ARTUR PASTOR, O POVO NO PANTEÃO

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O Panteão é o templo destinado a acolher os restos mortais das pessoas mais extraordinárias de um país, que se destacam no campo da política, das artes e da cultura, do desporto.

O Panteão Nacional, está instalado na Igreja de Santa Engrácia, ao Campo de Santa Clara, em Lisboa, desde 1 de dezembro de 1966. Acolhe os túmulos de Luís de Camões, Pedro Álvares Cabral, S. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Vasco da Gama, D. Afonso de Albuquerque, os primeiros presidentes da República, Humberto Delgado, Aristides de Sousa Mendes, Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, Aquilino Ribeiro, João de Deus, Amália Rodrigues, Eusébio da Silva Ferreira e Sophia de Melo Breyner Andresen.

O Panteão é, pois, um local de homenagem e de memória.

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O Povo, as pessoas simples, heróis do quotidiano, não têm, por princípio um espaço no Panteão. Trazer o Povo Português para o Panteão, é prestar homenagem, dar um sentido de heroicidade a todos aqueles que no dia-a-dia trabalham, permitem que o País cresça, viva, se dignifique. Essa homenagem surge pelo olhar de Artur Pastor, no ano em que se comemora o centenário do seu nascimento.

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Artur Pastor, Lisboa, década de 1950 – [Copejo do Atum], Tavira, 1943-45 – [Mulheres e pescadores, esforço conjunto], Nazaré, 1954-57 – [Praia dos Pescadores, Lota], Sesimbra, 1943-1960 – [Romaria de São Bartolomeu do Mar, banho santo], Esposende, 1953 – [Os três mergulhos], Póvoa de Varzim, década 1950 – Nazaré, década de 1950 – Viúvas da Nazaré, Nazaré, 1954-57 – [Moinho de vento na praia da Apúlia], Esposende, 1955-62 – Lisboa, Passagem subterrânea Belém, década de 60.

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Santiago Macias, diretor do Panteão Nacional, escreve:

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Num sítio de carregado simbolismo, como o Panteão Nacional, não é comum que um lugar de destaque caiba ao povo anónimo. Foi, contudo, a força do trabalho de muitas gerações que construiu a realidade histórica que nos une. É uma parte dessa realidade, filtrada pela lente de uma Rolleiflex, que aqui se mostra.

Artur Pastor (1922-1999) recolheu, enquanto técnico do Ministério da Agricultura, milhares de fotografias de pessoas, de ambientes urbanos e rurais. São um testemunho inestimável de um certo Portugal, sobretudo entre os anos 40 e 60 do século XX. Como acertadamente escreveu Cristiana Bastos “foi esse registo que chegou até hoje e nos permite a viagem de volta ao país que as suas imagens constroem, que ao mesmo tempo revelam e ocultam o país real onde a objetiva as colheu, um país que corre ao lado das imagens, em parte coincide com elas, em parte as contradiz e vive no avesso do que aparece revelado”.

A vida e obra de Artur Pastor têm vindo a ser valorizadas através de um vasto conjunto de iniciativas concretizadas pelo Arquivo Municipal de Lisboa / Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa. Tem sido esta entidade que tem vindo a preservar o espólio do fotógrafo e a divulgar o seu trabalho.

A presente exposição, que integra uma iniciativa conjunta do Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico e do Panteão Nacional, é uma homenagem ao Povo Português e a Artur Pastor, um grande fotógrafo que começa a conhecer uma mais que justa divulgação.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2022

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A exposição de Artur Pastor, “O Povo no Panteão”, com direção e coordenação de Santiago Macias e de Sofia Castro, resultado de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa / Arquivo Municipal Lisboa e a Direção Geral do Património Cultural/Panteão Nacional, esteve patente no Panteão Nacional, de 9 de novembro de 2021 a 6 de fevereiro de 2022.

Só nos últimos dias visitei a exposição e embora tenha já encerrado, não quero deixar de a trazer aqui.

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Artur Pastor, como é conhecido Artur Arsénio Bento Pastor (Alter do Chão, 1 de maio de 1922 — Lisboa, 17 de setembro de 1999), foi fotógrafo do Ministério da Agricultura e criador do Arquivo Fotográfico desta instituição, para o qual trabalhou toda a vida. Produziu um corpo de imagens único, de grande qualidade, vasto e completo, sobre a agricultura em Portugal nas décadas de 1940, 1950 e 1960. Fotografou também atividades relacionadas com a pesca na costa Algarvia, Nazaré, Sesimbra e Apúlia entre 1942 e 1970. Publicou os livros “Nazaré” em 1958 e “Algarve” em 1965, ambos com imagens e textos seus. Realizou diversas exposições e colaborou com inúmeras revistas e publicações nacionais e estrangeiras.

O espólio de Artur Pastor foi adquirido pelo Arquivo Municipal de Lisboa à família do fotógrafo, após a sua morte.

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Pode saber mais sobre Artur Pastor no FF, aqui e sobre o Panteão Nacional, aqui.

Pode ver o documentário A Paisagem de Artur Pastor, também patente na exposição, aqui, e um debate no Panteão sobre o fotógrafo, aqui.

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