MORANÇAS. HABITATS TRADICIONAIS DA GUINÉ-BISSAU

A exposição “Moranças. Habitats tradicionais da Guiné-Bissau”,  fotografias de Fernando Schiappa Campos e António Saragga Seabra, com a colaboração de Amadeu de Castilho Soares, está patente no Museu de História Natural e da Ciência, na R. da Escola Politécnica, em Lisboa, de 26.07.2018 a 31.12.2019 (exposição de longa duração).

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Moranças

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Introdução

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Entre 1959 e 1960, os arquitetos Fernando Schiappa Campos, António Saragga Seabra e o sociólogo Amadeu de Castilho Soares partiram em Missão de Estudos do Habitat Nativo da Guiné, promovida pela Junta de Investigações do Ultramar.

Munidos de cadernos de campo e das icónicas câmaras fotográficas Leica e Rolleiflex, percorrem o território da Guiné-Bissau, focando-se em diagnosticar as formas de habitar, numa perspetiva clara de valorização cultural e tecnológica.

As imagens que registaram foram além do simples registo documental, demonstrando não só um enorme domínio no uso da fotografia e do desenho, mas também as profundas impressões que esta viagem deixou aos intervenientes. Schiappa Campos, na volta a Portugal, dedica-se à edição, montagem e reenquadramento das provas de contacto para um relatório técnico que em nada exigia tal rigor estético.

As fotografias colocam em evidência uma enraizada relação entre o homem e o meio ambiente, onde os recursos naturais influenciam todos os aspetos do seu modo de vida, desde a habitação aos rituais e práticas religiosas.

Fruto de uma doação da equipa da Missão em 2014 ao Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), o acervo documental recolhido durante o trabalho de campo foi tratado ao nível da conservação, digitalização e descrição arquivística.

Durante este processo, foi incontestável a vontade de partilhar com o público estas imagens, ampliá-las até onde os negativos e as provas de contacto, marcados pelo tempo e uso, permitiam, e pontuá-las com desenhos e excertos dos textos originais.

Em articulação com o acervo da missão, integrámos objetos etnográficos das coleções do IICT e do Museu Nacional de Etnologia, procurando relacionar a fotografia e o desenho com a representação tridimensional de esculturas, testemunhos da dimensão ritual, e de objetos do quotidiano das diversas manifestações culturais das populações contatadas pela equipa da missão.

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Missão de Estudo do Habitat Nativo da Guiné (1959-1960)

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No contexto do II Plano de Fomento do Estado Novo, é lançada pelo Ministério do Ultramar a Missão de Estudo do Habitat Nativo da Guiné, focada no estudo da arquitetura vernacular da então província ultramarina. As suas conclusões visaram servir a conceção de planos de urbanismo e projetos de imóveis-tipo já praticados pelos Gabinetes de Urbanismo em Portugal.

A Missão tinha como objetivo “O conhecimento profundo do habitat das populações nativas – organização tribal e familiar, crenças, superstições e ritos, hábitos da vida quotidiana, forma de se abrigar, características das casas e dos seus agrupamentos, [que] constitui fonte de ensinamentos preciosa, porque baseada em experiência multi-secular, acerca da melhor forma de vencer as condições naturais adversas e de utilizar os materiais locais na defesa da comunidade, da segurança e da saúde do Homem e da economia dos seus recursos”, conforme despacho ministerial de 9 agosto de1958.

A fim de se prepararem para os trabalhos da missão, e durante seis meses, Schiappa Campos e Saragga Seabra frequentaram o Curso de Arquitetura Tropical lecionado por Otto Koenigsberger e o casal Maxwell Fry e Jane Drew, na School of Art da Architectural Association em Londres.

Schiappa Campos, Saragga Seabra e Castilho Soares chegam a 10 de Setembro de 1959 a Bissau, onde se sediaram. Nas viagens mais afastadas da capital, alojavam-se na residência do administrador da circunscrição local.

