BRUNO PARENTE, MAPS IN OPPOSITE MOTION

Esta série integra a exposição “Desvio”, patente na Águas-Livres 8, na Praça das Águas-Livres, 8, em Lisboa, de 24 de maio a 22 de junho de 2019.

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António Bracons, Aspetos da exposição “Maps in opposite motion”, de Bruno Parente, 2019

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O que pode ser um mapa? Uma tentativa fidedigna, porém forçosamente restrita, de representação de uma certa experiência do real. Sobre esta representação, o mapa revela os vestígios do visível, define fronteiras e fixa a expressão de geografias e territórios. Tal como a fotografia, o mapa é documento do provisório. Desenha uma fina espessura temporal que retém os instantes do legível e identificável mas escapa à invisibilidade das camadas ocultas do tempo, aos acidentes e às mutações, ao reversível das superfícies do real.

A série MAPS IN OPPOSITE MOTION procura estabelecer uma relação visual directa com a ideia de mapa através do recurso a uma linguagem familiar e reconhecível, facilmente associável à cartografia de um território.  Essa representação pretende-se, contudo, ambígua, minuciosa, difusa, sem escala, na recusa assumida de referências para a designação de lugares que, desenraizados e sem genealogia, são apenas legíveis na reprodução ficcionada da sua morfologia.

As imagens apresentadas podem assim nomear uma sucessão de superfícies em fuga que não assentam em nenhuma ordem espacial ou temporal. Sem cronologia, são mapas diacrónicos; precedem, atravessam ou sucedem a ideia de tempo. Sugerem lugares e afastam-se de todos os lugares. Procuram ser geografias indistintas, ruínas fissuradas e dispersas, paisagens efémeras em correntes que perduram ou desaparecem.

Todas as imagens foram produzidas com recurso a uma aproximação livre e experimental da técnica do quimigrama, propondo-se uma relação processual com a linguagem da fotografia, embora distante do seu processo mecânico e óptico. Não se trata de um corpo arqueológico ou documental captado pela objectiva da câmara mas conserva-se o eco do carácter laboratorial fotográfico. E reforça-se a pretendida oscilação e ambiguidade destes mapas, como lugares não identificados, nos seus trânsitos de reconhecimento e estranheza.

Bruno Parente

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António Bracons, Bruno Parente, Lisboa, 2019

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Bruno Parente (Lisboa 1976), arquitecto de formação pela Faculdade de Arquitectura, tem desenvolvido, em paralelo com a actividade profissional, trabalho que cruza o campo da fotografia e das artes visuais. Concluiu o primeiro ano do doutoramento em Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos e o nível básico do curso de fotografia do Ar.Co.

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O Atelier de Lisboa apresenta os trabalhos dos alunos do curso de Projecto em Fotografia e Artes Plásticas, sob orientação de Cláudia Fischer e José Luís Neto. Quatro jovens autores:  Bruno Parente, Margarida Rêgo, Ricardo Junqueira e Sandra Lourenço, sob o título comum de “Desvio”, apresentam projetos distintos e inovadores, maturados, reflexo de uma jovem fotografia portuguesa cada vez mais viva. A exposição tem lugar em Lisboa, na Águas-Livres 8, na Praça das Águas-Livres, 8, de 24 de maio a 22 de junho de 2019.

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Contacto: bmparente (at) gmail.com

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