200 ANOS DE FÉLIX NADAR

200 anos do nascimento de Gaspard-Félix Tournachon, conhecido como Félix Nadar (Paris, 6 de abril de 1820 – Paris, 20 de março de 1910)

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RF BL Nadar

Bloco dos correios franceses comemorativo dos 200 anos do nascimento de Félix Nadar

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Por ocasião dos 200 anos do nascimento de Nadar, La Poste, os correios franceses, emitem no dia do seu aniversário, 6 de abril de 2020, um bloco comemorativo, composto por 4 selos e 8 vinhetas, reproduzindo um conjunto de autorretratos em rotação que realizou por volta de 1865, permitindo “destacar e sobrepor os doze autoretratos para formar um folioscope, criando a ilusão que a personagem de Nadar está em movimento”, como se refere na base da peça filatélica.

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Nadar, Autoportrait en rotation, c. 1865

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Gaspard-Félix Tournachon, nasceu em Paris, a 6 de abril de 1820.

Filho de um livreiro e impressor, Gaspard-Félix passou a sua adolescência em Lyon, regressando a Paris para preparar a entrada na universidade e começa a frequentar a vida boémia parisiense. Regressa a Lyon em 1838 para estudar medicina, que abandona, devido à ruína do negócio do pai.

Começa a trabalhar, sob o pseudónimo de Félix Nadar, como jornalista e caricaturista para diversos jornais, regressando a paris em 1842. O Le Corsaire publicou os seus primeiros contos e o Le Charivari as suas primeiras caricaturas. Em 1848, em Paris, cria a sua própria revista: La Revue Comique.

Já com família formada, com dificuldades económicas, incentivado por um amigo, o escritor Eugène Chavette, adquiriu uma câmara fotográfica, começa a fotografar personalidades parisienses, servindo as imagens de base para caricaturas, para um projeto que chamou “Panthéon Nadar”, sendo uma primeira parte publicada em 1854, reunindo 249 vultos.

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Félix Nadar, Panthéon Nadar, 1854

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Em 1854, com o seu irmão Adrien, abre na Rue Saint-Lazare, em Paris, um estúdio fotográfico, que conhece tão grande afluência, que os cocheiros rapidamente lhe puseram o nome de Rue de Saint-Nadar. Desentendendo-se com o seu irmão, mudou o seu estúdio para o Boulevard des Capucines, 35, tornando-se rapidamente um local de reunião e tertúlia da elite cultural parisiense. O seu estúdio, imponente, ostentava na fachada uma gigantesca reprodução da sua assinatura, a vermelho.

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Estúdio Nadar, Boulevard des Capucines, 35, Paris

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As suas fotografias, sobretudo retrato, mostram uma naturalidade, diferente das poses rígidas de então, e refletem o modo de ser dos retratados. Este facto não é de estranhar, pois muitos dos retratados eram amigos: pessoas ligadas à cultura ou à política, com quem havia confiança e intimidade. E, com eles, levavam outros vultos, para além dos que, de passagem pela cidade, iam ao seu estúdio: para encontrar a elite da cidade e para serem fotografados por Nadar. Charles Baudelaire, Victor Hugo, Sarah Bernhardt, Franz Liszt, Pierre-Joseph Proudhon, Gustave Doré, Eugène Delacroix, para referir apenas alguns nomes. Fez também o registo post-mortem de Victor Hugo e do imperador Pedro II do Brasil.

