AAVV, PROVAS ORIGINAIS 1858 – 1910, 1994 (E UM POUCO DA HISTÓRIA DO ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA | FOTOGRÁFICO)

Há 25 anos o Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa, hoje Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, abria portas na Rua da Palma, 246 (22.03.1994)

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Provas Originais 1858 – 1910

Fotografia: Alfred Fillon, António Christo Fragoso, António Novaes, Augusto Bobone, Augusto Xavier Moreira, Barrozo Neto, Carl Emílio Biel, Carlos Severino de Avelar, Charles Trampus, Claro Outeiro, Cipriano Trincão, Eduardo Portugal, Fonseca & C.ª (“União Photographia da casa Real”), Francesco Rocchini, Francisco Augusto Gomes, Francisco Gomes Marques, Francisco dos Santos Lima – Photographia Universal – Atelier Solas, G. Lafayette, G. R. da Silva & C.ª – Photographia Áurea, Henrique Maufroy Seixas,, João Francisco Camacho, Joaquim Augusto de Sousa, Jorge de Almeida Lima, José Artur Leitão Bárcia, José Augusto Cunha Moraes, José Joaquim da Costa Fernandes, José Júlio Rodrigues, Joshua Benoliel, Júlio Worm, Louis Levy, Rosalina F. Lima, Wenceslau Cifka, Worm & Rosa

Coordenação do projecto: Maria do Rosário Santos, Luísa Costa Dias, Luís Pavão / Texto: João Soares (vereador), Maria do Rosário Santos / Investigação e textos: Ana Vilas Boas, Helena Pinto, Isabel Mendes da Silva, Rosa de Ávila / Selecção de imagens: Ana Vilas Boas, Isabel Mendes da Silva, Rosa de Ávila, Luís Pavão, Luísa Costa Dias / Reprodução fotográfica: José Luís Neto

Lisboa: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa / Março . 1994

Português / 27,1 x 25,6 cm / 158 págs.

Brochura com sobrecapa

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O Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa, hoje Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, abriu portas na Rua da Palma, 246, a 22 de maio de 1994, quando a capital estava especialmente ativa: vivia-se a Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura.

A inaugurar o novo espaço, a exposição “Provas Originais 1858-1910”: 272 fotografias de 32 fotógrafos identificados e vários não identificados, procurando a divulgação do acervo fotográfico mais antigo, “com provas de época em processos fotográficos ainda artesanais, dos finais do século XIX e princípio do século XX, delicadamente restauradas, evidenciava a cidade de Lisboa desconhecida e simultaneamente sublime.” E, para além de Lisboa, outros pontos do país.

Este livro é o catálogo dessa exposição.

A abrir, palavras de João Soares (então vereador da cultura), depois Maria do Rosário Santos fala do “Arquivo Fotográfico”:

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e um texto apresenta “A Exposição”:

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seguida de “Notas sobre os processos de impressão”. Seguem-se as fotografias, “Provas Originais”; não se reproduzindo todas em grande formato, é todavia um conjunto significativo que é apresentado, começando por 5 fotografias panorâmicas que se estendem ao longo de 3 páginas cada uma. Segue-se a identificação das 272 fotografias expostas: local, data, fotógrafo, dados técnicos, dimensão e origem (pág. 115 – 140). Notas biográficas dos “Fotógrafos Representados” (quando disponível), bibliografia, índice e “Agradecimento”.

As fotografias mostram a cidade em panorâmicas e em detalhe, as ruas, a vivência, os monumentos, alguns registos, como a construção do Arco da Rua Augusta ou o Mosteiro dos Jerónimos após a derrocada da torre, retratos de diversas personalidades, a família real e o rei D. Carlos em diversos eventos, o Tejo e a multiplicidade de barcos que o atravessa e alimenta a cidade; o país: Batalha, Almourol, Sintra, as praias: Algés, Cascais…

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AAVV, Provas Originais 1858 – 1910, 1994

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Abro o meu exemplar, encontro depois do meu nome, a notação: “Lisboa, Arquivo Fotográfico, 18.04.1994” (ao tempo, ainda colocava o nome e a data de compra nos livros): menos de um mês depois da abertura, entrei pela primeira vez no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa! Um espaço fantástico (já o mostrei aqui diversas vezes!) E desde então, tantas vezes lá entrei!

