CLARA AZEVEDO, CIDADE DA ÁGUA: HOSPITAL TERMAL DAS CALDAS DA RAINHA, 1989, 2017

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Clara Azevedo

Cidade da água: Hospital Termal das Caldas da Rainha, 1989

Fotografia: Clara Azevedo / Texto: Jorge Mangorrinha

Casal de Cambra: Caleidoscópio / 2017

Colecção: Regresso às termas

Português / 22,1 x 28,15 cm / 48 págs.

Brochura

ISBN: 9789896584559

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Este livro reúne 30 fotografias de Clara Azevedo realizadas em 1989, em dois edifícios contíguos: o Hospital Termal e o Balneário Novo, nas Caldas da Rainha, retratando a vivência e o espaço das Termas.

A importância das Termas é destacada no ensaio de Jorge Mangorrinha, com data de maio de 2017:

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Escrevo sobre um património material e humano carregado de uma expressividade tão bem registada pela câmara fotográfica de Clara Azevedo – sereno é o seu olhar a fixar o instante e moreno é o semblante a nos apresar.

Este é um mundo próprio, mas ele é da cidade que nos dá água e, também, da água que nos deu cidade.

O Hospital Termal das Caldas da Rainha é uma casa com as marcas dos tempos. A fundação de uma instituição denominada, no final do século XV, de “Hospital de Nossa Senhora do Pópulo” inovou como grande hospital moderno e o primeiro do mundo baseado na hidrologia médica. A sua refundação e a reciprocidade com a evolução das ciências, a partir de meados do século XVIII, elevaram-no a laboratório e a monumento termal. No século XIX, a abertura ao espaço urbano dos ritos próprios do termalismo coincidiu com o interesse generalizado pelo desenvolvimento dos recursos naturais do País e dos transportes e comunicações, através do investimento público e privado, propiciando vivências em espaços diversos construídos para o efeito, ou seja, cenários de encontro ou de recolhimento, que passaram do interior do edifício balnear para o exterior — um pretexto para a celebração da sociabilidade.

As imagens que na sua totalidade agora nos são reveladas traduzem momentos vivos de terapia e de espera. Lembram-nos espaços e usos de um passado relativamente próximo, anterior às transformações que se verificaram no termalismo internacional e nacional. O sentimento destes personagens – e o nosso, quando olhamos as imagens – é de comodidade perante os espaços, as ambiências e as técnicas terapêuticas.

Na época, traçava-se uma ambição renovada para esta parte da cidade e para este património. A ideia era alargar e modernizar a oferta e diversificar a procura da actividade termal. E os cidadãos das Caldas da Rainha esperavam novos desafios para uma verdadeira cidade termal.

Uma espera ainda em espera.

O desejo passava por se estabelecer um equilíbrio entre as heranças e o novo, pela evidência de que o património é constituído pelo recurso natural, pelas pessoas e pelos elementos construídos, em contexto histórico e sedimentado. Porém, sabemos como a modernização nem sempre opera desempenhos cultos de progresso e, em simultâneo, conhecemos as razões pelas quais o edifício do Hospital Termal Rainha D. Leonor merece, também ele, uma terapia adequada, articulando as práticas termais possíveis e a cultura patrimonial para o interesse do mundo.

Há mais de duas décadas, sabia-se que o destino deveria passar por duas vertentes, a médica e a turística, entendendo o termalismo, não apenas como o prolongamento do passado, mas integrado nas tendências internacionais, com inovação nas práticas terapêuticas e nos tempos associados, e tendo a consciência da autenticidade, singularidade e excepcionalidade do património. Sentia-se a necessidade de criar uma imagem renovada para as termas em geral e as Caldas da Rainha em particular, como lugares com vocação de saúde global, para o que se exigia – e exige — a convergência de todos os agentes do território e a sensibilidade para a compreensão do espírito do lugar. As Caldas da Rainha esperam, há muito, um novo impulso, integrando a espessura desses outros tempos, fixados pelos instantes fotográficos que nos mostram água, luz, sombra, mobiliário, acessórios e rituais.

O Hospital Termal Rainha D. Leonor conheceu tempos que antecederam os de outras partes do mundo. Representa um marco na história do termalismo. Há um reconhecimento público, mas cujas práticas de actuação devem prová-lo. E há também o consenso por parte das outras realidades congéneres, nacionais e internacionais, porque é a casa-matriz de uma história à escala universal, rica de muitas estórias marcadas nos corpos de quem se entrega à cura, com esperança.

Estas são as águas que sempre nos correram à flor da pele e por dentro. E inspiram-nos o futuro.

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Clara Azevedo, Cidade da água: Hospital Termal das Caldas da Rainha, 1989, 2017

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O livro “Cidade da água: Hospital Termal das Caldas da Rainha, 1989”, de Clara Azevedo, foi lançado em 18 de maio de 2017, por ocasião da exposição realizada no Centro Cultural e de Congressos daquela cidade.

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