ARTUR PASTOR, ARTUR PASTOR, 2021

Centenário do nascimento de Artur Pastor (Alter do Chão, 1 de Maio de 1922 – Lisboa, 17 de Setembro de 1999).

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Artur Pastor

Artur Pastor

Fotografia: Artur Pastor (e Eduardo Gageiro, Jorge Guerra, Lewis Hine, Pepe Dinis) / Texto: António Araújo, Isabel Corda, Luís Pavão, Artur Pastor Filho, Ana Saraiva, Marcos Fernandes, Cristiana Bastos, Maria Carlos Radich

Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos / Lisboa: Câmara Municipal. Arquivo Municipal de Lisboa / Outubro . 2021

Português / 22.6 x 27,2 cm / 206 pp.

Cartonado

ISBN: 9789899064379 

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Este livro mostra-nos a fotografia de Artur Pastor e integra um conjunto de estudos sobre o autor e o seu trabalho no seu tempo. As fotografias percorrem toda a sua obra, dando-nos a conhecer a multiplicidade do seu olhar e do seu trabalho: as atividades agrícolas e também as piscatórias, os costumes, as festas, as produções agrícolas e silvícolas, as indústrias, a paisagem, os detalhes, sem descuidar a vida familiar. As imagens são essencialmente a preto e branco e também, sobretudo a partir da década de 1970, a cor, incluindo diversas da EXPO’98.

Os estudos centram-se sobre o fotógrafo: “Pastor, fotógrafo de sonhos”, de Luís Pavão; “Artur Pastor”, um testemunho do seu filho, também de nome Artur Pastor; Ana Saraiva aprofunda “A vida do “Franco Atirador”: Artur Pastor, seis décadas de fotografia. Contributo para uma biografia”. Posteriormente Marcos Fernandes analisa “A fotografia nos anos 40, 50 e 60: Espaço para Humanismo, Neorrealismo, Reportagem Subjetiva, Paisagem Social e Salonismo, no tempo fotográfico de Artur Pastor”, Cristiana Bastos fala-nos sobre “O país de Artur Pastor” e Maria Carlos Radich observa “As fotografias de Artur Pastor no seu tempo”. A abrir, na Apresentação, Isabel Corda e António Araújo falam-nos do fotógrafo, do seu espólio e da obra.

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Artur Pastor, Albufeira, década de 1960 (Coleção da família).

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Isabel Corda, Coordenadora do Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na abertura da obra, narra a história desta edição, intimamente ligada à preservação do seu espólio:

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O Espólio de Artur Pastor integra o acervo do Arquivo Municipal de Lisboa desde 2001.

Artur Pastor vive entre 1922 e 1999. Começa a fotografar muito cedo e muitíssimo! Fotografa o país de norte a sul. Fotografa as gentes, as regiões administrativas, os costumes, as tradições, o quotidiano, a vida familiar. Fotografa um país marcado pela ideologia do estado novo, rural e muito pobre. Mas fotografa, igualmente, um país de contrastes onde a ruralidade se mistura com a modernidade crescente.

Na génese do seu trabalho denota-se uma sensibilidade genuína, um olhar penetrante e cativante em tudo o que capta!

Fotografa com o olhar de quem sabe onde encontrar a sombra, a luz, o momento, a emoção…

A paixão pela fotografia e o modo como se comporta perante a câmara fotográfica oferece-nos um registo de autenticidade e clarividência sobre o país, na segunda metade do século XX.

Sempre com enorme empenho e rigor, Artur Pastor, considera que através da edição o seu trabalho chega a um público mais vasto. Assim, subsidia a edição de duas grandes obras, uma sobre a Nazaré (1958) e outra sobre o Algarve (1965) e esgotam rapidamente!

Constrói, ainda, maquetes de alguns livros e redige textos avulso, para estas publicações, que acaba por não conseguir editar.

Enquanto fotógrafo, deixa ao país um património de grandeza e valor incomensurável, património que os seus herdeiros muito bem souberam preservar.

Logo após a morte do autor, os herdeiros, conscientes do valor documental e artístico deste espólio e convictos da necessidade de conservar e divulgar todo o acervo que se encontrava arquivado na residência do fotógrafo, decidem propor à CML a venda do espólio, até à data desconhecido do público (a família fica ainda com alguns núcleos que acaba por doar em 2021, após o falecimento de Rosalina Pastor).

Desde a divulgação das primeiras imagens ao público, o trabalho fotográfico de Artur Pastor espoleta enorme interesse.

O Arquivo prossegue o tratamento e estudo do espólio e começa, simultaneamente, a preparar a primeira exposição. A dimensão do espólio, aliada à conjugação dos diferentes tipos de intervenção e ao seu estudo (tratamento de conservação, acondicionamento e descrição) só permitem que a exposição se realize em 2014, facto que ocorre em paralelo com a edição de um catálogo em formato digital.