Delinearam incursões distintas para cada um dos 10 grupos étnicos selecionados, rentabilizando o espaço percorrido e o tempo limitado de seis meses para fazer o estudo de campo. Geralmente eram ocupadas duas a três semanas para estudar uma a duas tabancas (aldeias) e uma morança que servisse como exemplo do estilo de habitação dessa comunidade.

No trabalho de campo, o arquiteto Saragga Seabra desenhava as habitações fazendo o registo gráfico e fotográfico das suas estruturas. O chefe da Missão, Schiappa Campos, fotografava e  conduzia as entrevistas em colaboração com Castilho Soares.

A campanha terminou em Fevereiro de 1960. No regresso a Portugal, a equipa continuou a trabalhar nas recolhas, com a colaboração de Manuel Belchior e Bento Correia.

Schiappa Campos e Saragga Seabra trabalharam para a Direcção de Serviços de Urbanismo e Habitação entre 1963 e 1967, o que atrasou a conclusão do estudo, publicado numa edição limitada, em 1970, sob a forma de relatório intitulado Habitats Tradicionais da Guiné Portuguesa.

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 Morança do Régulo de Chulame 

Morança do Régulo de Chulame. Manjacos. Região de Cacheu

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa,IICT-MEHNG-29491

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[definição de morança]

 “A extensão e a complexidade das famílias conduz, via de regra, a que a unidade de habitação que lhes corresponde seja constituída por um conjunto de casas, (..) a morança.

No campo, a abundância de espaço não cria dificuldades ao desenvolvimento da unidade de habitação, morança, a qual atinge normalmente várias casas. A morança vai crescendo com a dimensão da família extensa e as exigências da atividade dominante que obriga ao armazenamento de produtos agrícolas e à recolha de animais domésticos.”

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As habitações estão em estreita ligação com os campos agricultados, onde a família cultiva os bens de subsistência com o local onde é extraída a água, com os espaços abertos para reunião e conversa, com os locais de culto e com a natureza que a cerca.”

Schiappa Campos

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António Saragga Seabra, 1959, Vista geral da morança e terrenos envolventes-31003

Vista geral da morança e terrenos envolventes. Brames. Dingal – Região de Cacheu

António Saragga Seabra, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG- panoramica31003

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Pátio interior de uma habitação-32001

Pátio interior de uma habitação. Papéis. Biombo – Bissau

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-32001

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[Casa Papel]

As casas são circulares, de barro e com cobertura de colmo, sendo nota característica entre os Papéis o aparecimento de casas construídas umas junto das outras, ligadas por muros, formando pátios interiores. Este tipo de construção em pátio é corrente, (…) e parece significar um processo de defesa contra os ataques que os bijagós faziam antigamente aos seus vizinhos do continente. As casas são interiormente divididas em pequenos compartimentos e estreitos corredores. As “moranças” têm anexo o quintal.”

Schiappa Campos

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Construção de habitação com colocação prévia de potes no seu interior-30598

Construção de habitação com colocação prévia de potes no seu interior. Balantas. Mansoa – Região de Oio. 

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-30598

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[Casa Balanta]

Quando nós estivemos com os balantas, numa povoação, estava ao lado um velhote a construir uma casa, era enorme, um círculo bastante grande, (…) e põem as vasilhas enormes, com cereais, no meio, mas isto antes de fazer a casa, porque não cabem nas portas. Eu tirei essas fotografias onde se veem essas peças em barro. Foi uma sorte apanhar uma pessoa a fazer assim a casa.”

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Os Balantas estão socialmente organizados em famílias patrilineares extensas constituindo agrupamentos a que chamam KEÇOKÛ. A cada KEÇOKÛ corresponde uma “morança”. A família extensa é formada por várias famílias conjugais poligínicas, cada uma das quais vive numa casa.

As casas são divididas em número variável de compartimentos. O do centro, destinado ao estábulo da vaca, fica rodeado pelos quartos de dormir e sala de entrada. Cada mulher ocupa um quarto onde dorme justamente com as filhas e filhos até à puberdade, altura em que estes constroem a sua própria habitação.

