ELISA AZEVEDO, EVGENIA EMETS, MARGARIDA REIS PEREIRA, MARIA OLIVEIRA, NUNO BARROSO, SAM MOUNTFORD. SUSTENTAR

Exposição em Évora, na Igreja de São Vicente, de 15 de julho a 14 de agosto de 2022.

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Sobre o Projeto

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Sustentar é uma plataforma colaborativa [da Ci.CLO Plataforma de Fotografia] para o desenvolvimento de projectos artísticos focados em iniciativas experimentais na área da sustentabilidade. A primeira edição conecta seis artistas com seis iniciativas que foram ou estão a ser implementadas em Portugal: POCITYF (Câmara Municipal de Évora), Núcleo Museológico do Sal (Câmara Municipal da Figueira da Foz), Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira (Câmara Municipal de Loulé), Transição agroecológica (Câmara Municipal de Mértola), Setúbal Preserva bairros do Grito do Povo e dos Pescadores (Câmara Municipal de Setúbal) e LIFE Montado-Adapt (EDIA).

A plataforma Sustentar proporcionou encontros entre curadores, artistas e especialistas para análise do trabalho em curso, bem como residências artísticas em cada território — espaços vitais e críticos para incubar novas práticas, examinar metodologias e desenvolver diálogos proativos. Evgenia Emets Arte de Sombrear o Sol acompanha as alterações climáticas, a transição agroecológica e a agricultura sintrópica em Mértola como uma possibilidade de adaptação ao cenário de severa escassez de água. Maria Oliveira cria uma passagem metafórica para o mundo antigo e pré-humano nas salinas da Figueira da Foz; De Vagar o Mar reconhece o potencial natural e cultural deste território. O projecto Em Plena Luz da Elisa Azevedo explora a integração de sistemas inovadores de captação de luz solar para tornar a zona histórica de Évora autossustentável do ponto de vista energético. No Parque de Noudar, o filme O Leito do Rio de Sam Mountford centra-se nas dimensões culturais, sociais e ecológicas dos Montados ibéricos e na resiliência deste território para mitigar as consequências das alterações climáticas. Em Loulé, a série Geoparque de Nuno Barroso especula sobre os paradigmas do território do Geoparque Algarvensis através da exploração da multirrealidade em torno da agricultura, energia e atividade turística. Em Setúbal, Hoje, Translúcido de Margarida Reis Pereira, desenvolve-se através do diálogo com as comunidades dos bairros do Grito do Povo e dos Pescadores, utilizando um conjunto de estratégias visuais para representar as suas memórias e identidade.

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Elisa Azevedo, Em Plena Luz, Évora, 2020

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Em Plena Luz é a exploração visual de uma iniciativa experimental que pretende integrar sistemas de captação de luz solar para tornar a cidade de Évora energeticamente autossustentável (POCITYF).

Esta é uma iniciativa de uma cidade-museu que se propõe ser também cidade-inteligente, adaptando-se aos desafios do presente e antecipando as necessidades socioeconómicas e ecológicas do futuro.

Estas imagens são produzidas pela manifestação da luz solar. Elas apropriam-se de fenómenos óticos de absorção e reflexão que, interagindo com a matéria, desvanecem uma superfície ou encandeiam um espaço.

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Evgenia Emets, Arte de Sombrear o Sol, Mértola

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Este projeto é uma reflexão sobre uma comunidade e paisagem particular, e sobre como elas interagem uma com a outra no espaço e no tempo.

A instalação e o filme são uma reflexão sobre os séculos de presença humana e os esforços atuais da comunidade de Mértola para restaurar o equilíbrio social e ecológico da área.

O filme é contado na perspetiva da terra. Passado em 2121, ele é apresentado como uma história do futuro com fortes ligações ao nosso presente. O filme descreve práticas extrativistas profundamente enraizadas na nossa sociedade, mas também abordagens regenerativas como a agricultura sintrópica, reflorestação, produção local de alimentos, educação baseada na participação ativa e o envolvimento de toda a comunidade no processo.

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Margarida Reis Pereira, Hoje, Translúcido, Setúbal, 2020

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Hoje, Translúcido acompanha um momento de transição que se vive nos bairros Grito do Povo e Pescadores, em Setúbal.

Estes são lugares ambíguos que preservam um caráter expectante e que se redefinem a cada nova intervenção. Hoje, Translúcido cria um discurso de dentro para fora, um diálogo sobre identidade.

As imagens apresentam-se como fragmentos, à semelhança de um objeto em construção. Elas detêm em si a tensão que existe entre abertura e fechamento, recetividade e hesitação.

Um ontem opaco e invisível dá lugar a um hoje translúcido, um símbolo de transformação, luz e nitidez.

