ANA ALVARENGA, ANDREIA CARDOSO, BÁRBARA POUZADA, PANFI GOES, TERESA NUNES, ELAS

Exposição no Mira Forum, Rua de Miraflor, 149, na Campanhã, Porto, de 3 a 31 de julho de 2021.

.

.

.

José Bacelar, curador, escreve (insiro as fotografias no seu texto):

.

Passando a porta, cruzamo-nos em 2017.

Elas são artistas, trabalham com fotografia e refletem parte das práticas fotográficas contemporâneas. Da memória/arquivo, à criação de imagens tácteis, passando pelo documental, tudo está aqui presente.

.

.

Ana Alvarenga, Intocáveis

.

À pergunta “Que imagens guardaria da minha vida em qualquer circunstância, mesmo que deixasse de ver?” é ao que Ana Alvarenga tenta responder com Intocáveis. É, pois, de identidade que este projecto trata, numa perspectiva muito íntima, constante e que se pretende perpétua. As imagens têm a força e o significado do que é “intocável” e são, por isso, a síntese do fundamento da personalidade da autora.

Sendo um tema essencialmente pessoal, ele não deixa de ser, também, transversal porque a identidade a todos importa. Os trajectos representados nas 6 fotografias terão cruzamentos com os caminhos da generalidade das pessoas. E se esses trajectos podem, em cada um, ser contados por imagens diferentes das que encontramos em Intocáveis, a verdade é que este trabalho poderá sempre repetir nos outros a pergunta que lhe está subjacente: “Que imagens guardaria se deixasse de ver?”

E o que é singular em Intocáveis é que a autora, certa de que as imagens, mais do que vistas, podem ser percepcionadas, pensou-as para lá do visual, estimulando uma outra modalidade sensorial, o tacto. Assim, Intocáveis apresenta litofanias (impressões 3D) e fotografias lado a lado, revelando gradualmente todas as dimensões do trabalho. É a uma experiência de descoberta, passo a passo, num ritmo pausado, que Ana Alvarenga apela: em primeiro lugar descobrindo as litofanias como objecto para ser sentido pelo tacto, depois voltando-as contra a luz para que seja revelado subtilmente o assunto, e só depois o encontro com as 6 fotografias como o culminar de uma expressão plena. E já perante as fotografias voltar ao início, pois elas são a génese de todo o processo, já que foram pensadas especificamente para poderem ser sentidas nestas múltiplas dimensões.

.

.

Panfi Goes, “Deus quer, o Homem sonha e a Obra nasce”

.

Panfi Goes leva-nos numa visita guiada pelo mundo do subsolo, convidando-nos a percepcionar a escuridão, o silêncio e o engenho de que se faz a construção de uma conduta de água.

Em Deus quer, o Homem sonha e a Obra nasce pretende-se mostrar uma área inacessível da construção civil à generalidade das pessoas, revelando a rudeza e o rigor exigido e homenageando a astúcia e a valentia dos trabalhadores que são e fazem parte da obra. Sem a intenção de retratar as pessoas, Panfi Goes apresenta um trabalho que fala de pessoas, porque a grandiosidade da obra que as fotografias realçam só é possível pelo trabalho daqueles que nela arriscam a vida.

Ao fotografar grandes estruturas industriais e de comunicação, Panfi Goes apresenta-nos um trabalho na penumbra e que se revela de luz, pela capacidade de o Homem se superar através da Obra.

.

.

Andreia Cardoso, Penumbra

.

Penumbra é o nome do projeto apresentado por Andreia Cardoso. Este explora um conjunto de fotografias que remontam ao final do século XIX e início do século XX. Aqui recuperam-se fotografias abandonadas numa loja de antiguidades e, através de manipulações realizadas manualmente, criam-se novas narrativas. Este é o resultado de uma reflexão pessoal da autora sobre a fragilidade do objecto fotográfico enquanto elemento representativo da nossa história de vida.

Tendo como base de trabalho a apropriação, a autora realiza uma série de manipulações manuais, fazendo uso de flores e areia, que enfatizam o estado de meia luz em que as fotografias se encontram. Assim este trabalho questiona aquilo que é visível e invisível ao nosso olhar e memória.

.

.

Bárbara Pouzada, (SE) PARAR

.

Num estilo documental contemporâneo Bárbara Pouzada apresenta-nos a vivência de cinco venezuelanos que assistiram com angústia aos dias sombrios que se abateram sobre o seu país. Em cinco retratos apresenta-nos cinco histórias que, no fundo, encerram os medos e as angústias de toda uma população. Numa tradição recente, pretende através do retrato individual traçar um sentimento colectivo, em algo idêntico ao que Paolo Pelegrin fez, quando nos traduziu a dor sentida por milhões de católicos aquando da morte de João Paulo II, através de doze retratos. A dor individual representava a dor colectiva.

.

.

Teresa Nunes, Cuida(dor)

.