O antigo edifício da fábrica de conservas Ginemez Salinas & Companhia, foi adaptado à sua nova função, passando a contar com uma ampla sala de leitura, onde se insere a biblioteca especializada em fotografia, que disponibiliza para consulta alguns milhares de livros sobre fotografia e sobre a cidade, para além de uma base de dados que inicialmente contava com cerca de 10 000 imagens, atualmente podem ser vistas mais de 200 000 imagens acessíveis on-line. Possui também duas salas de exposições: a grande no piso de entrada e uma outra, no piso superior, para além de uma salinha, a “ante-câmara”, áreas técnicas para digitalização, gabinete de conservação, laboratórios e depósitos climatizados, além de diversos gabinetes de trabalho.

Muitas têm sido as exposições e catálogos que têm sido organizadas e lançados pelo Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, e que têm trazido a público e revelado este património ímpar: “Provas Originais”, “Lisboa Ribeirinha”, “Trabalhadores de Lisboa”, “António Novaes”, “Verbos”, “Varinas de Lisboa”, “As senhoras do Chiado”, “Paisagens Brancas”, “Lisboa à Beira Tejo”, “Ressano Garcia”, “Arquivos Secretos”, “Minúsculo”, “Lisboa uma Grande Surpresa”, “Fotografia, a minha viagem preferida” são alguns exemplos que poderemos destacar.”

O Arquivo conserva, preserva e dá a conhecer numerosos espólios:

Joshua Benoliel, Francesco Rocchini, António Novaes, Carl Emil Biel, José Artur Leitão Bárcia, António Passaporte, Ana Maria Holstein Beck, Alfredo Cunha, Eduardo Portugal, Helena Corrêa de Barros, Eduardo Gageiro, Alfredo Cunha, Artur Pastor, Ana Hatherly, Daniel Blaufuks, Paulo Catrica, Luís Pavão, José Luis Neto são alguns do fotógrafos cujo trabalho está salvaguardado nos nossos depósitos, mas acessível a todos os que o quiserem consultar online. Imagens desde o final do século XIX à atualidade, que contam histórias e fazem a história da nossa cidade, do nosso país e da fotografia em Portugal.”

Uma equipa de profissionais dedicados e apaixonados pela fotografia deu e dá vida ao Arquivo Fotográfico, como Luísa Costa Dias, que coordenou o Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico desde a sua inauguração até à realização da exposição Avenida de Roma – Fotografias 1930-2011, em 2011, fotógrafos como José Luís Neto ou Luís Pavão, doutorado em conservação de fotografia e tantos outros!

Estão todos de parabéns!

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Prospecto de divulgação do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, tríptico, 1994

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O Arquivo Municipal neste mês apresenta a história da sua génese. Destaca:

a deliberação camarária de 13 de fevereiro de 1871, na qual se determina que a “Câmara mande photographar todos os edifícios antigos que seus proprietários pretendem demolir e possam inspirar qualquer interesse archeológico e bem assim todos os locaes que tenham de sofrer transformações importantes.  Em Câmara, aos 13 de fevereiro de 1871 – Assignados Anselmo Ferreira Pinto Basto – Conde de Rio Maior, António – Dr. Joaquim José Alves – Dr Manuel Thomaz Lisboa. – Aprovada”  1

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Deliberação da Câmara Municipal de Lisboa de 13 de fevereiro de 1871.

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Desta deliberação resultou um conjunto de outras ações que conduziram à constituição do Arquivo Fotográfico Municipal. De facto, em 7 de outubro de 1898, José Cândido de Assumpção e Sousa e Artur Júlio Machado, desenhadores na recém criada Repartição de Obras da CML, submetem à Câmara Municipal de Lisboa um requerimento, onde propõem que sejam fotografados os prédios da cidade (…) produzindo, assim, um “levantamento, de carácter estatístico, que servisse, simultaneamente, de registo e complemento ao índice de prédios da capital existente nesta câmara”.  2