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Maria Oliveira, De Vagar o Mar, Figueira da Foz, 2020

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Sabe-se dos animais que lambiam as pedras e dos primeiros homens entrando em grutas procurando o sabor salgado. Sabe-se da importância do equilíbrio das águas e do peso das luas. Da purificação exigindo ao mar que caminhe em serpente por canais. A água que se cansa, o chão que só permite pés descalços.

As mulheres já não carregam trinta quilos de uma só cor à cabeça, mudando o peso de lugar, construindo paredes brancas em casas de madeira, mas os corpos ainda se orientam nos fios de terra por dias sucessivos ordenando as praias, cuidando as marinhas.

O sal não quer pressa nem tampouco certeza. Ao deixá-lo à noite não se sabe como se encontrará de manhã. Mas quem o entende conhece as voltas a dar para lhe restaurar a brancura.

Este lugar, parecendo pouco mais do que silêncio, é uma herança ancestral do homem que aprendeu a ler a natureza, a trazer o mar para terra, consoante as marés e as luas. Um ofício disposto à imprevisibilidade, às condições do tempo, mas que persistiu pelos milénios intimamente ligado à história da humanidade.

O futuro olha-se daqui. Do chão que sempre se prepara sem nenhuma garantia. E sabe-se, se o deixarmos em repouso voltará a ser mar.

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Nuno Barroso, Geoparque, Loulé, 2020

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O geoparque não é apenas um sítio, mas uma multiplicidade de sítios. Nele está contida uma história da Terra e a história de um território singular – o Algarve. Há a beira-mar, o barrocal e a serra. Todos interligados horizontalmente numa série de camadas sobrepostas. Como os menires apontam, há também um sentido vertical: um acima e um debaixo da terra. Acima temos questões e paradigmas como a agricultura, o turismo e a energia. Abaixo, nas cavernas feitas pela água habitam morcegos e pseudo-escorpiões que é importante preservar.

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Sam Mountford, O Leito do Rio, EDIA

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Descrever algo como sendo um mosaico é reconhecer as partes discretas que constituem o todo. O montado ibérico pode ser descrito como tal: uma composição de ecologias distintas numa paisagem singular e aparentemente uniforme. As atividades do LIFE-Montado Adapt na Herdade da Coitadinha espelham esta subtil complexidade, com diferentes intervenções e experiências em diferentes escalas de tempo realizadas em todo o espaço.

O Leito do Rio centra-se na presença humana que continua a informar o passado, o presente e o futuro deste local específico; os ciclos de estagnação e de fluxo essenciais para a sua sobrevivência.

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A exposição “Sustentar”, com curadoria de Krzysztof Candrowicz, Pablo Berástegui e Virgílio Ferreira, foi apresentada na Bienal’21 Fotografia do Porto, Mai 2021; no Fotofestiwal, Jun 2021; em Mértola, Jul 2021; na Figueira da Foz, Set 2021; em  Mourão, Out 2021; em Loulé, Fev 2022; em Évora, na Igreja de São Vicente, na Alcárcova de Baixo 59, Largo de S. Vicente, de 15 de julho a 14 de agosto de 2022; em 2023 será exposta em Setúbal.

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Sobre o programa SUSTENTAR

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A implementação do programa Sustentar compreende 3 momentos principais:  criação, formação e exposição

A plataforma Sustentar tem como objetivo produzir uma série de projetos sobre iniciativas que já foram ou estão a ser implementadas em território nacional como resposta aos desafios ecológicos e sociais que enfrentamos. Pretende-se fomentar e destacar as boas práticas e tendências positivas relevantes no âmbito da sustentabilidade ambiental, social e económica, que estimulem uma cidadania mais ativa e, subsequentemente, mais coesa e responsável na conservação dos recursos naturais e do património cultural.

Mais especificamente, através da plataforma Sustentar, pretende-se:

. Criar uma plataforma de projetos artísticos com apoio curatorial tendo como eixo temático a sustentabilidade, contribuindo para uma maior consciencialização crítica sobre as vulnerabilidades ecológicas e sociais que enfrentamos;

. Desenvolver um espaço de experiências que friccionem arte, política, ecologia, sociedade e educação, estimulando diálogos construtivos entre o artístico e o cívico;

. Valorizar iniciativas inovadoras e experimentais relacionadas com práticas de sustentabilidade que estão a ser implementadas em território nacional;

. Identificar temas e fatores que valorizam o território nacional em termos de património natural e cultural;

. Promover a sensibilização da comunidade local e da sociedade em geral sobre o conhecimento ecológico, nomeadamente sobre a conservação de ecossistemas naturais, culturais e sociais, enquanto elemento valorizador do território;

. Projetar e difundir a produção artística e as iniciativas realizadas no âmbito deste projeto a nível nacional e internacional.

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Mais informação aqui.

Pode saber mais sobre Elisa Azevedo, aqui; sobre Evgeia Emets, aqui; Maria Oliveira, aqui.

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