THE SOVEREIGN PORTUGUESE ART PRIZE

António Júlio Duarte, André Príncipe, Edgar Martins, Salomé Lamas, Vasco Araújo, Yuri Firmeza.

Exposição no Porto, no Palácio das Artes, de 13 a 30.04; em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas, de 27.05 a 18.06 e em Estremoz, no Museu Berardo Estremoz, de 22.06 a 15.08.2022.

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The Sovereign Portuguese Art Prize foi lançado em 2021, procurando uma maior exposição dos artistas portugueses – em Portugal ou na diáspora – enquanto arrecada fundos para programas de educação artística no país.

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Foram nomeados como finalistas ao prémio, 30 artistas, que expõem trabalhos na área da fotografia, pintura, escultura, artes plásticas, instalação: Inês Botelho, José Loureiro, Cecília Costa, Luísa Mota, Avelino Sá, Yuri Firmeza*, Vasco Mourão, Paulo Arraiano, Teresa Esgaio, Jorge Queiroz, Ana Mendes, Rui Pedro Jorge, Horácio Frutuoso, Salomé Lamas*, Manuela Pimentel, Manuel Caeiro, Edgar Martins*, Nuno Sousa Vieira, Rui Moreira, João Jacinto, António Júlio Duarte*, Saskia Moro, Isaque Pinheiro, Pedro Batista, André Príncipe*, Miguel Branco, Maria Almeida Cunha Alegre, Pedro Vaz, Maria Trabulo, Vasco Araújo*. Cada artista foi nomeado por um curador ou galerista.

Os nomeadores foram: Antonio Ponte, Armando Cabral, Bernardo Pinto de Almeida, Bruno Leitão, Camilo Rebelo, Elsa Garcia, Howard Bilton, Inês Valle, Paula Nascimento, Paulo Pimenta, Penelope Curtis, Maria do Mar Fazenda, Natasha Bridge, Rita Lougares, Rute Ventura, Sofia Ulrich, Vanessa Arelle, Vera Appleton e Verónica de Mello.

Um júri selecionou um dos artistas que será o premiado: Tim Marlow (Chief Executive and Director, Design Museum, London), Joana Vasconcelos (Artist), Philippe Vergne (Director of Serralves Museum of Contemporary Art, Porto), Vicente Todolí (Artistic director of Hangar Bicocc), Maura Marvão (Head of Phillips in Portugal and Spain), Ai Weiwei (Artist) e David Elliott (Writer, curator and museum director)

Dos artistas finalistas, 6 são fotógrafos*. Apresento aqui o seu trabalho.

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ANDRÉ PRÍNCIPE

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Nomeado por Camilo Rebelo.

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André Príncipe, Untitled from “A Hard rain is going to Fall”, 142 x 111cm

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André Príncipe (n. 1976, Portugal) é licenciado em Psicologia pela Universidade do Porto (1998) e concluiu um Curso de Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema (2001). Trabalhando maioritariamente em fotografia e cinema, Príncipe é também o fundador e coeditor da editora Pierre von Kleist Editions, especializada em livros fotográficos. Na sua obra, Príncipe capta as verdades universais da humanidade de uma forma altamente pessoal. A sua abordagem à criação artística permite-lhe contemplar várias facetas da vida através da lente, retratando momentos efémeros do nosso mundo agitado.

Untitled faz parte da série de Príncipe intitulada “A Hard Rain is Going to Fall”. O artista deseja que a sua obra seja acompanhada pela seguinte passagem:
“Um dia, no ano 828, com a idade de oitenta e quatro anos, Yaoshan gritou alto “O Salão Dharma está a cair! Os monges apressaram-se a verificar os pilares e as vigas cruzadas do salão. Yaoshan riu-se com prazer. “Nenhum de vós compreende o meu significado”, disse-lhes ele. Então ele morreu.”

Príncipe expôs extensamente em Portugal. Exposições individuais recentes incluem A Hard Rain is Going to Fall, Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Lisboa (2020); Expats, Associação 289, Faro (2019); Elefante, MAAT – Museu de Arte Arquitectura e Tecnologia, Lisboa (2018); e Non-Fiction, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães (2018). Publicou um total de onze livros.

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Pode ver sobre o trabalho do artista no FF, aqui.