O homem tem o seu quarto próprio onde as mulheres o vão visitar regularmente. A dependência da entrada funciona como zona de estar e comer e também de cozinha, salvo se a casa tem varanda coberta, que poderá então ser utilizada para este efeito. Junto desta dependência fica a pocilga, cuja parte superior costumam aproveitar para arrecadação.

O arroz é guardado em grandes potes de barro, de maiores dimensões que as portas da casa. A construção de uma habitação obriga à realização de uma cerimónia junto do irã da família, pedindo sua aquiescência e proteção.”

Schiappa Campos

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António Saragga Seabra, 1959 - Teto de vime-29936

Teto de vime. Balantas. Cambor – Região de Gabú

António Saragga Seabra, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-29936

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Certos pormenores de construção revelam a adaptação ao meio e à forma de viver. Assim a cobertura excede largamente as paredes permitindo o seu isolamento da chuva. Muitas casas têm teto que protege os habitantes do possível incêndio da cobertura, frequente na época seca.

O fogo que fazem dentro de casa produz fumo que serve para afugentar os mosquitos e as térmitas.

Para os sedentários do litoral as paredes são de terra. Para os grupos que apresentam maior mobilidade, Fulas e Brames, as casas são de fibras vegetais por vezes mesmo desmontáveis, para possibilitar frequentes deslocações.”

Schiappa Campos

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Pormenor de tabique de vime -30454

Pormenor de tabique de vime visto do interior de habitação com pote. Mandingas. Região de Bafatá

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-30454

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Vedações de caniço ou de querintin limitam os espaços ocupados pelos núcleos familiares dentro da morança”

Schiappa Campos

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António Saragga Seabra, 1959 - Produção de esteira-30147

Produção de esteira. Beafadas ou Nalus. Região de Quinara

António Saragga Seabra, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-30147

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António Saragga Seabra, 1959 - Pormenor de uma pintura exterior -29025

Pormenor de uma pintura exterior da casa de um Blufo (jovem que está a passar pelo fanado). Balantas. Enchanque – Região de Oio

António Saragga Seabra, 1959

Universidade de Lisboa,IICT-MEHNG-29025

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Vendedores de feira-30309

Vendedores de feira. Vários grupos culturais. Susana – Região de Cacheu

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-30309

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 A atividade económica dos Manjacos é já algo diversificada e dispõe de excedentes permutáveis. Além da agricultura, em que o arroz de bolanha e de sequeiro e ainda a mancarra têm valor determinante.

São também fonte de riqueza as palmeiras, de onde obtêm o óleo e o coconote, as fruteiras, o gado vacum, o artesanato.

A atividade mercantil, que se revela através da realização periódica de feiras em várias povoações num ciclo de seis dias, é um antigo costume entre eles. Daí serem também conhecidos por Baboque que significa “calcorreadores de feiras.”

Schiappa Campos

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Grupo de meninos pastores-29483

Grupo de meninos pastores. Papéis. Região de Biombo

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-29483

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Mesquita-32002

Mesquita. Fulas. Cambor – Região de Gabú

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-32002

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As sociedades tradicionais são profundamente religiosas. Os islamizados, portadores de uma religião do tipo universal, têm uma estrutura e uma hierarquia cuja chefia se perde fora das fronteiras deste território. A essa estrutura correspondem edifícios destinados ao culto, mesquitas, e escolas corânicas, que funcionam geralmente de noite e ao ar livre, onde os mais novos aprendem os princípios dessa religião. Para estes, mesmo quando fora do seu meio, tal estrutura mantém-se e daí a necessidade do mesmo equipamento.

Quanto aos animistas, a religião caracteriza-se pela existência de dois tipos de manifestações sobrenaturais, os antepassados e as forças da natureza. Para estes a religião identifica-se com o grupo e a respetiva organização.”