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Félix Nadar, Gustave Doré, c.1855

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Nadar, Joacchino Rossini

Félix Nadar, Gioacchino Rossini, depois de mai.1856

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Nadar-Delacroix

Félix Nadar, Eugène Delacroix, 1858

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Félix Nadar, Charles Baudelaire, 1862

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Nadar-Sarah Bernhardt 

Félix Nadar, Sarah Bernhardt, 1865

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Nadar-Victor Hugo

Félix Nadar, Victor Hugo, 1884

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Com espírito inovador e criativo, Nadar é o primeiro a fazer fotografia aérea, em 1858, a partir de um balão, ideia que patenteia. Manda construir um balão gigante, “Géant”, de 6.000 m3 e 40 m de altura, com capacidade para 80 pessoas, que seria um fracasso comercial, mas inspirou o seu amigo Jules Verne a escrever “Cinco Semanas em Balão” (1862), sendo o herói da trama, Michel Ardan, cujo nome é um anagrama de “Nadar”. Daumier realiza uma litografia satírica, mostrando Nadar a fotografar Paris de um balão, e a que deu o título «Nadar elevando a fotografia à altura da Arte», publicada na revista Boulevard de 25 de maio de1862, promoveu o fotógrafo e antevia aquele estatuto para a fotografia.

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Nadar, Nadar em balão

Félix Nadar, Autoretrato em balão, fotografia de estúdio, c. 1865

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Honoré Daumier, litografia «Nadar elevando a fotografia à altura da Arte», revista Boulevard, 25.05.1862

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Félix Nadar, Honoré Daumier, 1856-1858

Félix Nadar, Honoré Daumier, 1855 (1856-58?)

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Albert Humbert - Caricatura de Nadar e seu balão- Litografia pintada-1863

Albert Humbert, Caricatura de Nadar e seu balão, Litografia pintada, 1863

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Em 1858, com o advento da luz elétrica, instala-a no seu estúdio, por meio das então denominadas “pilhas de Bunsen”, e em 1860, graças a ela, fotografa as catacumbas e os esgotos de Paris, sendo o primeiro a fotografar com luz artificial.

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Nadar, Catacumbas de Paris,

Félix Nadar, Catacumbas de Paris, 1860

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Em 15 de abril de 1874, o seu estúdio acolhe a primeira exposição de pintura, entre outros, de Monet, Renoir e Cézanne, que intitulam de ‘impressionista’, nome porque ficaria conhecido o estilo.

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Catálogo

Catálogo da exposição de pintura ‘impressionista’, 15.04.1874 e fachada do estúdio Nadar.

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Em 1886, reconcilia-se com o seu irmão Adrien e afasta-se do estúdio, pela saúde e idade, que prossegue com o seu filho Paul (1856-1939). É com ele que inova, ao realizar a primeira entrevista fotográfica: uma série de 21 fotografias do cientista francês Eugène Chevreul a conversar: cada uma das fotografias tinha uma legenda com as respostas de Chevreul às perguntas do fotógrafo e publicada no Le Journal Illustré.

Em 1894, em Marselha, abre um estúdio e torna-se amigo de Frédéric Mistral, mas volta a Paris em 1904, escreve as suas memórias. Publica “Quand j’étais photographe” (Quando eu era fotógrafo), um livro autobiográfico, editado em Portugal pelas Edições Cotovia (2017, ISBN: 9789727953776).

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Nadar-Quando eu era fotografo

Félix Nadar, Quando eu era fotógrafo, Lisboa: Edições Cotovia, 2017

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Félix Nadar faleceu em Paris, a 20 de março de 1910, encontrando-se no cemitério do Père-Lachaise.

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O estúdio Nadar funcionou de 1854 a 1949, e nele trabalharam depois de Félix, o seu irmão Adrien Tournachon e o filho Paul Nadar.

Em 1950 o Estado Francês adquiriu as fotografias, os arquivos e a correspondência de Nadar, que se conservam nas coleções públicas francesas, depositadas na Bibliothèque Nationale de France.

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Pode visitar a exposição virtual da Bibliothèque Nationale de France, “Les Nadar, une légende photographique” (Os Nadar, uma lenda da fotografia), aqui, e na ARTE.TV, “Les Nadar, une légende photographique” (2’04”)  aqui e “Nadar, le premier des photographes” (52’13”) aqui.

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Atualizado às 14:52 com os documentários da ARTE.TV.

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