PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM 2019 COIMBRA

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O PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM 2019 COIMBRA foi anunciado no passado dia 27 de abril de 2019 em Coimbra e irá estar em exposição naquela cidade, de 28 de junho a 31 de julho na Galeria Pedro Olayo (Filho) do Convento de S. Francisco, depois em vários locais. Entretanto decorrem em Coimbra diversas exposições paralelas e outros eventos do Prémio (encontra o programa aqui).

De acordo com a organização,

Dedicado ao fotojornalismo, o PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM é não só único na Península Ibérica como um dos raros que se realizam em todo o mundo focados na reportagem fotojornalística. É destinado a fotojornalistas de Portugal, dos PALOP e da Galiza, bem como estrangeiros que trabalhem nestes territórios.

Nesta edição foram submetidas a concurso perto de 400 reportagens, às quais juntaram as mais de cem candidaturas para Fotografia do Ano várias dezenas à Bolsa ESTAÇÃO IMAGEM Coimbra.”

Este prémio é sem dúvida o grande momento de destaque do fotojornalismo em Portugal.

O júri desta 10ª edição do Prémio foi presidido por Stéphane Arnaud, editor-chefe de Fotografia Internacional da AFF, sendo os restantes elementos: George Steinmetz, Michael Kamber e Darrin Zammit Lupi.

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Stéphane Arnaud escreve uma mensagem, como presidente do Júri:

Os festivais e os prémios de fotografia são momentos e eventos preciosos para o fotojornalismo: representam ocasiões raras para todos os fotógrafos que zeram a escolha difícil e empenhada de documentar e testemunhar a nossa época, de mostrar o seu trabalho, de partilhá-lo, de o ver exposto, publicado e recompensado.

Assim, foi com muito entusiasmo, humildade e respeito que nós, Michael Kamber, George Steinmetz, Darrin Zammit Lupi e eu próprio, membros do Júri desta décima edição do PRÉMIO ESTAÇÃO IMAGEM, examinámos as fotografias e reportagens que concorreram neste ano.

Histórias de homens, de mulheres, da vida em sociedade, actualidades dramáticas ou felizes, tradições, culturas, ambiente… Todas as facetas que compõem o mosaico do mundo em que vivemos estiveram presentes.

Uma oportunidade rara, portanto, de podermos, no espaço de alguns dias, parar e observar de perto a nossa época graças ao trabalho dos fotógrafos.

Proporcionou-nos, também, uma sensação estranha ao ver desfilar diante dos nossos olhos tantos excertos, tantas pausas em imagens de um filme cuja história, ao mesmo tempo, prossegue a sua louca trajectória.

É no pôr em suspenso a corrida desvairada da história, por um instante, para se ter tempo de a observar, estudar e compreender, que reside toda a força e sentido do fotojornalismo.

Diz-se que «aquilo que não se vê, não existe» ou que «aquilo que não fica registado, não permanece». É também aí que os fotógrafos encontram toda a sua essência e onde nós precisamos deles: mostrar aos olhos do mundo o que eles viram para que tal possa «existir»; captá-lo e fixá-lo para que o mesmo consiga durar.

Numa altura em que tudo acontece cada vez mais depressa, e as evoluções das nossas sociedades acontecem a um ritmo que é muitas vezes difícil de acompanhar, precisamos mais do que nunca que alguns de nós se disponham a ter tempo e empenho para dar o seu testemunho e documentar o mundo a fim de nos ajudar a conhecê-lo, compreendê-lo e reflectir sobre ele. Olhar e ver para propor a reflexão, é o que os fotógrafos fazem.

Para além de porventura nunca terem sido tão indispensáveis, decididamente eles também nunca foram tão merecedores como agora: ser fotojornalista hoje nunca foi tão exigente – economicamente, politicamente e fisicamente.

Que fique expresso aqui o nosso caloroso agradecimento a eles, bem como a toda a equipa da Estação Imagem.

Respeito!

 

 

Maio 2019

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Apresento agora a identificação dos vencedores dos PRÉMIOS ESTAÇÃO IMAGEM 2019 COIMBRA. Em próximas publicações destacarei cada um dos portfólios vencedores (os prémios “Fotografia do Ano” são apresentados abaixo).

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O Prémio Estação Imagem 2019 Coimbra foi atribuído a Leonel de Castro, pela série Almas:

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© Leonel de Castro, Almas, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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Leonel de Castro foi também distinguido com o prémio Fotografia do Ano:

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© Leonel de Castro, Mulher Berber, 2018

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Sobre esta imagem, escreve:

A mulher muçulmana tem poucos direitos e muitos deveres. Desde as obrigações domésticas e familiares à hora de decidir o que vestir, todas as escolhas estão sujeitas ao escrutínio do marido. Em Marrocos, terra de cores quentes e muçulmanos de sorriso fácil, as mulheres do campo não são iguais às da cidade. As mulheres do campo são feitas de muito trabalho e poucas escolhas, num país em que a poligamia é um direito sem deveres.

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Foram também atribuídas duas Menções Honrosas: a Óscar Corral, por Transfer

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© Óscar Corral, Transfer, 2018

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“Transfer” é o nome dado à operação de passagem de migrantes de um barco para outro em alto mar. Non todos os emigrantes são recolhidos por barcos de resgate. Muitos deles são resgatados por navios mercantes, que os passam para a barcos militares, que por sua vez os transferem para os barcos das ONG. Os migrantes são tratados como mercadoria.