Schiappa Campos

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António Saragga Seabra, 1959 - Lutas recreativas-29810

Lutas recreativas. Mandingas. Bricama – Região de Bafatá

António Saragga Seabra, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-29810

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No meio rural há uma intensa vida coletiva entre os componentes do grupo, a qual se manifesta na frequente realização de festejos, cerimónias, danças, cantares e competições de luta, o que leva à existência de espaços apropriados nas povoações.”

Schiappa Campos

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António Saragga Seabra, 1959 - Dança do peixe-martelo e tubarão -30163

António Saragga Seabra, 1959 – Dança do peixe-martelo e tubarão. Bijagós. Ilha Formosa – Região de Bolama

António Saragga Seabra, 1960  

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-30163

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Danças rituais de blufos durante o fanado-30360

Danças rituais de blufos durante o fanado. Balantas. Enchanque – Região de Oio

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-30360

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Fernando Schiappa de Campos, 1959 - Grupo no alpendre da habitação do régulo -30329

Fernando Schiappa de Campos, 1959 – Grupo no alpendre da habitação do régulo. Balantas. Bindoro – Região de Oio

Fernando Schiappa de Campos, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-30329

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António Saragga Seabra, 1959 - Homem a fumar cachimbo-29560

Homem a fumar cachimbo. Felupes. Região de Cacheu

António Saragga Seabra, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-29560

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António Saragga Seabra, 1959 - Rapariga espreitando -29621

Rapariga espreitando por pequena abertura de alpendre. Balantas. Bindoro – Região de Oio

António Saragga Seabra, 1959

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-29621

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Amadeu Castilho Soares em trabalho de campo -29541

Amadeu Castilho Soares em trabalho de campo com um grupo de felupes.

Universidade de Lisboa, IICT-MEHNG-29541

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Ao abordarem as comunidades Felupes, Schiappa Campos, instintivamente, mostrou algumas das imagens do catálogo da exposição de fotografia Family of Man, que trazia consigo em viagem. O livro, manifestando a ideia de uma linguagem universal através da fotografia ao revelar imagens da vida humana por todo o globo, atraiu a curiosidade dos locais.

Para os registos fotográficos, foram utilizadas duas máquinas: uma Roleiflex 2.8, médio formato 120mm, usada por Schiappa Campos e uma Leica Standart 1-F 35mm, usada por Saragga Seabra.

O acervo documental é composto por 1993 fotografias, 25 cadernos de campo e maquete para publicação do relatório da missão.

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NOTA sobre FAMILY OF MAN

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Exposição de fotografia “The Family of Man”, comissariada por Edward Steichen, Museum of Modern Art, Nova York, 1955.

Steichen fez um apelo a fotógrafos do mundo inteiro para que submetessem imagens para a exposição, explicando que o objetivo seria captar “a gama da vida, do nascimento até a morte” – tarefa para a qual, argumentava, a Fotografia se adequava perfeitamente.

A exposição, com uma museografia pouco ortodoxa, exibiu mais de 500 fotografias de 273 fotógrafos de 68 países. Após o encerramento em Nova York, percorreu o mundo durante oito anos, atraindo mais de 9 milhões de visitantes.

Em 2003, a coleção “The Family of Man” foi classificada Registo da Memória do Mundo pela UNESCO, em reconhecimento pelo seu valor histórico.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2018

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Amadeu Castilho Soares (1930-) nasceu em Sernada do Vouga, estudou no Liceu de Aveiro, e mais tarde foi para Lisboa fazer o curso da Escola Superior Colonial. Após a conclusão dos estudos em 1954, envereda pelo serviço militar.

Mais tarde, Adriano Moreira convida-o a licenciar-se em Altos Estudos, com vista a participar em investigações associadas com os territórios ultramarinos.

Desloca-se pela primeira vez a Angola e Moçambique em 1956 para participar na Missão de Estudo para a Atracção das Grandes Cidades e Bem-Estar Rural, organizada pelo Centro de Estudos Políticos e Sociais da Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar.