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ANTÓNIO JÚLIO DUARTE

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Nomeado por Armando Cabral.

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António Júlio Duarte, Protest I, 100 x 100cm

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António Júlio Duarte (n. 1965, Portugal) estudou Fotografia no Ar.co, Portugal (1989) e no Royal College of Art, Reino Unido (1991). A obra fotográfica de Duarte centra-se na vida agitada da cidade, captando pessoas angustiadas, animais presos e coisas inverosímeis. Através desta obra, o artista configura o seu próprio mapa do mundo. Atraído por situações de tensão e movido pela compaixão, sente uma inquietação partilhada com os seus sujeitos. Ao familiarizar-se com estes “”seres inquietos””, Duarte mergulha nas suas atividades diárias, numa tentativa de captar o nosso desejo universal de agarrar a vida e nela encontrar sentido.

Trabalhando frequentemente na Ásia, Duarte sentiu que era importante capturar Protest I durante um período de agitação civil em Hong Kong. As emoções que sentiu durante este período fizeram lembrar as que sentiu na sua infância durante a Revolução Portuguesa.

Duarte expõe frequentemente tanto no seu país natal como no estrangeiro desde 1990. Exposições individuais conhecidas incluem CRIATURA, O Armário, Lisboa (2021); Eclipse, Galeria Bruno Múrias, Lisboa (2020); White Noise, Quartel da Arte Contemporânea de Abrantes, Coleção Figueiredo Ribeiro, Abrantes (2017); América, Galeria Pedro Alfacinha, Lisboa (2017); Suspension of Disbelief, CAV, Coimbra (2016); Mercúrio, Galeria Zé dos Bois, Lisboa (2015); e Japão 1997, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães (2013). É autor de vários livros, incluindo Against the Day (2019); Japan Drug (2014); Deviation of the Sun (2013); e White Noise (2011), todos publicados por Pierre von Kleist Editions.

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Pode ver sobre o trabalho do artista no FF, aqui.

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EDGAR MARTINS

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Nomeado por Rita Lougares & Paulo Pimenta.

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Edgar Martins, No Man is an Island, from the series What Photography & Incarceration have in Common with an Empty Vase, 100 x 60cm

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Edgar Martins (n. 1977, Portugal) é investigador doutorado no Centro Europeu de Investigação Documental, University of South Wales, País de Gales e possui um mestrado em Fotografia e Belas-Artes do Royal College of Art, Reino Unido (2000), bem como uma licenciatura (Menção Honrosa) em Fotografia da Universidade das Artes, Reino Unido (1997). Artista multimédia, a obra de Martins está enraizada na investigação, envolvimento social e colaborações únicas e, a longo prazo, com organizações restritas como a Polícia Metropolitana do Reino Unido, a Agência Espacial Europeia, o Instituto de Medicina Legal, entre outras.

No Man is an Island faz parte da série “What Photography & Incarceration have in Common with an Empty Vase” (2019), um projeto de três anos no qual Martins interagiu de perto com reclusos nas Midlands (Reino Unido), bem como com as suas famílias, indivíduos e organizações associadas. Para este trabalho, Martins foi convidado a observar uma sessão de psicanálise de uma criança com um pai encarcerado, onde foi discutido um sonho recorrente. Segundo o psicanalista, a ave representa o pai, e o ato de comer representa a menina apropriando-se da memória do seu progenitor. Na literatura psicanalítica, a boca é muitas vezes vista como um olho, o que contribui para a construção da identidade do seu pai na sua ausência.

Esta série percorreu o mundo, tendo sido exposta no Museum of Contemporary Art, Londres (2022), Ffotogallery, Cardiff (2022), Museu do Chiado (2022), Centre de la Photographie Genève, Genebra (2021); The Herbert Museum, Coventry (2021) e Galeria Filomena Soares, Lisboa (2020). Um livro desta obra foi pré-selecionado para o Prémio Photobook da Fundação Photo and Aperture de Paris e para o Prémio PhotoEspaña Book (2020).

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Pode ver sobre o trabalho do artista no FF, aqui.

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SALOMÉ LAMAS

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Nomeada por Penelope Curtis.