A partir desta data, o Arquivo Municipal colabora em diversos projetos de exposição e edição, em regime de parceria e coautoria. (…)

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António Araújo, Administrador Executivo e Director de Publicações da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), acrescenta:

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No início do corrente ano, a Fundação Francisco Manuel dos Santos propôs aos responsáveis pelo Arquivo Municipal de Lisboa (Fotográfico) a edição em papel do catálogo da exposição retrospectiva «Artur Pastor», que, entre Junho e Agosto de 2014, esteve patente ao público em vários locais da capital. (…)

Através de um contacto estabelecido com Luís Pavão, a proposta recebeu de imediato o entusiástico acolhimento por parte da Câmara Municipal de Lisboa e, com base numa parceria entre a edilidade e a fundação, e graças ao profissionalismo e ao empenho de Isabel Corda, Marília Afonso e Luís Pica, da CML, e de Susana Norton, da FFMS, foi possível dar à estampa este livro, que doravante constituirá a obra de referência sobre o trabalho fotográfico, documental e, sem exagero, artístico de Artur Pastor, nascido em Alter do Chão, em 1922, e falecido em Lisboa, em 1999.

«Já corpos velozes tingem o mar de aparições súbitas, para logo se refugiarem amedrontados no fundo da rede» – foi desta forma poética, a um tempo lírica e épica, que Artur Pastor descreveria o copejo do atum ao largo do Algarve, objecto dos seus primeiros trabalhos, datados de 1943 a 1945 e realizados precocemente, aos 20 anos, quando cumpria o serviço militar em Tavira. Notava-se já então o que viria a ser a sua trajectória futura, naquilo que esta tem de mais essencial e perene: ao longo dos anos, primeiro como amador e, depois, como técnico do Ministério da Agricultura, Pastor cartografou o país de norte a sul, percorreu o seu litoral e o interior, conheceu de perto as gentes que trabalhavam na faina do mar e no amanho dos campos. Fê-lo com um afinco e um desvelo tais que só são explicáveis por um profundo amor a Portugal e ao seu povo.

Deste itinerário de décadas resultou um acervo inigualável, composto por milhares de negativos, uma parte dos quais foi integrada na Fototeca da Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas e a outra, porventura a mais significativa, pertence desde 2001 ao Arquivo Municipal de Lisboa. Nos últimos anos, recrudesceu o interesse pela obra de Pastor, a qual tem sido objecto de exposições em diversos pontos do país, com enorme afluência de público e ampla cobertura noticiosa. Os livros que publicou em vida, com destaque para Nazaré, de 1958, e Algarve, de 1965, são hoje raridades bibliográficas, avidamente disputadas pelos coleccionadores.

É missão da Fundação Francisco Manuel dos Santos «Promover e aprofundar o conhecimento da realidade Portuguesa, procurando desse modo contribuir para o desenvolvimento da sociedade, o reforço dos direitos dos cidadãos e a melhoria das instituições públicas». A sua actuação tem, assim, como horizonte primordial o presente e o futuro do país. Para os compreender, no entanto, é fundamental um olhar retrospectivo sobre o que fomos sendo nas últimas décadas e como evoluímos para chegarmos aqui, à nossa contemporaneidade, até porque, como escreveu William Faulkner num trecho hoje convertido em lugar-comum, «o passado nunca está morto. Na verdade, nem sequer é passado».

Sem arroubos passadistas ou exercícios nostálgicos (aos quais, pela sua tonalidade luminosa e feliz, a fotografia de Pastor também se presta — e muito!), foi propósito da FFMS, ao associar-se a este projecto, contribuir para o conhecimento de um Portugal recente, em parte ainda presente. Fazê-lo através das extraordinárias imagens de Artur Pastor é um privilégio raro, que, naturalmente, quisemos partilhar com todos os portugueses.

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Lisboa, Junho de 2021

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Transcrevo uma parte do texto de Luís Pavão, que nos permite perceber a dimensão da obra de Pastor:

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As noites, no Algarve, não foram feitas para dormir mas antes para sonhar.

(Artur Pastor: Algarve, página 29)

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Que posso dizer hoje sobre Artur Pastor, passados 12 anos que observo, revolvo e seleciono as fotografias do seu fundo? Que foi um fotógrafo importante do século XX, precocemente e injustamente esquecido? Que foi um apaixonado pela fotografia, a que dedicou toda a sua vida? Que durante a sua longa carreira enalteceu o seu país e o seu povo, como poucos o fizeram? Que mostrou como nenhum outro fotógrafo a realidade rural e agrícola deste país?

