JOÃO SANTOS, O DIA EM QUE A TERRA PAROU – 2

Diário de uma quarentena.

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João Santos, O Dia em que a Terra Parou – Diário de uma quarentena, 2020

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Partilho hoje a segunda parte deste “Diário de uma pandemia”, nas imagens tão pessoais de João Santos: o seu olhar centra-se especialmente nas pessoas que o rodeiam. Muito pontualmente, o João junta uma imagem de arquivo, recente, que completa a sua narrativa, trazendo a presença de alguém que é querido. Porque a fotografia é também a presença e a vivência: faz presente.

Sobe o projeto, regista João Santos:

A pandemia Covid-19, o novo coronavírus, atirou milhares de pessoas para um confinamento obrigatório em suas casas.

A 19 de Março de 2020, vi-me privado de continuar a exercer funções na empresa para a qual eu trabalho. Privado de sair da minha residência, privado de circular livremente, privado de estar ou ficar com as pessoas às quais estava habituado.

O estado de emergência privou as nossas mais ínfimas liberdades, colocando-nos, a cada um de nós, a maior prova a superar por qualquer ser humano.

Coagido, incentivado, motivado a documentar a espuma dos dias, eu fui fotografando a rotina caseira.

Com imagens relativamente fáceis de criar uma intimidade ou familiaridade a cada um de nós, outros do foro mais íntimo e pessoal.

Por Anton Tchékov: só abrimos bem os olhos quando somos infelizes.

Nos 46 dias de confinamento, na esperança dos dias, eu combati a ânsia e a vontade de abraçar com as imagens que se aproximavam a todo o momento e instante.

O pior, penso, não é estar fechado entre quatro paredes mas sobre nós mesmos.

O isolamento pode e deve permitir à criação.

A empatia pelos lugares, pelas pessoas da casa, por quem não esquecemos, nós procuramos imortalizar através das imagens.

O medo e o desespero dos primeiros dias, deram lugar à apatia de viver dias após dias tão semelhantes ao anterior, como cruzamos a tempestade até à bonança de aceitar os dias com a doença. Protegendo-nos, protegemos os outros.

Oferecendo-nos o dever cívico de proteger a saúde de todos.

A maior memória, vivendo num mundo de memórias tão célere, devemos guardar por agora que o melhor da vida, como escreveu o autor, “a felicidade só é real quando compartilhada”.

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João Santos. Nasci a 28 de Maio de 1991 em Vila Nova de Gaia. Licenciado em Comunicação Audiovisual e Multimédia pela Universidade Lusófona do Porto (2015-2018) e Curso Profissional de Fotografia (2016-2018) pelo Instituto Português de Fotografia.

O meu trabalho espelha a relação da memória, do tempo e o espaço, tendo como pano de fundo a sociedade portuguesa contemporânea. Trabalho sobre o que vejo nas ruas, sobre as pessoas. Caraterizo o meu trabalho como autobiográfico pelo nomadismo, pela viagem e pela deriva. Estou numa constante tentativa de construção de novos modos de ver a realidade e sobre os cenários que me são apresentados.

Procuro fotografar o que foi esquecido, rejeitado ou deixado suspenso. Sinto-me particularmente interessado por temas quotidianos, a crise económica, a instabilidade, a incerteza, momentos e pessoas que não pertencem à história, os rejeitados, uma espécie de heróis esquecidos. Com as minhas imagens procuro provocar nostalgia e desconforto, sendo apenas as marcas, os testemunhos, de um momento congelado através do meu olhar.

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Pode ver a primeira parte deste projeto, aqui.

Pode conhecer melhor o trabalho de João Santos aqui.

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Cortesia do Autor.

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