BRUNO SILVA, ERMO

Menção Honrosa do Prémio BF22 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira. A exposição esteve patente no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, de 12 de novembro de 2022 a 15 de janeiro de 2023.

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Esta série foi premiada com Menção Honrosa no Prémio BF22 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira

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Sobre a série “ERMO, 2020 – 22”, escreve o autor:

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Muito tempo antes de saber o que Ermo significava, já lá brincava com amigos meus. Na verdade, achei que o Ermo só existia ali: naquelas duas ou três ruas cercadas por árvores.

Ermo era o nome de um lugar nos arredores do porto muito próximo de onde vivi a minha infância e adolescência. Chegou a ser uma floresta extensa e densa até ao início dos anos 70. Altura em que o urbanismo transformou essa floresta extensa em dezenas de pequenos bosques. Foi nessa espécie de arquipélago de bosques que passei grande parte da minha infância. De dia, a luz: a aventura e a descoberta. De noite, a escuridão, o medo: o som dos animais, o cheiro a fumo das queimadas e a certeza dos fantasmas. Num desses bosques havia uma casa onde vivia uma mulher que tinha um problema de visão – os olhos dela eram brancos, mas não era cega. Ela vivia sozinha e quando lhe perguntavam como conseguia fazer a sua rotina sem qualquer ajuda, ela sorria e respondia que havia uma mão no ombro que a guiava através das árvores. Mas isso não a assustava – o que a assustava eram as árvores.

Entre o documento e a representação, Ermo pretende ser um mapeamento sensorial de um território distante na memória. Abordando e rodeando questões entre o lar e a casa, o subúrbio e a infância, a forma e o símbolo, tentando criar um universo onírico, ambíguo e acima de tudo interpretativo. Tornando este “Ermo” que me é tão particular, no mais universal possível.

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Bruno Silva, Ermo, 2020-22

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2023

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A exposição do Prémio BF22 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, integrou projetos de Bruno Silva, Joana Duarte, João Salgueiro Baptista, Maria Peixoto Martins, Miguel Marquês, Rafael G’Antunes, Rafael Raposo Pires, Rodolfo Gil, Rodrigo Vargas, Sebastiano Raimondo e Stefano Martini, esteve patente no Celeiro da Patriarcal, R. Luís de Camões, 130, em Vila Franca de Xira, de 12 de novembro de 2022 a 15 de janeiro de 2023.

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Bruno Silva, Portugal, 1983 

Utiliza a fotografia como veículo em projetos na área documental / pessoal com especial interesse no território e na memória.

Em 2014 começou a apresentar os seus trabalhos publicamente.

Desde 2017 que expõe regularmente em Portugal.

Em 2018 terminou o Master em Fotografia Artística no IPCI, Porto.

Em 2017 ganhou a bolsa Fotografia Documental Emergente da Manifesto/IPCI

Em 2018 ganhou uma bolsa do festival “Estação Imagem”, Coimbra

Em 2020 foi um dos vencedores da Urbanautica Institute Awards. 

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Fernando Paulo Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, escreve a propósito da BF22:

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Na 17.ª edição da Bienal de Fotografia – BF22, Vila Franca de Xira volta a afirmar-se como um território de referência para a divulgação da fotografia contemporânea em Portugal.

As 68 candidaturas apresentadas à presente edição dão conta, por um lado, de uma enorme vitalidade e pluralidade de abordagens artísticas no campo da fotografia e, por outro, do grande prestígio subjacente a este evento cultural que vem sendo realizado pelo Município de Vila Franca de Xira desde 1989. É sem dúvida um marco importante no nosso calendário de eventos, mas também para todos quantos se interessam pela arte fotográfica.

Em nome da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, expresso o meu agradecimento ao Conselho de Curadores, composto por Cláudio Garrudo, Sofia Nunes e Pauliana Valente Pimentel, responsáveis pela seleção dos onze projetos que integram a BF22 no Celeiro da Patriarcal. Os premiados resultaram da escolha do júri constituído por Ana Anacleto, Isabel Nogueira, José Maçãs de Carvalho, Sérgio Mah e David Santos, a quem também agradecemos publicamente.

Referência ainda para o Programa Curatorial, dirigido pela curadora Ana Rito, que estará patente até ao fim de fevereiro de 2023 no Museu Municipal e na Fábrica das Palavras.

A todos os artistas participantes na BF22 damos as nossas calorosas boas-vindas. Estamos certos que esta será uma excelente oportunidade para a divulgação dos seus projetos, celebrando a liberdade e a criatividade artística, num evento de referência nacional que muito nos orgulha.

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Sobre esta edição do Prémio da Bienal de Fotografia, escreve a organização:

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A “Bienal de Fotografia” de Vila Franca de Xira afirma-se em 2022, trinta e quatro anos volvidos desde a sua criação, em 1989, como o mais antigo evento de premiação exclusivamente dedicado à cultura fotográfica no nosso país, ostentando por isso um histórico assinalável ao nível da promoção da prática fotográfica portuguesa.

Apontada desde o início à revelação de novos talentos na área da fotografia artística, a Bienal apresenta uma matriz que partiu da estreita relação com as instituições de ensino artístico no âmbito fotográfico, para se projetar hoje, cada vez mais, na atenção à iniciativa individual dos artistas que fazem uso da fotografia numa perspetiva abrangente e transdisciplinar. Defensora do valor da descoberta e da avaliação da experiência visual que designamos como “fotografia”, a Bienal continua apostada em celebrar a liberdade e a ousadia do processo criativo, empenhando-se na consolidação de um programa cuja amplitude, dividida entre a premiação (Patriarcal) e a ação curatorial (Fábrica das Palavras e Museu Municipal), assegura à nossa cidade um estatuto de referência, no que à prática da fotografia contemporânea diz respeito.

Procurando chegar a todos os públicos, a exposição dos trabalhos dos finalistas candidatos aos Prémios (Bienal de Fotografia, Concelho de VFX e Tauromaquia) apresenta-se como resultado de uma criteriosa seleção elaborada por um Júri de Nomeação, constituído por Sofia Nunes, Pauliana Valente Pimentel e Cláudio Garrudo. Por sua vez, os premiados surgiram da decisão do Júri de Premiação, constituído por Sérgio Mah, Ana Anacleto, Isabel Nogueira, José Maçãs de Carvalho e David Santos. A qualidade de cada uma das exposições individuais agora apresentadas no espaço expositivo do Celeiro da Patriarcal tem a assinatura dos artistas selecionados: Rodolfo Gil, Maria Peixoto Martins, João Salgueiro Baptista, Miguel Marquês, Joana Duarte, Rafael G’Antunes, Rodrigo Vargas, Stefano Martini, Rafael Raposo Pires, Sebastiano Raimondo e Bruno Silva.

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Pode conhecer outros trabalhos de Bruno Silva no FF, aqui.

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Só nos últimos dias visitei o Prémio da Bienal de Fotografia de 2022, pelo que apresento os vários projetos, finalistas e premiados, já depois da exposição encerrada. Pela qualidade das séries presentes, apresento individualmente cada um dos autores, permitindo assim um maior destaque de cada um.

António Bracons

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