Óscar Corral

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e a Gonçalo Lobo Pinheiro, por “Esperança e crença”:

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© Gonçalo Lobo Pinheiro, Esperança e crença, 2018

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Ratna Khaleesy, de 39 anos, é uma indonésia muçulmana que vive e trabalha em condições precárias em Macau, uma das cidades mais ricas do mundo. Ela é uma emigrante que trabalha como doméstica para uma família chinesa local. “Alguns dos quartos de hotel que existem na cidade custam mais por noite do que aquilo que eu ganho num mês”, diz.

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Os restantes Prémios Estação Imagem 2019 Coimbra foram:

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Prémio Europa para Rui M. Oliveira, série Romeiros:

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Os Romeiros caminham e rezam silenciosamente, enquanto percorrem a parte montanhosa da ilha The pilgrims quietly praying walking in the mountain part of the island of Açores

© Rui M. Oliveira, Romeiros, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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O Prémio Notícias destacou “A imagem do terror tem som”, de João Porfírio:

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Incêndio Monchique, Monchique, Algarve, dia 3

Incêndio Monchique, Monchique, Algarve, dia 3

© João Porfírio, A imagem do terror tem som, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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O 1.º Prémio de Assuntos Contemporâneos foi atribuído a Rodrigo Cabrita, por “A doença maldita”, um trabalho sobre o cancro:

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© Rodrigo Cabrita, A doença maldita, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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Foi atribuída uma Menção Honrosa na área de Assuntos Contemporâneos a Gonçalo Fonseca, por “Bazar de órgãos”:

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An empty operation theather where a kidney was removed,Chennai September 2018

An empty operation theather where a kidney was removed, Chennai September 2018

© Gonçalo Fonseca, Bazar de órgãos, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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O prémio Vida Quotidiana distinguiu Arlindo Camacho, por “Volta ao mundo duma família açoriana”:

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©ARLINDO_CAMACHO-10

© Arlindo Camacho, Volta ao mundo duma família açoriana, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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O prémio Arte e Espectáculos foi atribuído a Octávio Passos, por “É uma questão de fé – Semana Santa Zamora”:

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Question of Faith - Holy Week in Zamora

ZAMORA, SPAIN – MARCH 30: Detail of a penitent from the ‘La Real Cofradía del Santo Entierro de Zamora’ brotherhood take part in a procession on March 30, 2018 in Zamora, Spain. The Holy Week celebrations in Zamora are steeped in history, faith and culture, and date back to the 13th century remaining practically unchanged since that time. Penitent Brotherhoods walk in procession around the city day and night accompanied by hundreds of barefoot brothers with precious relics from the city’s churches. In 1986, Holy Week in Zamora was declared a point of tourist interest of Spain, proving a popular destination in the lead-up to Easter.

© Octávio Passos, É uma questão de fé – Semana Santa Zamora, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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O Prémio Ambiente distingue Mário Cruz, por “Viver entre o que é deixado para trás”:

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Living among what's left behind

A child who collects recyclable materials lying in a mattress surrounded by a garbage patch floating on the Pasig River in Manila, Philippines, October 2018. In some parts of the river the waste is so dense that is possible to walk on top of the garbage.

© Mário Cruz, Viver entre o que é deixado para trás, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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O 1.º Prémio de Série de Retratos foi atribuído a Ricardo Lopes, pela série “ Torre – Viver na escuridão”

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Bairro da Torre

Bairro da Torre, Camarate, Portugal, 6/3/2018 – Michael, 1, with his mother, Rosa Tavares, 32, from Sao Tome e Principe poses for a portrait in Bairro da Torre, a shantytown in the outskirts of Lisbon where more than 200 families are living without electricity for almost two years. ( Ricardo Lopes / DR )

© Ricardo Lopes, Torre – Viver na escuridão, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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Uma Menção Honrosa foi atribuída a Tono Arias, porEncarnados”:

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© Tono Arias, Encarnados, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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O 1.º Prémio de Desporto foi para Octávio Passos, “Canhão da Nazaré”:

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© Octávio Passos, Canhão da Nazaré, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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E uma Menção Honrosa foi atribuída a Eduardo Leal, pela série “Dentro do ringue”:

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© Eduardo Leal, Dentro do ringue, 2018

Pode ver este portefólio no Fascínio da Fotografia, aqui.

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A Bolsa Estação Imagem 2019 Coimbra foi atribuída a Ana Brígida, por “In Land”. Sobre o projeto, escreve:

Hoje em dia muito de fala de mudança para contribuirmos para um mundo melhor. Portugal tem sido escolha de muitos estrangeiros que procuram o destino verde que os vai fazer mudar de vida. Com a desertificação muitas zonas e aldeias ficaram com uma população reduzida e é com esta nova vaga de estrangeiros e portugueses que procuram um futuro mais sustentável que o interior de Portugal também tem encontrado uma nova vida.

A proposta de reportagem versa exactamente sobre essas comunidades e eco-aldeias que se foram criando no distrito de Coimbra. A permacultura, preocupação ambiental, reconstrução de aldeias e uma tentativa de vida em comunhão com a natureza e mais próxima do próprio ser humano, são algumas das questões a enquadrar o trabalho centrado em duas comunidades específicas.

No próximo ano conheceremos este projeto!

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O Prémio Estação Imagem 2019 Coimbra está em exposição na Galeria Pedro Olayo [Filho], no Convento de São Francisco, em Coimbra, de 28 de junho a 31 de julho de 2019 e posteriormente em itinerância.

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Cortesia do Prémio Estação Imagem 2019 Coimbra.

Atualizado em 2019.06.24, com a mensagem do Presidente do Júri.

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