Esta proposta é aprovada em 22 de outubro desse ano, pelo arquiteto José Luís Monteiro, chefe da 1ª Repartição do Serviço de Obras, que considera o projeto de enorme valor para a cidade e até com um atraso de aproximadamente vinte anos, devendo por isso, no seu entender, serem fotografados todos os prédios, expropriados ou particulares, cuja demolição fosse eminente e que assim se aprovasse “nos termos das informações, não se excedendo as respectivas verbas orçamentais”. 3

Na semana seguinte, em 28 de outubro de 1898, Eduardo Freire de Oliveira, chefe do Serviço Central da 3ª Secção (archivo) ratifica este despacho no sentido da Câmara Municipal de Lisboa adquirir “um álbum do género” e finalmente a 24 de novembro desse ano, esta deliberação é aprovada expressando-se a intenção “(…) de se fazer assignatura dos elementos de estatística que largamente mencionam n’uma exposição junta ao seu requerimento, e nas condições ali exaradas” 

O levantamento fotográfico realizou-se entre 1898 e 1912 pela firma Machado & Souza, dando-se assim continuidade a um registo, iniciado e não concluído, como mencionam os dois autores.

Nos anos subsequentes, a produção fotográfica vai sendo esporádica e pouco sistematizada. Entraram neste período alguns conjuntos fotográficos, porém desconhece-se, em muitos casos, o seu contexto de produção.
Assim, e consciente da necessidade de existir uma secção de fotografia na Câmara, na sessão de Câmara de 30 de agosto de 1900, o vereador José Inácio Dinis da Silva propõe que essa secção seja criada dentro do Serviço Geral de Obras. Esta proposta é aprovada por unanimidade na sessão de 20 de setembro do mesmo ano. 5

Até à década de 40 do século XX, os registos sobre o movimento desta secção de fotografia na Câmara de Lisboa são parcos. No entanto, em 1942, por proposta de Mário Tavares Chicó, conservador do Museu da Cidade, é oficialmente criado o Arquivo Fotográfico. Esta proposta é publicada no Diário Municipal, de 25 de março de 1942.6  O Arquivo começa a funcionar numa sala do Museu da Cidade, instalado à época no Palácio Galveias, tendo-se reunido toda a produção fotográfica dispersa pelos vários serviços da autarquia. A partir desta data a coleção vai aumentando através de doações, compra, leilões, além da incorporação das imagens provenientes dos serviços municipais.

Nos anos 80 o Arquivo Fotográfico muda de casa, do Palácio Galveias para o Palácio da Rosa, com condições ambientais nada adequadas às fotografias. Já no Palácio da Rosa começa a funcionar o serviço de atendimento ao público.

Em 1990, com o acervo fotográfico a apresentar muitos problemas de conservação, inicia-se finalmente o processo de reestruturação e modernização deste serviço, que vai culminar com a instalação do Arquivo Fotográfico no número 246 da rua da Palma. (…)

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De referir que o trabalho de José Cândido de Assunção Sousa e Arthur Júlio Machado foi apresentado no Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico na exposição e livroLisboa uma grande surpresa”, de 23 de setembro de 2016 a 23 de janeiro de 2017 (no Fascínio da Fotografia aqui).

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Sessão de 25 de janeiro de 1871. Publicado em: Atas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa, 2ª série, nº 25, janeiro de 1871, p. 829.

2  AML, Requerimento de José Cândido de Assunção Sousa e Artur Machado propondo a Câmara Municipal de Lisboa fotografar os prédios da cidade, 1898, f. 1-6, PT/AMLSB/CMLSB/AGER-E/23/1763.

3   Sessão de 24 de novembro de 1898. Publicado em: Atas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa, p. 497.

4   Sessão de 24 de novembro de 1898. Publicado em: Atas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa, p. 497.

5  LISBOA. Câmara Municipal – Actas das sessões da Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa: Imprensa de Libanio da Silva, 1900. p. 404, 430-431.

Diário Municipal, 25 de março de 1942.

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Ao comemorar os 25 anos na R. da Palma, junto ao Martim Moniz, o Arquivo propõe para o dia de hoje (22.03.2019) diversas atividades:

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Pode ver diversas exposições e edições do Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, no Fascínio da Fotografia, aqui.

Pode ler o texto integral sobre a história do Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico aqui.

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