Na tradição do documentalismo fotográfico, Teresa Nunes apresenta-nos um projecto cheio de comprometimento e sentimento. Uma visão sobre um problema contemporâneo, os cuidadores informais. Numa linha que faz lembrar foto-ensaios de Eugene Smith ou Chris Steele-Perkins.

Teresa vira-se para a sua própria família. Fotografa a Mãe que cuida do Avô. O seu trabalho foca-se em apenas um cuidador, permitindo assim um maior aprofundamento do tema e das rotinas do mesmo, lembrando o trabalho “The Sandwich Generation” de Ed Kashi, mas com um olhar diferente, o dela.

.

Passando a porta verão expostos cinco projectos de elevado valor imagético que recriam parte das práticas fotográficas contemporâneas.

.

.

.

.

A exposição “Elas”, fotografia de Ana Alvarenga, Andreia Cardoso, Bárbara Pouzada, Panfi Goes, Teresa Nunes, com curadoria de José Bacelar, apresenta-se no Mira Forum, Rua de Miraflor, 149, na Campanhã, Porto, de 3 a 31 de julho de 2021.

.

.

Tiago Lopes, Aspetos da exposição, inauguração, 03.07.2021

.

,

.

Ana Alvarenga

Nasceu na Póvoa de Varzim em 1981 e, desde os 6 anos, vive na Maia, onde também trabalha como advogada. Não foi cedo que manifestou o interesse pela fotografia, mas apenas em 201 1 com o nascimento do seu filho. Percebendo que a fotografia é uma importante forma de se exprimir, frequentou o Curso Profissional de Fotografia no IPF – Porto, que concluiu em Julho de 2019.

.

Pode conhecer melhor o trabalho de Ana Alvarenga aqui.

.

.

Andreia Cardoso

Andreia Cardoso nasceu em 1992 no Porto. Estudou durante vários anos Psicologia, tendo o grau de Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde. Em 2018 decide estudar uma arte que desde sempre a fascinou, a Fotografia. Encontra, desta forma, um meio de expressão que lhe permite fazer uma ponte entre a Psicologia e a Fotografia. Em 2019 conclui o Curso Profissional de Fotografia no Instituto Português de Fotografia. Atualmente vive no mundo da fotografia, trabalhando como fotógrafa de produto.

.

Pode conhecer melhor o trabalho de Andreia Cardoso aqui.

.

.

Bárbara Pouzada

Fotojornalista freelancer natural do Porto, onde reside.

Licenciada em Ciências da Comunicação, vertente de Jornalismo, tendo trabalhado na área desde 2016 até ingressar no Curso Profissional de Fotografia no IPF – Porto, que concluiu em 201 9 com o trabalho “(SEPARAR”, presente nesta exposição.

É também colaboradora do projecto Everyday.Portugal desde a sua génese.

.

Pode conhecer melhor o trabalho de Bárbara Pouzada aqui.

.

.

Panfi Goes

Engenheira de Ambiente, de profissão, fotógrafa de paixão. A senda da fotografia na sua vida não tem momento definido: ainda criança, brincava com a câmara da família, e mais tarde, desenvolveria uma saudável disputa com o pai pela captação da imagem que melhor definisse o momento, o local, o sentimento.

A vontade de aprender e de habitar o meio artístico tornouse insaciável, pelo que, num acto muito próximo do irracional e de incomensurável emotividade, ingressou no Curso Profissional de Fotografia no IPF-Porto, que terminou em Setembro de 2019.

.

Pode conhecer melhor o trabalho de Panfi Goes aqui.

.

.

Teresa Nunes

Fotojornalista baseada no Porto, fundadora do Everyday.Portugal. Sempre teve interesse em jornalismo e documentar o mundo através do seu olhar analítico, já desde uma tenra idade. Tem o grau de Mestre em Direito, tendo trabalhado como Advogada durante cerca de dez anos. Ingressou no Curso Profissional de Fotografia do IPF – Porto, que terminou em Junho de 2019 com a apresentação do projecto CUIDA(DOR), que ora se exibe.

.

Pode conhecer melhor o trabalho de Teresa Nunes aqui.

.

.

José Bacelar, curador

José Bacelar é um fotógrafo português que vive no Porto, Portugal.

Começou a sua carreira como fotojornalista mas aos poucos foi-se afastando para se concentrar em projectos pessoais que frequentemente se desenvolvem em livros e exposições. Define-se por um estilo cru, com um preto e branco altamente contrastado. Numa abordagem que mistura o documental e o conceptual, o seu trabalho é um registo desencantado da vida e das suas consequências contemporâneas.

Bacelar tem diversos livros publicados e expôs em várias cidades portuguesas e estrangeiras.

.

Pode conhecer melhor o trabalho de José Bacelar aqui e no FF, aqui.

.

.

.

Cortesia das artistas.

.

.

.

Advertisement