PAULIANA VALENTE PIMENTEL, O NARCISISMO DAS PEQUENAS DIFERENÇAS, 2019

Exposição no âmbito da programação associada ao Imago Lisboa Foto Festival, no Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, Rua da Palma, 246, de 17 de outubro de 2019 a 11 de janeiro de 2020.

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Pauliana Valente Pimentel

O narcisismo das pequenas diferenças. The narcisism of small diferences

Fotografia: Pauliana Valente Pimentel / Texto: Isabel Corda, Sérgio Fazenda Rodrigues, António Pedro Lopes

Lisboa: Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico / Outubro . 2019

Português, inglês / 24,5 x 20,7 cm / 108 pág., não numeradas

Cartonado, revestido a tecido vermelho / 500 ex.

ISBN: 9789895410996

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Pauliana_Valente_pimentel-O Narcisismo (2)

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S. Miguel. A paisagem da ilha, alguns detalhes de interiores. E os jovens, sobretudo os jovens. Os jovens e as jovens da ilha, na sua vida e vivência quotidiana.

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No Narcisismo das Pequenas Diferenças, de Pauliana Valente Pimentel, a ilha de São Miguel é um paraíso paradoxo entre a terra e o mar, assombrado pelo basalto, as brumas e araucárias gigantes. As paredes perdem a tinta para a humidade que fertiliza paredes de hortênsias, verdeja lagoas adormecidas e acorda animais de vulcão – cavalos, pássaros e cães. Nesta ilha, muitas histórias de passagem à idade adulta. Histórias de rapazes, raparigas ou rapazes que querem ser raparigas e que em comum têm a idade, este lugar e todos os sonhos do mundo. São de Ponta Delgada, Rabo de Peixe, Relva, do interior e da costa marítima. Estudam, trabalham, trabalham enquanto estudam. Todos têm telemóvel, ouvem música, tiram selfies e sabem o poder que uma fotografia carrega.

, escreve Para António Pedro Lopes.

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Sérgio Fazenda Rodrigues regista no seu ensaio sobre a série:

… “O Narcisismo das Pequenas Diferenças”, de Pauliana Valente Pimentel, apresenta um conjunto de fotografias de ambientes, situações e pessoas que enquadram diferentes realidades da Ilha de São Miguel.

Realizadas em 2017, no âmbito de uma residência artística, estas imagens são agora apresentadas numa parceria que inclui a Galeria Fonseca Macedo, o Festival Walk & Talk e o Festival Tremor. Estes registos integram uma nova série, que se centra num grupo de jovens micaelenses e nas relações que estes mantêm com os locais, e com os costumes da ilha.

Na sequência dos seus anteriores trabalhos, como “Jovens de Atenas”(2012), “The Passenger”(2014), “The Behaviour of Being” (2105), ou “Quel Pedra”(2016), a artista visa entender o modo como se expressam as particularidades de um dado local, a maneira como isso influi na organização da sociedade e a reacção que isso gera na sua população mais nova. Assim, da especificidade da condição insular, à expressividade da relação natureza-cultura, nas suas múltiplas variações sócio-culturais, Pauliana Valente Pimentel está atenta à definição de um registo identitário, à maneira como ele se manifesta e à forma como ele se questiona.

Focada nas manifestações de genuinidade e transgressão, a artista procura perceber a dinâmica das pessoas que fotografa, o meio a que elas se reportam, e a abertura, ou liberdade, que estas assumem e manifestam.

A sua permanência em São Miguel, que foi alargada, permitiu-lhe estreitar relações com a ilha e com as suas comunidades. A visão que partilha, potenciada por um amplo tempo de convivência, assenta numa base de proximidade, confiança e abertura. De modo cuidado, e inteligente, a artista evita o registo documental, que classifica e estereotipa. Na verdade, o seu olhar é curioso, mas revela sem ser intrusivo e inquire sem estar a julgar.

De forma intensa, é-nos dada uma perspectiva sobre um quotidiano que, ao mesmo tempo, é estranho e natural. É estranho, porque existe um desencontro entre a idade, ou a natureza das pessoas retratadas, e a expressão de uma cultura onde a tradição tem um peso dominante. Natural, porque no seio desses ambientes, a artista captou a força e a espontaneidade de cada indivíduo, e de cada situação.

O título da exposição reporta-se aos escritos de Sigmund Freud, onde se aborda a ideia das pequenas diferenças como base dos sentimentos de estranheza e hostilidade que surgem entre os povos. Mas, a visão de Pauliana Valente Pimentel acolhe a diferença e evita o confronto. Na verdade, a sua atenção recai na procura da beleza que reside no inusitado de cada situação.

Como uma ilha, cada pessoa está predominantemente alheado no seu mundo, voltado sobre as suas próprias diferenças. E, das memórias infantis, à projecção de outros imaginários, a especificidade que cada imagem fixa é pautada pela delicadeza e pela fragilidade que cada indivíduo apresenta.

Quem surge nestas imagens insinua algo que gravita entre a aceitação e o desconforto. Algo que advém da distância entre a contenção cultural e a transgressão da idade. A forma como isso nos é dado a ver assenta, porém, numa simplicidade desarmante. Uma simplicidade que reflecte um lado autêntico, onde se exclui a decadência e o afastamento, e se celebra a força e o encanto.”

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Pauliana Valente Pimentel, O narcisismo das pequenas diferenças, 2019

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Esta série foi apresentada pela primeira vez na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, em março de 2018.

Este livro foi editado por ocasião da exposição realizada no Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, na Rua da Palma, 246, de 17 de outubro de 2019 a 11 de janeiro de 2020, no âmbito da programação associada ao Imago Lisboa Foto Festival.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2019

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Pauliana Valente Pimentel  Nasceu em 1975. Lisboa. Como artista visual e fotógrafa freelancer, faz trabalhos de fotoreportagem desde 1999 para diversos jornais e revistas como exposições individuais e colectivas em Portugal e no Estrangeiro – Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha, Grecia, Turquia, EUA, China e Africa (Marrocos, Cabo Verde). Em 2005, participou no curso de fotografia do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística. Pertenceu ao colectivo [Kameraphoto] desde 2006 até à sua extinção em 2014. Em 2016 funda o novo colectivo “N’WE”. Em 2009 foi publicado o seu primeiro livro de autora ‘VOL I’, pela editora Pierre von Kleist e ‘Caucase, Souvenirs de Voyage’, pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2011. Realizou também diversos filmes. Em 2015 recebeu o prémio de Artes Visuais, do melhor trabalho fotográfico do ano, “The Passenger” pela Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2016 foi nomeada para o Prémio “NOVO BANCO Photo 2016”, pela série “The Behaviour of Being”, tendo apresentado “Quel Pedra” no Museu Berardo. Esteve durante cinco anos representada na Galeria 3+1 Arte Contemporânea e sete anos pela Galeria das Salgadeiras, em Lisboa. Actualmente colabora com diversas galerias. Parte da sua obra pertence a coleccionadores privados e institucionais, tais como Fundação Calouste Gulbenkian, Partex, Fundação EDP e Novo Banco.

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Pode conhecer melhor o trabalho de Pauliana Valente Pimentel aqui.

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