JOÃO FERREIRA, O PARAÍSO SEGUNDO JOSÉ MARIA

A exposição “O Paraíso segundo José Maria”, de João Ferreira, está patente em Lisboa, n’A Pequena Galeria, na Av. 24 de Julho, 4B, de 20 de setembro a 20 de outubro de 2018.

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João Ferreira, O Paraíso segundo José Maria, 2016 – 2018

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São impressionantes as fotografias de João Ferreira.

Na ilha de S. Miguel, Açores, acompanha os romeiros, todos homens, nas suas romagens, caminhadas de oração, feitas ao longo de uma semana no período da Quaresma.

O preto e branco intenso regista a paisagem da ilha e dos homens, a devoção, a oração, a ação de graças.

Fotografado em 2016 e na Quaresma de 2018, este é um trabalho ainda em desenvolvimento, mas o que podemos desde já apreciar é espantoso.

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Sobre os romeiros, devoção apenas existente nesta ilha, há a referir o livro “A Vila”, volume IV, de Urbano Mendonça Dias, editado em 1919, que num dos seus capítulos fala dos Romeiros da Quaresma:

“É de longa data entre os povos Micaelenses percorrerem em Ranchos, numa semana inteira os Templos, onde haja em veneração a Imagem da Virgem, dirigindo-Lhes súplicas, ou agradecendo-lhes favores.

A constituição orgânica de uma Romaria obedece a preceitos estabelecidos de longo tempo, a usos e costume tornados leis, que todos respeitam, todos acatam numa simplicidade e obediência verdadeiramente Cristã.

É durante a época Quaresmal que tem lugar esta piedosa prática através da Ilha de São Miguel; não conheço tal uso em nenhuma das outras Ilhas; o correr da costa, como dizem, é particular á Ilha de São Miguel. E homens, mulheres e crianças, todos acorrem a esta devoção piedosa, percorrendo durante sete compridos dias, debaixo de um rigor de Congreganistas, todos os Templos onde haja uma invocação à Virgem, para lhe deporem as suas orações, e oferecerem os seus sacrifícios, que não são realmente poucos em obediência, em canseiras, em desconfortos, ao sol, à chuva, ao vento, numa semana inteira, através de maus caminhos.

Onde se possa entroncar a origem das Romarias, não o podemos de uma maneira categórica afirmar, mas no dizer do povo, e o povo em seus ditos sempre tem razão, semelhante religiosidade vem do tempo do grande “castigo” em Vila Franca, da subversão de 22 de Outubro de 1522. (…)”

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Sobre a exposição, lemos na folha de sala:

Depois de ter iniciado este trabalho em 2016, realizou no último mês de Março [2018] uma residência artística, na ilha açoriana, estando previsto um novo regresso no início do próximo ano.

O título do novo trabalho de João Ferreira surge inspirado por uma obra do escritor português João Tordo.

Tal como no livro “O Paraíso Segundo Lars D”, também neste ensaio fotográfico os homens revelam-se no silêncio. Um silêncio apenas interrompido pelas orações, que são proferidas em longas caminhadas diárias, de trinta a quarenta quilómetros, ao longo dos oito dias em que grupos de romeiros percorrem a ilha de S. Miguel, nos Açores.
Este ritual de recolhimento, que tem origem no século XVI, procura a reconciliação do homem com a natureza através de preces pelo fim das erupções vulcânicas e dos movimentos sísmicos.”

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2018

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João Ferreira nasceu em Leiria (1976), onde reside e trabalha.

A fotografia acompanha-o num percurso paralelo a todas as suas outras actividades, desde a década de noventa. Desde 2008 desenvolve os seus trabalhos com recurso à fotografia digital, utilizando pontualmente processos analógicos. Entre 2010 e 2011 publica em algumas revistas de automóveis clássicos, em Portugal e França.

A partir de 2012 os temas dos seus trabalhos são dedicados essencialmente à fotografia documental humanista, tendo projectos elaborados e publicados em diferentes países.
1.3 Billion é apresentado em 2014 no m|i|mo Museu da Imagem em Movimento em Leiria, como um retrato de uma China contemporânea, percorrendo o país em diversas exposições a solo, incluindo os Açores e no exterior na Corunha, inserido no Outono Fotográfico.

Em 2016 o ensaio Arquipélago, desenvolvido em duas ilhas de Cabo Verde, foi seleccionado pela agência Magnum e pela Canon, para a leitura de portefólios no Visa Pour l’Image em Perpignan, França, foi finalista do Prémio Revelação, dos Encontros da Imagem, Braga e recebeu uma menção honrosa no Tokyo International Photo Awards, Japão. Em 2017 foi vencedor do Prémio Internacional Fotojornalismo Estação Imagem, na categoria vida quotidiana.

Expõe regularmente desde 2012.

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Pode ver e ouvir uma conversa com João Ferreira sobre este projeto aqui.

Pode saber mais sobre os romeiros aqui.

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