MARIA LAMAS, AS MULHERES DO MEU PAÍS, 1948, 2003

125 anos do nascimento de Maria Lamas (Torres Novas, 6 de outubro de 1893 – Lisboa, 6 de dezembro de 1985)

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Maria Lamas

As Mulheres do Meu País

Fotografia: Maria Lamas e: Alberto Alves, Aureliano Carneiro, A. de Sousa, A. Fidalgo, A. Gigante, A. L. Quintas, Adelino Lyon de Castro, A. Laborinho, A. Silva, Domingos Alvão, A. Teixeira, Álvaro Campeão, António Santos de Almeida Júnior, Armando Leça, Armindo de Matos, Artur Macedo, Artur Pastor, Capitão Barreto da Cruz, D. A. Freitas, D. Espanca, Eduardo Cerqueira, F. Bivar, F. Rocha, Firmino Santos, Foto Arte, Foto Beleza, Foto Toste, J. O. Rego, Frederico Bonacho, Gervásio Aleluia, Granja, J. Palha, Joel Mira, João Saraiva de Carvalho, Joel Mira, José A. de Castro, José Loureiro Botas, Dr. José Rebelo Cardoso, Júlio Goes, Júlio Vidal, M. Carneiro, M. Geraldes da Silva, Madeira, Manuel de Abreu, M. Trindade Mendonça, Mário de Almeida, Mário Lyster Franco, Foto Perestrelos, R. Amaral, Serra Ribeiro, T. David / Texto: Maria Lamas / Desenhos: Fernando Carlos

Lisboa: Editora Actuális / 1.ª Edição / Maio . 1948 (1.º fascículo) a 15 . Abril . 1950 (15.º e último fascículo)

Português / 24,4 x 30,4 cm; com caixa: 24,7 x 31,1 cm / 480 pp.

Cartonado com caixa (editorial) / Encadernação com capa dura em tela

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Maria_Lamas-As Mulheres_Meu_Pais-1958- (3)

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Lisboa: Editorial Caminho / 2.ª edição / Maio 2003

Fac-simile da 1.ª edição, integra na encadernação suplemento numerado a romano, com alguns retratos da autora e textos de: Maria Leonor Ribeiro da Fonseca Calixto Machado de Sousa, Maria José Cunha Lamas Caeiro Metello de Seixas, Maria Benedita Vassalo Pereira Bastos Monteiro, Maria Cândida Caeiro e Maria d’Aires Caeiro

Português / 31,5 x 24, 0 x 4,6 cm; com caixa: 32,3 x 24,4 x 5,7 cm / 480 + XXXVII pp.

Cartonado com caixa / Encadernação com capa dura em tela (em diversas cores: azul, vermelho, castanho, etc.), gravada a seco e com aplicação de pigmento a ouro / 2.000 ex.

ISBN: 9789722114912

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Maria_Lamas-As Mulheres_Meu_Pais-2003 (1)

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Em Portugal, o equivalente fotográfico da FSA (Farm Security Administration) é obra de uma única mulher: Maria Lamas.”

Jorge Calado, “Au Féminin: Womem Photographing Women 1849 – 2009”, 2009, pp. 80-81.

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1.

Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas, mais conhecida por Maria Lamas (Torres Novas, 6.10.1893 – Lisboa, 6.12.1985) foi jornalista, escritora, tradutora, ativista política e… fotógrafa.

Estudou em Torres Novas no Colégio das Teresianas de Jesus, Maria, José. Casou em 1910, com Teófilo José Pignolet Ribeiro da Fonseca, no que foi o primeiro casamento civil celebrado em Torres Novas. Teve duas filhas, Maria Emília e Manuela. Divorcia-se e casa em 1921 com Alfredo da Cunha Lamas, de quem teve uma filha, Maria Cândida.

Trabalhou em diversos jornais, como A Joaninha ou A Voz, vindo a dirigir, de 1931 a 1947 o semanário feminino Modas & Bordados, suplemento do jornal O Século. Como autora, escreveu diversas obras de literatura e literatura infantil, assinando como Maria Fonseca, Serrana d’Ayre e Rosa Silvestre.