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Salomé Lamas, Hotel Royal, 56 x 76cm. Fotografia, técnica mista

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Salomé Lamas (n. 1987, Lisboa) estudou Cinema em Lisboa e Praga, Artes Visuais em Amesterdão e é doutoranda em Estudos de Arte Contemporânea em Coimbra. Em vez de habitar na periferia entre o cinema e as artes visuais, ficção e não-ficção, Lamas percorre novos caminhos na sua prática, desafiando os métodos convencionais de produção e exibição e desordenando as linhas entre o cinema e a expressão artística. Oscilando entre a narrativa, a memória e a história, Lamas utiliza meios baseados no tempo para destacar o traumaticamente reprimido ou historicamente invisível, erguendo-o dos horrores da violência colonial para as paisagens da capital global.

Hotel Royal é um mosaico fragmentado e incompleto das sociedades contemporâneas. Pode ser visto como um filme sobre os horrores da alma. Para a artista, todos nós temos corpos biológicos idênticos e, mesmo assim, segmentamo-nos e diferenciamo-nos uns dos outros. Cúmplice voyeurista, o público é transportado para uma viagem através do hotel onde os quartos são indistinguíveis uns dos outros, tal como as pessoas. Lamas cita uma camareira fictícia: “No decorrer das minhas tarefas de limpeza, examinei os pertences de cada hóspede do hotel e observei nos pormenores vidas que permanecerão desconhecidas.”

Lamas recebeu várias bolsas de estudo, incluindo a Gardner Film Study Center Fellowship, Universidade de Harvard; Film Study Center, Harvard Fellowship; The Rockefeller Foundation, Bellagio Center; Berliner Künstlerprogramm des DAAD, Fundação Bogliasco; The MacDowell Colony; Yaddo; e Fundação Camargo. O seu trabalho tem sido exibido em instituições e festivais de cinema reconhecidos como Berlinale, Locarno, La Biennale di Venezia Architettura, MAAT, SESC São Paulo, Bozar, Centro Botin, Fundação TBA 21, FAEMA, Tate, MoMA e Haus der Kulturen der Welt.

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VASCO ARAÚJO

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Nomeado por Armando Cabral.

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Vasco Araújo, Repeat after me: Free your mind, 110 x 110 cm. Desenho, fotografia, papel encarnado, caneta preta.

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Vasco Araújo (n. 1975, Portugal) utiliza uma série de diferentes meios para criar uma linguagem artística única. Através da desconstrução e reconstrução de códigos comportamentais, Araújo reflete sobre a relação entre o sujeito e o mundo. Araújo utiliza todas as formas de arte à sua disposição para redefinir normas sociais: a atuação do corpo, a própria voz dos artistas (praticou canto lírico), os gestos e a linguagem. Associados ao seu trabalho estão dispositivos formais como a ópera, o barroco, a etiqueta palaciana, a dança, o modernismo, a mitologia e a definição do espaço: tanto estética como discursivamente.

Com uma base sólida em Literatura e Filosofia, Araújo expõe criticamente o olhar do público, pretendendo revelar a ambiguidade das relações, a fragilidade dos sistemas, a construção da realidade, as noções de identidade e sexualidade, virtude e moralidade do dever, a geografia da afetividade e os instintos de desejo e paixão. Em Repeat after me: Free your mind, Araújo faz uso de uma ação repetida dentro de um cinema antigo: criando um momento de interação com o público que é simultaneamente chamado a ler e a ouvir, depois incentivado a responder, num jogo que desperta a autorreflexão e a do outro.

O trabalho de Araújo tem sido amplamente exibido, incluindo em Under the Influence of Psyche, The Power Plant, Toronto (2014); Debret, Pinacoteca do Estado de S. Paulo, São Paulo (2013); Em Vivo Contacto, 28º Bienal de S. Paulo, São Paulo (2008); Experience of Art, La Biennale di Venezia, 51ª Exposição Internacional de Arte, Veneza (2005); e Dialectics of Hope, 1ª Bienal de Arte Contemporânea de Moscovo, Moscovo (2005).

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Pode ver sobre o trabalho do artista no FF, aqui.

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YURI FIRMEZA

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Nomeado por Bruno Leitão.