Posso dizer tudo isto, com a consciência de que tudo isto não é o suficiente para transmitir a grandiosidade da obra que nos deixou e que hoje faz parte das coleções de fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Fotográfico.

A presente publicação resulta da investigação realizada pela equipa do Arquivo Municipal de Lisboa para a exposição Artur Pastor, realizada em 2014, no Pavilhão Preto do Museu de Lisboa, no Arquivo Fotográfico e na Colorfoto. O Fundo Artur Pastor (1922-1999), foi adquirido à família do fotógrafo, pelo Arquivo Municipal de Lisboa, no ano de 2002 com o objetivo de o colocar à disposição do público e de o preservar para utilização por futuras gerações. Desta exposição foi produzido um catálogo, publicado em suporte informático. Com a presente publicação pretendemos repor a lacuna deixada pela ausência de um catálogo impresso à data da exposição. A coleção Artur Pastor está disponível para consulta na base de dados do Arquivo e na internet e foi já motivo para diversas exposições regionais.

O Fundo Artur Pastor, compreende toda a sua obra, que se encontrava em poder da família à data da sua morte, com exceção de algumas provas que, por acordo comum, permaneceram na posse da família, como recordação. Para além deste, existe um núcleo de negativos e provas (coladas em fichas de cartolina), que Pastor produziu enquanto funcionário do Ministério da Economia e que se encontram no centro de documentação do Ministério da Agricultura. O Fundo é constituído em traços largos pelos seguintes conjuntos:

1. Cerca de 15.000 negativos em película a preto e branco, formato 6×6 cm, que produziu desde o início dos anos 40 e que chegam até cerca de 1974.

2. Cerca de 30.000 negativos a cor, 6×6 cm e principalmente 35 mm, posteriores a 1970 na sua maioria, em quantidade ainda por determinar, de levantamentos de monumentos, paisagens, pousadas, eventos.

3. Cerca de 10.000 (por determinar… ) diapositivos a cor, formatos 35 mm e 6×6 cm.

4. Conjunto de 484 provas de autor, que constituíram a sua primeira exposição, Motivos do Sul em 1946, formatos 18×24 cm, coladas em cartolinas, numeradas e ornamentadas para a exposição.

5. Conjunto de cerca de 450 provas que constituíram a sua exposição, Fotografias de Artur Pastor, realizada no Palácio Foz, em Lisboa, de 4 a 15 Dezembro de 1970, provas coladas em cartão madeira, formatos 40×50 cm e outros.

6. Conjunto vasto de provas a cor, cromogénea, formato 20×30 cm, em quantidade ainda por determinar, de estudo e preparação para publicações, com imagens de costa Portuguesa, património edificado, paisagem, Pousadas de Portugal, cobrindo todo o país,

7. Conjunto de maquetes de projetos de livros, nunca publicados, dedicados a Lisboa (7 volumes), Óbidos, Porto, Évora, Sintra.

8. Conjunto de provas de trabalho, formato 13×18 cm, sobre agricultura e investigação agrícola, realizadas no âmbito dos estudos para a Direção Geral dos Serviços Agrícolas.

9. Conjunto de documentação impressa, recortes de jornal, catálogos e folhetos das suas exposições, correspondência, notas e manuscritos pessoais.

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Artur Pastor, Artur Pastor, 2021

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Artur Arsénio Bento Pastor nasceu na freguesia de Alter do Chão, distrito de Portalegre, em 1 de maio 1922, era filho de Arsénio do Bento e de Celestina Rosa. Aos três anos foi viver para Évora com os seus padrinhos de batismo, Artur de Calça e Pina da Câmara Manoel (1872-1931), Coronel de Infantaria, comandante Coudelaria Militar de Alter do Chão e Leonor Amália Miranda da Câmara Oliveira (1873-1941).

Depois do percurso na escola primária, Artur Pastor, ingressou na Escola de Regentes Agrícolas de Évora. Em 1942, após terminar o 7.º ano do curso de regentes agrícolas ingressou no serviço militar, sendo incorporado no Centro de Instrução de Infantaria, no quartel da Atalaia, em Tavira, onde fez o Curso de Sargentos Milicianos de Infantaria. Em 1951, concluiu o curso de regente agrícola.

Casou com Maria Rosalina da Costa Pastor, em 15 de setembro de 1954, em Braga. Logo após o casamento foram viver para Lisboa onde construíram o seu projeto de vida e constituíram família: José Eduardo Clemente Pastor, Luís Manuel da Costa Pastor e Artur Manuel da Costa Pastor são os seus filhos a quem proporcionaram uma educação esmerada.