Fez parte da direção do MUD – Movimento de Unidade Democrática e do CNMP – Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, formado em 1914, a que presidiu em 1946. No âmbito do CNMP, foi representante em 1946 no Congresso do Conselho Internacional das Mulheres, na Bélgica, que daria origem à Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM) e organizou em janeiro de 1947 a Exposição de Livros Escritos por Mulheres, na Sociedade de Belas Artes, em Lisboa, que leva ao encerramento do CNMP.

Editou várias obras, além de diversos livros infantis e outros, como “A Mulher no Mundo” (1952), Arquipélago da Madeira (1956), “O Mundo dos Deuses e dos Heróis” e, “Mitologia Geral” (1961), mas o mais importante é, sem dúvida, “As Mulheres do Meu País”.

Maria Lamas esteve presa no Forte de Caxias em 1949, em 1953 e em 1962, estando exilada em Paris de 1962 a 1969; participou em vários Congressos Mundiais da Paz, no Congresso Internacional de Mulheres, em Copenhaga, em 1958, no VII Congresso da FDIM, em Berlim, em 1975, entre outros.

Foi condecorada com o grau de Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada (1934), como Grande-Oficial da Ordem da Liberdade (1980), Distinção de Honra do Movimento Democrático das Mulheres e Medalha de Ouro do Concelho de Torres Novas (1982) e a Medalha Eugénie Cotton, da Fédération Démocratique Internationale des Femmes, França (1983).

Faleceu em Lisboa, a 6 de dezembro de 1985.

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2.

A neta Maria José Cunha Lamas Caeiro Metello de Seixas revela como surgiu a obra, no seu texto «As Mulheres do meu País surgem” da 2.ª edição da obra (pp. XVII-XVIII):

A decisão de o escrever concretizou-se no decorrer da entrevista com o Governador Civil de Lisboa, em julho de 1947, de este ter mandado encerrar o Conselho Nacional [das Mulheres Portuguesas]. (…) Mais do que chamar a atenção dos portugueses para a situação das mulheres, era dar-lhes a elas consciência da sua energia e do seu poder.

Foi por isso que o Governador Civil paternalmente explicou à minha Avó que não deveria ter tanto trabalho nem preocupar-se tanto com a situação das mulheres portuguesas, a quem o Conselho Nacional não era necessário, uma vez que o Estado Novo confiava à Obra das Mães [pela Educação Nacional] o encargo de as «educar e orientar». A esta afronta feita à cidadã respondeu a jornalista: iria verificar e depois informaria.

A concretização desta resposta, que se tornava imperativa para a sua dignidade e coerência, implicava porém uma logística de base, só possível graças à indefectível rede de amigos e familiares que sempre a apoiou. Foi assim criada a Actuális, Lda – Distribuidores Gerais [com sede na R. das Chagas, 17-3.º D, em Lisboa], empresa editorial fundada por Manuel Fróis de Figueiredo, Orquídea Fróis de Figueiredo, e a escritora. Esta empresa custeou as despesas inerentes à investigação planeada – viagens, alojamento, alimentação, documentação – e organizou a recolha de assinaturas para a publicação (cada fascículo valia 15 escudos e a obra completa, paga adiantadamente, 200 escudos).”

A obra saiu em 15 fascículos de 32 páginas cada, mensais – na verdade ao longo de 2 anos, de maio de 1948 a abril de 1950 – 15 de abril, data de impressão do último fascículo.

No verso da capa do primeiro fascículo apresentava-se o “Plano Geral da obra”, o qual era definido pelas ocupações femininas: A Camponesa, A Mulher da Beira-Mar, Diversas Ocupações da Mulher do Povo, Indústrias Caseiras, A Intelectual, A Operária, A Mulher de Beira-Rio, Empregadas e Profissionais, A Mulher Doméstica, A Artista.

Este plano sofreu algumas alterações, sendo no final: A Camponesa – No Minho, Ares do Litoral, Terras do Minho Adentro, Para Lá do Marão, Nas Ribas do Alto Douro, No Douro Litoral, Através das Beiras, Alentejo, Na Região Algarvia, Estremadura, Ribatejo, No Arquipélago da Madeira, Nas Ilhas dos Açores –, A Mulher do Mar, A Operária, A Empregada, A Doméstica, concluindo com Várias Notas.