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Yuri Firmeza, Contrarquivo, 60 x 22cm

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Yuri Firmeza (n. 1982, Brasil) tem um mestrado em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo, Brasil (2011) e está atualmente a terminar o seu doutoramento em Belas-Artes na Universidade de Lisboa. Na sua prática, Firmeza é atraído para espaços abandonados, arqueologia e história dos lugares. A sua obra tem levado o artista a vários destinos em busca de inspiração criativa. No seu Projeto Arca-Palimpsesto no México, por exemplo, Firmeza utilizou dados históricos sobre as ruínas pré-hispânicas que se encontram enterradas debaixo do solo da Cidade do México para criar a sua obra. Recentemente gravou um filme intitulado Nada É, em Alcântara: um lugar com um passado muito rico que sofreu um grave declínio económico.

Para Contrarquivo, o trabalho de investigação de Firmeza levou-o a Fordlândia: um projeto fundado por Henry Ford no meio da floresta tropical amazónica em plena viragem do século XX. Construído para a extração de borracha, centenas de pessoas morreram na execução do projeto. Contrarquivo apresenta duas imagens: a frente e o verso do mesmo objeto. À direita, podemos ver o verso de um documento oficial sobre a Fordlândia que diz “”Jungle Conquest””; à esquerda, como contraponto, é-nos apresentada a capa do livro que registou todas as pessoas que morreram neste projeto.

Firmeza expôs amplamente, incluindo em Frieze 2014, Nova Iorque (2014); How (…) things that don’ exist, Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Bienal de São Paulo (2014); e Stage of Hopelessness, Indonésia 14th Biennale Jogja, Yogyakarta (2017).

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O Prémio da 1.ª edição do The Sovereign Portuguese Art Prize

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No dia 12 de abril foi anunciado o Prémio da 1.ª edição do The Sovereign Portuguese Art Prize. A escolha recaiu sobre Jorge Queiroz, nomeado por Paulo Pimenta, Vera Appleton & Armando Cabral, com a obra “Duende”, acrílico sobre tela.

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“Duende”, de Jorge Queiroz – Jorge Queiroz e a sua obra – Jorge Queiroz e o júri.

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Jorge Queiroz (n. 1966, Portugal) possui um mestrado em Belas-Artes da School of Visual Arts, EUA (1999). Completou também um Curso Avançado e um Plano de Estudos Completo no Ar. Co, Portugal (1993, 1991). Usando tanto o desenho como a pintura na sua prática, Queiroz estabelece diálogo entre os seus modos de expressão através dos quais ambos se contaminam e influenciam mutuamente. A sua obra caracteriza-se por uma ausência de linguística e linearidade narrativa. Ao invés, prefere desenvolver o seu próprio universo: enigmático, extravagante e até alquímico.
Duende invoca um forte sentido de polaridade, existente no espaço entre o sentido e o absurdo, o lógica e o ilógico, o consciente e o inconsciente, cheio e vazio, abstrato e figurativo, narrativo e fragmento. Ou, inspirado nas palavras do escritor Garcia Lorca, o artista postula se tudo “é” e “não é” ao mesmo tempo, num estado permanente de transmutação.
Queiroz é um artista bem-sucedido, tendo exposto na Bienal de Veneza (2003), na Bienal de São Paulo (2004), na 4ª Bienal de Arte Contemporânea de Berlim (2006) e na Bienal de Rennes (2016). Expôs em várias instituições de renome, incluindo o Centre Georges Pompidou, Paris; MUDAM, Luxemburgo; Palais de Tokyo, Paris; Fundação Calouste Gulbenkian Lisboa; Museu Serralves, Porto; FRAC Île-de-France Le Plateau, Paris; Museu Walhof, Bielefeld; Fundação Carmona e Costa, Lisboa; Museu Boijmans Van Beuningen, Roterdão; FRAC Haute-Normandie, Sotteville-lès-Rouen, França; Museu de Lisboa e Galeria Zé dos Bois, Lisboa.

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A exposição dos finalistas do Sovereign Portuguese Art Prize 2022 pode ser vista no Porto, no Palácio das Artes, Largo São Domingos 21, de 13 a 30 de abril, em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas, R. Barata Salgueiro, de 27 de maio a 18 de junho e em Estremoz, no Museu Berardo Estremoz, de 22 de junho a 15 de agosto de 2022.

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Pode saber mais sobre o The Sovereign Portuguese Art Prize e descarregar o catálogo, aqui.

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