MATÉRIA LUMINAL

Exposição no Museu Coleção Berardo, Praça do Império, em Lisboa, de 15.09.2021 a – 02.01.2022. Obras de Ângelo de Sousa, Gilberto Reis, Helena Almeida, João Maria Gusmão, Jorge Molder, José Luís Neto, Júlia Ventura, Julião Sarmento, Paulo Nozolino, Silvestre Pestana e outros.

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Sobre a exposição, escreve o curador, Sérgio Mah:

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Matéria Luminal

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Matéria Luminal explora abordagens em torno da luz através de um percurso pelas práticas artísticas em Portugal, desde meados dos anos 1960 até à actualidade. Com a participação de trinta e oito artistas, a exposição reúne um conjunto muito diversificado de tipologias artísticas, mas também de tendências, processos estéticos e atitudes conceptuais.

Sendo um tema essencial e persistente a toda a história da arte e, correlativamente, a toda a história da imagem, a luz é indagada nos seus múltiplos sentidos, enquanto matéria e meio de expressão plástica e visual, como motivo estético, poético e metafórico, e como parte integrante de uma cultura crescentemente imbricada com paradigmas tecnológicos e mediáticos com inevitáveis consequências na experiência da percepção.

Muitos dos artistas selecionados são figuras centrais do panorama da arte contemporânea em Portugal. Neste sentido, a luz é também um pretexto para destacar e aferir um conjunto de predisposições e comportamentos na prática artística nacional das últimas décadas. Não obstante, os artistas aqui reunidos não esgotam o leque de figuras que, neste mesmo período, trabalharam ou têm vindo a trabalhar com ou sobre a luz nos seus universos artísticos.

Por conseguinte, este projecto não pretende ser representativo de uma história da luz na arte em Portugal, nem as peças escolhidas cobrem a extensividade que a luz veio a assumir na trajectória criativa de cada artista.

A peça mais antiga nesta exposição é de 1964, uma pintura de Luís Noronha da Costa, obra paradigmática de uma época fértil em reformulações culturais na qual progride um vasto horizonte de miscigenações e hibridismos que irão contaminar as práticas artísticas.

Trata-se de um tempo em que despontam questões como a da desmaterialização do objeto artístico, uma aproximação crucial no âmbito de uma atitude emergente que rejeitava as convenções e as formas, os procedimentos e os limites tradicionais da pintura e da escultura.

De forma mais explícita ou subliminar, a luz como tema ou meio foi um factor relevante nesta conjuntura reflexiva e renovadora, a ponto de se tornar matéria significante para compreender o feixe de estratégias e inflexões desencadeadas pelas vanguardas artísticas que irão protagonizar a segunda metade do século XX.

Como seria expectável, a exposição inclui um número significativo de obras que recorrem a um largo espectro de materiais e aparelhos de iluminação. No mesmo plano de relevância, é de realçar o recurso a dispositivos de captação e reprodução de imagens. Em qualquer dos casos, são peças que requerem a sua activação, são condutoras de energia, carecem de electricidade para se tornarem emissoras e irradiantes, no sentido em que a sua força plástica extravasa os limites da sua fisicalidade.

Como meio vivo, de diferentes graus e níveis de intensidade, de encontros e variações de formas de representar, percecionar e imaginar, a luz é também uma matéria privilegiada na experiência das formas. Nesta exposição podemos constatar como os artistas investem nas múltiplas possibilidades da utilização da luz para desenvolver e reconfigurar o visível.

Reflexos, refracção, sombras, pontos, formas precisas, irradiantes ou difusas: a luz permite descobrir e conectar diferentes regimes estéticos, entre antigos e novos, que se entrecruzam para criar combinações singulares de trocas, de fusões e de afastamentos.

Ao incluir diversas obras recentes e inéditas, Matéria Luminal põe em evidência como os artistas prosseguem motivados em exprimir e reconverter a multiplicidade de formas e imaginários que rondam os nossos diferentes modos de sentir e entender a luz. Continuam a prevalecer certos assuntos, experiências e focos de simbolização. O sol e o fogo, o dia e a claridade, mas também a noite, a escuridão, o negro e a sombra, são abundantemente representados e evocados como realidades concretas ou mediante as suas diversas declinações, mas também através das suas ressonâncias poéticas, históricas e alegóricas.

Da religião à mitologia, da história de arte à cultura popular, da filosofia à literatura, são inestimáveis as indexações sociais e culturais que a luz transporta e anima.

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A luz como matéria para uma prática artística é o ponto de partida desta exposição. Destaco as obras de fotografia:

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021: Silvestre Pestana, Bio-virtual, Corpo performance, 1982 – Júlia Ventura, Sem título, 1977 – Ângelo de Sousa, Slides de cavalete, 1977-1978 [3 fot.] – José Luís Neto, Ideia de luz, 1991 – Jorge Molder, Insomnia II, 2008 – 2020 [3 fot.] – Paulo Nozolino, Lisboa, 1979; Lan Merzer, 2012, Ellis Island, 2011, Callac, 2010 – João Maria Gusmão, Janela, 2020; Candeeiro, 2021 [2 fot.] – Julião Sarmento, Rosebud, 1978 [4 fot.] – Gilberto Reis, Floresta Queimada, 1999-2021 – Helena Almeida, Negro Agudo, 1983.

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[Júlia Ventura, Sem título / Untitled, 1977]

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A exposição “Matéria Luminal”, com obras de Alexandre Estrela, Ana Jotta, Ângelo de Sousa, António Palolo, Cabrita, Diogo Evangelista, Eduardo Nery, Fernando Brito, Fernando Calhau, Francisco Tropa, Gilberto Reis, Helena Almeida, João Maria Gusmão, João Paulo Feliciano, Jorge Martins, Jorge Molder, Jorge Pinheiro, José Barrias, José Luís Neto, Júlia Ventura, Julião Sarmento, Leonor Antunes, Lourdes Castro, Luís Noronha da Costa, Luísa Correia Pereira, Manuel Rosa, Miguel Palma, Miguel Soares, Paulo Nozolino, Pedro Morais, Pedro Paiva, Renato Ferrão, René Bértholo, Rui Chafes, Rui Toscano, Sérgio Taborda, Silvestre Pestana, Vasco Lucena; a curadoria de Sérgio Mah, está patente no Museu Coleção Berardo, Praça do Império, em Lisboa, de 15 de setembro de 2021 a 02 de janeiro de 2022.

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