ERNESTO DE SOUSA , O TEU CORPO É O MEU CORPO (1965-75), 2014

Dia 6 de outubro completaram-se 30 anos da morte de Ernesto de Sousa (Lisboa, 1921 – Lisboa, 6 de outubro de 1988)

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Ernesto de Sousa

O Teu Corpo é o Meu Corpo (1965-75)

Fotografia: Ernesto de Sousa / Texto: Ernesto de Sousa, Paula Pinto / Edição: Paula Pinto / Concepção: Isabel Alves e Paula Pinto / Design (caderno): José Carneiro / Design gráfico: Ana Moreno, José Carneiro / Digitalização, montagem e impressão fotográfica: José Barroso, Regina Lamouroux, Foto + / Encadernação: Ana & Carvalho, Encadernação e Tipografia, Lda.

Porto: Autor (Paula Pinto) / Maio 2014

Português e inglês / 27,2 x 32,2 cm

Álbum, apresentado como Portfólio / Composição (ver abaixo) / 100 exemplares numerados (sob encomenda, ‘print on demand’) + 10 exemplares fora de mercado.

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Je me pose maintenant cette question: est-ce que mon corps, la révolution, est une femme; une femme qui rit!!?”

Ernesto de Sousa, frase transcrita de Revolution My Body N.2

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Antes e depois do 25 de Abril, a única coisa que me interessa é a revolução.

Uma revolução total, isto é, uma revolução social, política e moral.

Uma revolução também, interior, íntima.

De resto, estou convencido de que não há senão uma revolução total.

Não há meias-tintas revolucionárias.”

“Ernesto de Sousa fala ao Diário Popular dos Mixed Media e do Festival de Gand”, em Diário Popular, 6 de Maio 1975 [Entrevista na livraria Opinião]

Referidas por Paula Pinto no seu ensaio.

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Estudando a obra de Ernesto Sousa, Paula Pinto encontrou um corpo de trabalho, até então pouco conhecido e não reconhecido, que urgia dar a conhecer, pois é sem dúvida, parte integrante da sua obra, reflexo do seu modo de pensar, viver e criar e que se reflete na sua obra:

O TEU CORPO É O MEU CORPO é uma designação criada por Ernesto de Sousa para agrupar uma série de acções, performances e exposições. Este ciclo inclui produção gráfica, fotográfica e fílmica, textos poéticos e obras mixed-media realizadas entre 1972 e 1988, entre as quais Luiz Vaz 73, Revolution My Body nr. 2, Tu Cuerpo Es Mi Cuerpo / Mi Cuerpo Es Tu Cuerpo, Identificación Con Tu Cuerpo, Olympia, Tradição como Aventura.”

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No âmbito desta investigação, considerando que “Desde as suas remotas origens, em 1851, que os álbuns fotográficos revelam os múltiplos campos de aplicação da fotografia e as complexas relações entre a fotografia e o universo editorial, mediando a laboriosa reprodução mecânica da fotografia  e a difusão alargada que interessava aos editores livreiros.”, Paula Pinto editou o presente álbum, configurando um portfólio.

A publicação “O Teu Corpo é o Meu Corpo (1965-75)” é um álbum fotográfico e poético editado a partir da obra inédita de Ernesto de Sousa. Este álbum é uma compilação de materiais que, sem nunca terem existido enquanto obra concreta, foram surgindo enquanto espectro em muitos dos seus mixed-media. “O Teu Corpo é o Meu Corpo” é um trabalho simultaneamente íntimo e político; aborda a relação entre a liberdade de expressão e a transformação política dos corpos durante a passagem do regime ditatorial para a democracia constitucional. Texto e imagem apresentam Ernesto de Sousa como um ativista visual em tempo real e refletem o direito de expressão intelectual e de expressão corporal como elementos indissociáveis e contemporâneos.”

