguém a tivesse desejado. Ao deus-dará, cresceu e na primavera deu flor. Um vagabundo passou por ali e viu-a, erguida para a luz, desprotegida mas triunfante. Agradecido, sentou-se à sua sombra, puxou de um caderno e de uma caneta e escreveu: “Quando uma viagem acaba, outra começa.

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À medida que avanço, por montes escarpados e matagais, a minha solidão faz-se mais profunda e essencial. À força de estar só, acabei por aprender que envelhecer tem as suas vantagens, se a paz nos acompanha. Continuemos, pois, a procurá-la.

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Jorge Lima Alves, Paisagens mínimas, 2021

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Jorge Lima Alves

Comprou a sua primeira câmara, uma Nikon FM preta com uma objetiva de 50 mm f1:4, em França, onde estava exilado há cinco anos, quando soube da Revolução de 1974, para vir de férias a Lisboa. Regressou definitivamente em 1976.

Foi jornalista na área da cultura (escrevendo sobre literatura, teatro, música) e durante 20 anos pertenceu aos quadros do semanário Expresso, onde foi editor da Cultura. Actualmente está reformado e, de vez em quando — cada vez mais raramente —, faz traduções literárias e escreve prefácios para livros.

A primeira grande viagem que fiz foi no ano 2000. Passei um mês inesquecível na Índia e desde aí, todos os anos, a minha mulher e eu, temos viajado imenso: China, Japão, Tailândia, Estados Unidos, Canadá, etc. Não sendo ricos, longe disso, poupamos no dia-a-dia para fazer estas viagens que se tornaram absolutamente essenciais para nós. Quando não podemos ir tão longe, por alguma razão, vamos mais perto: Roma, Veneza, Sevilha, Marselha, Munique, sei lá. Desde sempre, quando volto da viagem, imprimo as fotos que considero mais significativas e faço um álbum. Tenho duas caixas cheias deles: exemplares únicos que nunca mostro a ninguém, mas que vou folhear de vez em quando para meu prazer exclusivo. 

Quando veio a pandemia, veio-me a ideia de fazer versões digitais desses álbuns para ocupar o tempo. Depois comecei a pensar que talvez os pudesse partilhar e mandei imprimir um livro para experimentar. Com o tempo, tornou-se um vício: passo horas a rever as fotos e as notas que tirei nas viagens e a dar-lhes, no computador, a forma de um livro. Aprendi sozinho a paginar e a fazer as capas e hoje dá-me muito gozo fazê-lo. O propósito, como já percebeu, não é de todo ganhar dinheiro com isto, pelo contrário: gasto aqui o dinheiro que não posso gastar nas viagens por causa do Covid.

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Pode conhecer algum trabalho fotográfico e poético de Jorge Lima Alves, no seu blog, aqui.

Para adquirir alguma zine pode contactar o autor: <jorgelimaalves@gmail.com> . Em alternativa, o Messenger do Facebook ou o Instagram, onde utiliza sempre o seu nome.

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