ADRIANO MIRANDA, PEDRO BAPTISTA, ZONA DE INTERVENÇÃO, 2000

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Adriano Miranda, Pedro Baptista

Zona de Intervenção

Fotografia: Adriano Miranda, Pedro Baptista / Texto: José Soudo

Espanha: B. C. Imagens | Taller de Arte / 2000

Português e espanhol / 28,7 x 28,9 cm / não paginado

Cartonado

ISBN: 9788460711902

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Entre 1995 e o final da EXPO’98, a 30 de setembro de 1998, das velhas construções aos terrenos amplos, limpos dos resíduos das demolições, às novas estruturas de betão dos edifícios que integram a EXPO’98, à vivência da própria Exposição, até ao fogo-de-artifício que encerrou oficialmente a EXPO, Adriano Miranda (Aveiro, 1966) e Pedro Baptista (Lisboa, 1948) registam em imagens panorâmicas o primeiro, formato 135 o segundo (negativo 24×36 mm, 2:3), as obas e a festa na chamada “Zona de Intervenção da EXPO’98”, de onde vem o título do livro.

É mais um testemunho da renovação urbana da Zona Oriental de Lisboa.

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No texto, poema, que José Soudo escreve, lemos:

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Lisboa oriental.

Lisboa a Oriente.

Lisboa do Leste. Zona de intervenção.

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Lisboa a Oriente ou a Ocidente de si mesma. Lisboa.

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Cidade triste. Cidade alegre. Cidade saudade.

Que saudade. Zona de intervenção.

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Naquele final de tarde, na pequena tertúlia na Ether, o Toé apontou para um mapa da cidade e disse-nos com aqueles olhos oceânicos,: “Lisboa tem um buraco negro, aqui!”

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Aqui, naquela altura, em 1992, localizava-se aqui.

Aqui, nesta mesma zona, nesta Zona de Intervenção.

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Aqui, nesta cidade remexida, que é do Pedro, e do Adriano por adopção, e que é também de todos nós.

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E é triste e é alegre pela mão e pela caneta de Pessoa.

E é também Tejo e é também tudo pelos olhares de outros olhos.

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Que saudades. Que saudades de Lisboa do Victor Palla e do Costa Martins e do livro que quase ninguém viu.

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Que saudades desta Lisboa deambulante onde o Pepe se passeou, ou de qualquer lugar onde a Lúcia também andou.

Que saudades que esta zona de intervenção me fazem despertar.

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Que saudades do futuro.

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Que saudades desta cidade alegria.

Desta alegria. Vibrante. Desta alegria EXPO.

Desta alegria que nos permite ver fotografias fotografias.

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Fotografias fotografias como estas do Pedro e do Adriano.

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Com formas, com silhuetas, com objectivos, com subjectivos.

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(…)

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Destas imagens em Zona de Intervenção, à laia de intervenção para nos deixarem inquietos ou calmos.

Com emoções e afetos escondidos ou à flor da pele. Clara ou escura, cinzenta ou vermelha.

Como as fotografias.

Das quais só consigo dizer que gosto, que gosto muito.

Mesmo sentindo mais do que as palavras conseguem dizer.

Além do mais quem é que se preocupa com isso.

O mais importante é esta Zona de Intervenção que nos fica.

Que eles nos deixam.

Que fica para nós.

Que ficará para sempre.

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Adriano Miranda, Pedro Baptista, Zona de Intervenção, 2000

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Uma nota, a propósito do texto de José Soudo.

Este texto de José Soudo reveste particular interesse, nomeadamente pelas associações que a fotografia trás. José Soudo, a propósito destas imagens, desta memória, trás a memória de uma conversa sobre este lugar, na Ether do António Sena e com ele, em 1982 – quase vinte anos antes – ano em que galeria abria com a exposição “Lisboa e Tejo e tudo” de Victor Palla e Costa Martins (no Fascínio da Fotografia, aqui), trazendo à memória – e com a colocação á venda de alguns exemplares – o livro, “Lisboa Cidade Triste e Alegre” (1959; no Fascínio da Fotografia, aqui), sem dúvida a obra de maior importância da fotografia portuguesa – apesar de registar uma outra Lisboa, a da Baixa e de alguns bairros mais antigos, de cariz e vivência popular.

Nos próximos dias vamos revisitar esse livro: “Lisboa Cidade Triste e Alegre”.

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