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Escreve Paula Pinto a iniciar o seu ensaio “O pensamento em imagens”, no qual percorre a obra de Ernesto de Sousa:

O TEU CORPO É O MEU CORPO é composto por uma série de documentos que permaneceram inéditos e inacabados, produzidos por Ernesto de Sousa com o objectivo de agregar o que chama, na carta a Carlos Gentil-Homem, uma “comunidade nominal (…) [de] coisas a pensar e a fazer” sob a designação geral “o teu corpo”. Todos os documentos fac-similados neste álbum existem no arquivo do Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa (CEMES). Este projeto não é um livro de artista nem uma obra fechada, é apenas uma chamada de atenção para a riqueza e a complexidade do arquivo deste autor, que desvalorizava as formas em favor dos processos e os bens em favor das ações. Resgatar da invisibilidade estes materiais e temáticas, que acompanharam as revolucionárias reivindicações de Ernesto de Sousa, não os institui como obra de arte acabada. A publicação do presente material testemunha a pluralidade de funções e meios com que Ernesto de Sousa explorou a fotografia. É esse o objectivo desta edição e de outras que lhe possam suceder.”

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Este álbum deu a conhecer uma faceta da obra de Ernesto de Sousa e integrá-la na sua obra artística, sendo reconhecida como tal.

O álbum é constituído por:

  • Paula Pinto, “O pensamento em imagens”, Maio 2014. Caderno, 40 pp.
  • Carta de Ernesto de Sousa dirigida a Carlos Gentil-Homem (Julho 1972): 4 folhas de texto facsimilado, papel Munchen 90 gr
  • Livro de Poemas Inéditos (1965-1975): Ernesto de Sousa, 80 páginas de textos inéditos facsimilados, papel reciclado; Design: Ana Moreno
  • 1 Cartaz executado para a Galeria Quadrum(1978): papel Couché, 60 x 50 cm; Composição gráfica de Ernesto de Sousa; Very high resolution coated paper, 125g/m; True Color 125
  • 9 Provas de Contacto (8+1) (1972-1975): papel HP Premium Instant-dry, 29×24,5cm; Impressões a Jacto de Tinta 8 cores HP (8 provas de contacto 6x6cm: 2 rolos Ilford HP4 Panchromatic Hypersensitive; 2 rolos Ilford FP4 Panchromatic Fine Grain; 1 rolo Kodak (Safety film); 1 prova de contacto 35mm Ilford FP4)
  • 1 Ampliação Fotográfica, papel HP Premium Instant-dry, 29×24,5cm; Cartaz O TEU CORPO É O MEU CORPO, com composição gráfica de Carlos Gentil-Homem, 1972 (fotografia reenquadrada de negativo 6x6cm)
  • 1 Ampliação Fotográfica (1972-1975), papel HP Premium Instant-dry, 29×24,5cm (A cada álbum corresponderá uma fotografia diferente)

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Ernesto de Sousa , O Teu Corpo é o Meu Corpo (1965-75), 2014

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Paula Pinto é licenciada em escultura e doutorada em Estudos Visuais e Culturais pela Universidade de Rochester (NY, USA), tendo-se especializado em História da Fotografia. Foi fundadora e coeditora da revista de cultura urbana InSi(s)tu (2001-2005) e é editora de álbuns fotográficos. É investigadora e curadora independente de exposições, trabalhou no Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Recentemente foi a curadora das exposições “Stefano Serafin: arte em estado de guerra”, no Centro Internacional de Arte José de Guimarães (Guimarães), (aqui), “Ernesto de Sousa: a mão direita não sabe o que a esquerda anda a fazer”, na Bienal de Cerveira (aqui) e “Carlos Nogueira: Fotografias de trabalho e outros desenhos”, no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico (aqui).

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Pode conhecer melhor este álbum e efetuar pedidos aqui.

Pode conhecer melhor a obra de Ernesto Sousa aqui; e no Fascínio da Fotografia, aqui.

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