Citando a neta:

Esta modificação decorreu não só das revelações trazidas pela investigação no terreno como também pela metodologia imposta pelo formato da publicação em fascículos. Com efeito, este sistema implicava uma disciplina exacta na recolha de dados e na escrita: a minha Avó saía de Lisboa com dinheiro para quinze dias, papel, lápis e uma máquina Kodak em direcção aos diferentes pontos do país onde, como jornalista, interrogava, observava, fotografava, não só as mulheres que eram o seu objecto de estudo como as suas famílias, anotando sempre os elementos de geografia física e humana que as enquadravam. Ao fim desses quinze dias, regressava a Lisboa, passava todos os seus apontamentos a limpo, entregava o trabalho na tipografia onde se fazia a primeira impressão e revia as provas desse fascículo.”

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3.

Maria Lamas refere na introdução à obra (1.º fascículo, p. 5):

Olhei a minha volta e comecei a reparar melhor nas outras mulheres: umas resignadas e heróicas na sua coragem silenciosa, outras indiferentes, entorpecidas; e ainda aquelas que fazem do seu luxo a exibição de um privilégio.”

Mais à frente (p. 204), acrescenta:

Todas as mulheres do povo se parecem umas com as outras, vivam onde viverem… A sua natureza é a mesma. Mais ou menos rudes conforme o seu nível de vida, todas são irmãs na luta, na resistência ao trabalho e ao sofrimento, no heroísmo obscuro… A força que as impele tem raízes fundas, na terra e na própria vida.”

De facto, a vida das mulheres não era fácil. Toda a instabilidade governativa vinda dos últimos tempos da monarquia, prolongada nos primeiros anos da República, agravada pela Grande Guerra e pela II Guerra Mundial – em que muitos homens partiram para a guerra, ficando as mulheres mais sozinhas frente à família, ao sustento e ao trabalho, agravada pela grande taxa de analfabetismo (85,4% em 1900, 74,3 % em 1930, e muito depois, em 1960, ainda era de 39%; como escala de comparação, na Suíça, em 1900, a escolaridade era obrigatória até aos 16 anos de idade), bem como os salários muito mais baixos pagos às mulheres pelo mesmo trabalho, por vezes com igual ou melhor desempenho.”

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4.

Maria Lamas percorre o país para fazer um retrato das mulheres portuguesas: encontra as mulheres nos seus trabalhos, nas suas paisagens, nas suas famílias, enfim, nas suas vidas, fala com elas, fotografa-as.

O texto é fundamental na obra. É através dele que expõe o que observa, o que ouve, que narra as condições de vivência e de trabalho. As legendas das fotografias, normalmente com alguma extensão, são um complemento ao texto, testemunhando por vezes a realização da própria imagem.

As fotografias mostram as mulheres nos seus trabalhos e nos seus lazeres, em momentos de festa, de alegria e de labor, em família e nos ofícios. Mostram as mulheres com dignidade. Dir-se-ia que esta obra é quase – também – um álbum fotográfico: não há página que não tenha uma, duas, três fotografias ou mesmo mais, dependendo do formato em que cada uma é reproduzida.

Há a referir que praticamente todas as imagens têm identificada a autoria: “Fotografia de …” ou “Fotografia da autora”, quando é sua a autoria. Esta identificação não era vulgar então, sendo de realçar o cuidado.

Maria Lamas procura retratar as mulheres, não faz questão que as imagens sejam de sua autoria: uma parte significativa é, mas recorre ao trabalho de outros fotógrafos (e arquivos). Por um lado, creio eu, por que lhe Interessa sobretudo mostrar a vivência da mulher em cada situação e há autores, sobretudo a nível local, que têm imagens excelentes que ela não consegue obter: pela oportunidade, pela disponibilidade de tempo, pela época, pelo clima que se faz sentir em cada momento; por outro lado, ao abrir a obra a outros autores, nomeadamente na fotografia, expande o horizonte, a procura e o interesse da obra. Não é só o seu modo de ver, é o que (muitos) outros vêm, testemunham.

Resulta daqui que a preocupação de Maria Lamas não era assumir uma autoria fotográfica da obra, mas de facto, testemunhar a vivência da mulher. Como diz Jorge Calado (“Au féminin…”, pp. 72-73):

A informação contida numa imagem é um dos seus mais importantes aspetos. Uma fotografia é sempre um documento – um texto que espera ser lido.”

