ALEXANDRE SAMPAIO, O HOMEM TRANQUILO

Exposição no Museu Marítimo de Ílhavo, de 7 de agosto a 7 de novembro de 2021.

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Língua de terra entre águas, a morfologia da Costa Nova do Prado vem-se alterando. Seja no estreitamento da ria em prol da criação da malha rodoviária e dos novos espaços da cultura de lazer, seja nas massas de areia, sobretudo as ainda denominadas de “Lomba” – hoje mais estabilizadas na malha urbana, com ruas alcatroadas e habitações de alvenaria, em substituição da areia e estacaria originais – que eram integrantes do sistema dunar. Na obra de Cândido Teles, reconhecemos as extensões do areal e as suas elevações, os palheiros e as embarcações tradicionais. Mas se estas são já raras sobre as águas, e outras mais modernas as substituem, para uso piscatório, desportivo ou turístico, o desaguar de embarcações à porta dos palheiros são, em absoluto, representações carregadas de nostalgia face ao atual fluxo automóvel que sinaliza a paisagem… 

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Alexandre Sampaio, O Homem Tranquilo

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“O Homem Tranquilo”, de Alexandre Sampaio, dialoga com a obra do pintor e escultor Cândido Teles, no acervo da representação da Costa Nova do Prado, integrante na doação de João Teles ao Museu Marítimo de Ílhavo, em 2020. Designação pela qual o artista foi conhecido, é também um apontador para a sua identidade e relação da obra com este território, onde inicia o percurso artístico, hoje tão iconográfico, autorrepresentado e morfologicamente distinto. Após uma pré-apresentação online em 2020, o Museu Marítimo de Ílhavo inaugura esta exposição no âmbito do centenário do artista Cândido Teles.

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“O Homem Tranquilo”, de Alexandre Sampaio tem produção do Museu Marítimo de Ílhavo e da Casa de Vilar – Associação Cultural e Artística; está em exposição no referido Museu, de 7 de agosto a 7 de novembro de 2021.

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Alexandre Sampaio é um artista freelancer em artes visuais e performativas.

Em 2000 inicia o seu percurso artístico como encenador e performer, colaborando com várias estruturas e sendo responsável por iniciativas em arte comunitária. Em digressão, mantém duas produções teatrais que dirige, “Os brincos à Ronaldo e outras histórias”, que já se apresentou em cerca de 30 municípios, e “Pas de deux”, com o recém-criado Teatro Experimental do Nordeste.

Criativo multidisciplinar, tem-se dedicado também a projetos autorais de ilustração e poesia, bem como em fotografia documental e artística. Expôs, individual e coletivamente em diversas galerias, e eventos como a Capital Europeia da Cultura e Festival Noc Noc, em Guimarães, Jardins Efémeros, em Viseu, Entre Margens, na Régua, Porto e Lisboa, Festival das Artes, em Santa Comba Dão, em várias edições do Festival Mexe, no Porto, Festival Encontrar-te, em Amares, e Festival de Quintanilha.

Co-coordenou “Mulheres de Sabugária”, de onde resultou a sua primeira obra fotográfica e de recolha etnosocial, bem como editou “Sobre as águas”, em poesia. Com a encomenda de “Jardim das Hespérides” (no prelo), inicia o estudo e apresentação de obras solarigráficas e de narrativa documental. Em “Che bella cosa na jurnata ‘e sole”, bolsa Criar (programa Viseu Cultura), exposição na Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea, ampliou a utilização da solarigrafia ao estudo do território, valorizando a participação das comunidades na criação artística contemporânea, traço comum no seu percurso.

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Pode ver “Che bella cosa na jurnata ‘e sole“, de Alexandre Sampaio no FF, aqui.

Pode ver os vídeos do projeto: episódio 1, aqui, episódio 2, aqui, episódio 3, aqui, episódio 4, aqui.

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Cortesia do artista.

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