Iniciou a sua vida profissional, em 1950, na Direção Geral dos Serviços Agrícolas, em Montalegre, como regente agrícola. Em 1953 foi transferido para Lisboa, para a Direção de Serviços Fitopatológicos e pouco tempo depois para a Repartição de Estudos, Informação e Propaganda, fundando aí o arquivo fotográfico da Direção Geral dos Serviços Agrícolas do Ministério da Economia.

Muito dedicado às suas funções profissionais, foi-lhe conferido o grau de oficial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial [(Classe do Mérito Agrícola), entregue nos Paços do Governo da República, em Lisboa, a 14-10-1968]. Sempre progredindo na carreira, reformou-se em 1983 como a engenheiro técnico agrário principal.

Viveu quase toda a sua vida aliado à fotografia. Desde criança que desenvolveu o gosto pela atividade fotográfica influenciado por uma educação inserida na sociedade eborense onde a prática da fotografia era crescente.

Os seus primeiros registos fotográficos terão sido no início da década de 1940, sobretudo no período em que se encontrava em Tavira. A sua primeira exposição individual, Motivos do Sul, realizou-se em Janeiro de 1946 [com 24 anos, integrava 484 fotografias], em Faro, sendo alvo de excelentes apreciações na imprensa da época, colocando-o distintamente nos meios fotográficos. A mesma exposição esteve em exibição em Évora, em junho do mesmo ano. Desde então, participou frequentemente em salões de fotografia, em Portugal e no estrangeiro, obtendo vários prémios e menções honrosas.

Em dezembro de 1970 e em junho de 1986 apresentou em Lisboa duas grandes exposições, respetivamente, Exposição de fotografias de Artur Pastor, no Palácio Foz e Apontamentos de Lisboa, no Palácio Galveias, nelas reiterando a sua qualidade artística na prática da fotografia.

O seu carácter erudito permitiu-lhe ser autor de diversos textos na imprensa e publicar dois álbuns de fotografia exclusivamente da sua autoria, incluindo os textos, Nazaré, em 1958 e Algarve, em 1965.

Foi também o autor do caderno A Fotografia e a Agricultura publicado pela Direção Geral de Extensão Rural do Ministério da Agricultura e Pescas, em 1979, entre outros projetos desta instituição.

Acompanhando a evolução da tecnologia, substitui a sua incansável companheira Rolleiflex por uma Mamiya e mais tarde por uma Nikon, fazendo com esta os seus últimos registos fotográficos, a Expo98.

Artur Pastor faleceu em Lisboa, a 17 de setembro de 1999.

(Base: site do AML-F).

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Além da realização de várias exposições, Artur Pastor publicou diversas edições, sendo autor dos textos e fotografias nos: Álbum sobre a Nazaré, oferecido à Rainha Isabel II, aquando da sua visita a Portugal, Câmara Municipal da Nazaré, fevereiro de 1957; “Nazaré”, Livraria Portugal, 1958 (no FF, aqui), “Algarve”, Livraria Portugal, 1965, “A Fotografia e a Agricultura”, Direção Geral de Extensão Rural do Ministério da Agricultura e Pescas, 1979; foi autor das fotografias em: “Évora, Encontro com a Cidade”, texto de Túlio Espanca, edição da Câmara Municipal de Évora, 1988. Participou em diversas edições com fotografias: “As Mulheres do Meu País”, de Maria Lamas, 1948-1950 (no FF, aqui); “Romantic Portugal”, edição de Frederic P. Marjay, 1955; “Lisboa”, edição de Frederic P. Marjay, 1956; “Portugal”, edição de Frederic P. Marjay, 1962; “Guia de Braga”, Câmara Municipal de Braga, 1959; “A Região a Oeste da Serra dos Candeeiros”, Fundação Calouste Gulbenkian, 1961; “Albufeira, Imagens do Passado”, Câmara Municipal de Albufeira, 1997. Colaborou ainda com diversas revistas: “Alcobaça”, “Panorama”, “Mundo Ilustrado”, “Agricultura”, “Fotografia”, “Revista Shell”.

Após a sua morte, com o empenho do seu filho Artur Pastor e do AML-F, foram realizadas múltiplas exposições e diversos livros, como “Mar Nosso”, edição Câmara Municipal de Ílhavo – Museu Marítimo de Ílhavo e Âncora Editora, 2017 (no FF, aqui) ou “Artur Pastor e os mundos do Sul”, edição Município de Tavira e Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, 2019.

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Pode saber mais sobre Artur Pastor no FF, aqui.

Pode consultar a sua biografia de Artur Pastor no site do AML-F, aqui.

O Ministério da Agricultura e Alimentação / GPP, assinala o centenário do nascimento de Artur Pastor, aqui.

Pode ver o documentário “A Paisagem de Artur Pastor”, do AML-F, aqui.

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Atualizado em 03 e 04.05.2022.

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