RENATO MONTEIRO, METAMORFOSE / METAMORPHOSIS

Exposição na Casa da Cultura de Sacavém, de 23 de julho e 29 de outubro de 2021.

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Já aqui apresentei o livro Metamorfose / Metamorphosis, edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa, EXPO’98, em 1998.

Renato Monteiro fotografou a metamorfose da Área de Intervenção da Exposição da EXPO’98: da anterior utilização, a demolição e limpeza do terreno e a construção dos novos edifícios, entre outras obras significativas, como a demolição da antiga Fábrica de Loiça de Sacavém, da qual temos uma imagem.

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Fernando Penim Redondo escreve o ensaio para a exposição:

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METAMORFOSE

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Os baldios ribeirinhos do Tejo fazem parte da minha infância. Em dias mais afoitos a miudagem da minha rua descia o Vale Escuro, em algazarra, à procura de aventuras “marítimas” para os lados do Poço do Bispo e de Xabregas. Quando já tinha idade para namorar, à noite pedia o carro ao meu pai e parqueava junto aos velhos hidroaviões que restavam do malogrado aeroporto da doca dos Olivais. Era o tempo em que os GNRs não se coibiam de importunar os jovens casais quando aproveitavam o embaciamento dos vidros. Tudo isto regressa ao meu espírito quando olho para as maravilhosas fotografias que o Renato Monteiro fez durante a construção da Expo. Tenho a sensação de que ele foi então engolido por um enorme peixe, qual Jonas bíblico, para ser regorgitado agora numa bela exposição. Ele teve a presciência da solenidade do momento, da METAMORFOSE; o epílogo da revolução industrial que nascera no século XVIII e que dava agora lugar à civilização digital, da comunicação e do lazer. O brutalismo das estruturas e das máquinas continuava a existir, mas agora o fim já não era a produção industrial mecânica. Tratava-se de criar um novo conjunto de edifícios notáveis, para servir os “deuses” da modernidade próspera que, sabemos agora, tinha muito de ilusório. O Renato aventurou-se por dentro das imensas teias, esgueirando-se entre os restos de uma época, que acabava e as traves de outra que nascia. Anónimo, clandestino, com o seu sonho bem escondido no bolso. Os heróis de tal saga, os trabalhadores, ficaram para sempre como homens-estátua nas fotografias do Renato. Eles que foram apenas argamassa de glórias alheias. E em tudo perpassa um espírito poético incansável, que assim era o Renato.

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Sabendo que Renato Monteiro encontrava-se doente e da sua vontade em mostrar este projeto, surgiu esta exposição. Acrescenta ainda Penim Redondo:

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O Renato morreu já depois de esta exposição estar em marcha. Passei uma tarde com ele, há semanas, quando o conheci, pela mão do Carlos Almeida. Foi um grande fotógrafo, um poeta e uma pessoa notável. Lamento ter chegado tão tarde à sua vida. A sua partida não me traz memórias com ele, mas antes, o absurdo de uma grande amizade que não chegou a ter tempo para acontecer.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2021

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Na Casa da Cultura de Sacavém, mostra-se um conjunto de fotografias de “Metamorfose / Metamorphosis”, de Renato Monteiro, imagens realizadas na área do Município de Loures, em exposição entre 23 de julho e 29 de outubro de 2021.

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Libreto editado por ocasião da exposição.

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Complementarmente à exposição, como ‘folha de sala’, foi editado um libreto (14,5 x 21,2 cm, 20 pp + 2 pp (errata), agrafado), que recolhe o texto acima, a nota biográfica do fotógrafo e um conjunto de retratos do fotógrafo, de: Ambrósio Ferreira, António Fazeres, Carlos Almeida, Carlos Silva, Frutuoso Domingues, Maria Margarida Monteiro e Rui Fabião.

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Renato Monteiro nasceu no Porto em 12 de janeiro de 1946. Faleceu em julho de 2021.

Realizou programas de índole cultural, enquanto colaborador de rádio. durante cerca de três anos. Desenvolveu trabalhos de redação e de reportagem fotográfica em projetos editoriais. Professor de História no Ensino Secundário, tem promovido a fotografia, através de ações de formação, colóquios e exposições

Fotografia:

ANDANÇAS. Álbum. ed. BLURB, junho 2021

SEM ROSTO. segunda edição. Álbum, ed. BLURB, junho, 2021

PORTUGUESES. Álbum, ed. BLURB, abril 2021

RIBEIRA. Álbum. ed. BLURB, janeiro 2021

MARROCOS. O país dos cheiros Álbum, ed. BLURB, 2021

A FÁBRICA. Álbum, ed. Câmara Municipal de Loures. dezembro 2020

20SENTADOS38DEPÉ. Álbum, ed. BLURB, dezembro 2020

CABO VERDE, à espera da água. Álbum, ed. BLURB. novembro 2020

TEJO I Álbum, ed. BLURB. novembro 2020

LISBOA o tempo e a luz. Álbum, ed. BLURB, setembro 2020

ARTES DA TERRA. Álbum, ed. BLURB, setembro 2020

JERÓNIMO, o último avieiro. Álbum, ed. BLURB, setembro 2020

A SENHORA DO CABO EM ODIVELAS. Álbum. ed. BLURB, julho 2020

ROSTOS. Álbum. ed. BLURB, julho 2020

NAZARÉ. Álbum, ed. BLURB, junho 2020

LISNAVE. Álbum, ed. BLURB, junho 2020

FÁBRICA. Álbum. ed. BLURB, maio 2020

PERIFERIAS. Álbum, ed. BLURB, abril 2020

LUGAR COMUM. Álbum (colectivo), ed BLURB, 2020

NOSSA SENHORA DE TRÓIA. Catálogo, ed. MAEDS, 2020

CIGANOS/GYPSIS. Álbum, ed. BLURB. novembro 2019

CAMINHOS DE OURÉM. Catálogo, ed. Câmara Municipal de Ourém 2016

NÓS OUTROS. Catálogo, ed. Câmara Municipal de Lisboa 2015

ARTES DO MAR. Álbum, ed. Junta de Freguesia da Costa de Caparica

LUZ. Álbum. ed EIMA. 2002

LISBOA OESTE E VALE DO TEJO. Livro coletivo, ed. CCRLVT, 2002

ERAM MARGENS DA MINHA CIDADE. Catálogo. Ed. Câmara Municipal de Lisboa, 2001

METAMORFOSE/METAMORPHOSIS. Álbum, ed. Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa. 1998

OLHAR A OBRA. In Estação do Oriente, Centralivro, 1998

FOTOBIOGRAFIA DA GUERRA COLONIAL. Em co-autoria. Ed. Publicações D. Quixote e Círculo de Leitores, 1998

Poesia:

RENASCER DO CORPO. Ed. Europress, 1984

SOL NO TETO. Ed. Europress, 1983

Correspondência:

CENAS DE PRATA. Ed. BLURB, Maio 2021, Renato Monteiro e Rui Fabião

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Sobre o livro “Metamorfose / Metamorphosis”, de Renato Monteiro, no FF, aqui.

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