Desse estudo de 3 anos, Castilho Soares publica o trabalho da sua tese de licenciatura intitulado “Política de Bem-Estar Rural em Angola”.

Em 1958 é incluído na Missão de Estudo do Habitat Nativo da Guiné, na qual se dedica ao estudo dos vocabulários, dos hábitos e costumes, assim como das heranças patrimoniais dos guineenses.

Ao retornar a Lisboa em 1960 é convidado a assumir o cargo de Secretário da Educação, Saúde e Trabalho e Segurança Social em Angola.

Já estabelecido em Luanda, ajuda a empreender uma série de políticas ultramarinas,  das quais se destaca o projeto educativo “Levar a Escola à Sanzala” e a fundação da Universidade de Luanda em 1962, um evento politicamente polémico para a altura.

Na sequência da demissão do governo provincial angolano nesse mesmo ano Castilho Soares é excluído dos quadros da Função Pública.

Seguiu carreira no setor privado na área de recursos humanos.

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António Bracons, Fernando Schiappa de Campos na inauguração da exposição, 28.07.2018

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Fernando Schiappa de Campos (1926 -)

Iniciou a sua escolaridade em Torres Novas, sua terra de origem, e terminou o ensino secundário no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa.

Posteriormente, estagiou no atelier do escultor Barata Feyo (1899-1990), colega e amigo de seu pai, o arquiteto Henrique de Campos (1899-1927).

Licenciou-se em Arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL) em 1954, iniciando em simultâneo a sua carreira como docente.

A partir do mesmo ano, trabalha no Gabinete de Urbanização do Ultramar e, mais tarde, na Direcção-Geral de Obras Públicas e Comunicações do Ministério do Ultramar, aí permanecendo até 1976.

Ao serviço da Junta de Investigações do Ultramar, chefiou em 1959 a Missão de Estudos do Habitat Nativo da Guiné, onde fez os registos fotográficos de 120mm, além do trabalho de coordenação da missão.

Contabiliza muitos projetos de teor escolar, desenhados para os territórios da Guiné, Angola e Moçambique. Como obras de diferente finalidade, distinguem-se o Edifício do Serviço de Turismo de Macau (1961) e o Banco Internacional Ultramarino de Dili (1966-1968).

A partir de 1976, e até 1986, trabalhou no Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Habitação, Urbanismo e Construção, transitando para o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, até à reforma.

Paralelamente, entre 1969 e 1980, foi professor da cadeira de Projeto de Arquitetura, na ESBAL, tendo ainda trabalhado toda a sua vida como profissional liberal em atelier próprio.

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António Saragga Seabra (1929-2015) Nasceu em Lisboa.

Licenciou-se em Arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1956, integrando posteriormente o Gabinete de Urbanização do Ultramar (GUU).

Ao serviço da Junta de Investigações do Ultramar colaborou com Schiappa de Campos na Missão de Estudos do Habitat Nativo da Guiné, onde fez os registos fotográficos de 35 mm e os diversos levantamentos gráficos da missão.

Os dois arquitetos desenvolveram trabalho em conjunto durante vários anos no GUU, mais tarde Direcção de Serviços de Urbanismo e Habitação da Direcção de Obras Públicas e Comunicações do Ministério do Ultramar.

Desenvolveu projetos como a Estação Rádio Naval de São Tomé (1961) e o Comando Naval de São Vicente em Cabo Verde (1962).

Manteve simultaneamente um atelier onde projetou, por exemplo e com maior destaque, o Museu Nacional de Etnologia (1976). Conta-se também o palácio presidencial para Lilongwe no Malawi e diversas obras nos territórios de Moçambique, Senegal e África do Sul.

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Exposição comissariada por Catarina Mateus e João Pedro Santos.

Textos de Catarina Mateus e João Pedro Santos.

Colaboração remetida por Catarina Mateus.

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Pode conhecer melhor a obra de Fernando Schiappa de Campos, aqui.

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