Para esta situação não será também alheio todo o trabalho envolvido e o tempo para a sua realização: entre julho de 1947, data da reunião com o Governador Civil e da decisão do projeto, a abril de 1950, em que é impresso o último fascículo, não chegam a decorrer 3 anos. As viagens realizadas a todo o país, cada uma de cerca de 2 semanas, como refere a sua neta, leva a que nesse tempo, relativamente reduzido, sejam percorridos muitos quilómetros: até à região, por um lado, e pela região, ao encontro das populações. No final dos anos 1940 não havia autoestradas nem vias rápidas, mas estradas nacionais, municipais, alguns caminhos de terra batida. Ir de Lisboa a Bragança poderia levar umas 8 ou 10 horas… Uns percursos seriam feitos em carroças, outros, montada em animais ou mesmo a pé, a partir de certo ponto. O ouvir as pessoas e escrever os seus testemunhos (não havia ainda gravadores), leva tempo. Se bem que fazer algumas fotografias não quereria muito tempo, nalgumas ocasiões o clima chuvoso, o dia escuro, ou sobre o anoitecer, dificultaria ou impediria a obtenção de uma fotografia nas condições desejadas.

De notar que nas fotografias estão exclusivamente (ou quase) mulheres.

Refere Alexandre Pomar que no boletim ‘Ler – informação bibliográfica’, das Publicações Europa-América (Maio-Junho 1948, pág. 1), Maria Lamas diz:

Resolvi arranjar uma máquina e ser eu, também, fotógrafa”.

Aliás, como refere em entrevista na página “Das artes e das letras” do jornal «O Primeiro de Janeiro», de 28 de Abril de 1948, a obtenção de fotografias, confessa, foi uma das maiores dificuldades que encontrou, pois queria-as ‘verdadeiras, expressivas, com valor documental e inéditas’.

Conseguiu-o.

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5.

Na ficha da obra registo os fotógrafos, de acordo com o identificado junto de cada imagem. De alguns são apresentadas 2 ou 3 imagens, de outros perto de uma dezena, se não mais.

Há fotógrafos locais, como Alberto (ou A.) Alves, de Chaves ou Mário de Almeida, de Ovar; outros com imagens cedidas por entidades ou jornais: A. Silva, fotografias cedidas pelo Arquivo do «Primeiro de Janeiro», Álvaro Campeão, Frederico Bonacho e J. Palha, os três do Arquivo de «Vida Ribatejana»; de Manuel Abreu, uma das quais cedida pela Comissão de Turismo de Aveiro; uns que serão fotógrafos ‘de casa aberta’, como [Domingos] Alvão (algumas das imagens cedidas pela Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos Verdes ou pelo Instituto do Vinho do Porto), «Foto Arte» – Amarante , Foto Beleza [Porto], Foto Toste – J. O. Rego [Açores, S. Miguel] ou Perestrelos [Funchal]; outros amadores reconhecidos: A. [Adelino] Lyon de Castro, António Santos de Almeida J.or ou Artur Pastor; de Gervásio Aleluia, da Fábrica de Faianças em Aveiro, possivelmente a Fábrica Aleluia, “de um livro de Alberto Garcia”, em qualquer dos casos referindo apenas alguns nomes.

A obra é complementada por vinte e quatro reproduções de obras de reconhecidos artistas portugueses, sempre na temática feminina, entre outros, Silva Porto, Malhoa, Júlio Pomar, Abel Salazar, Manuel Ribeiro de Pavia e Abel Manta, na maior parte impressos separadamente e colados sobre cartolinas, em extratexto.

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6.

Dada a sua génese, “As Mulheres do meu País” surgiram como uma grande reportagem, baseada no texto e na imagem. O texto procurando apresentar, testemunhar e registar, quer pelas descrições e impressões, quer pelos diálogos tidos, a situação da mulher, as fotografias confirmando-o, nos diferentes momentos e condições quer de trabalho, quer da vivência.

Assim, além da leitura documental e sociológica, tem uma leitura política. Manuel Villaverde Cabral: considera-o “o primeiro contra-discurso durante o Estado Novo”, ressaltando o texto e a imagem.

Assim, a fotografia para Maria Lamas, teria uma missão sobretudo de ilustração, a par com alguns desenhos, destacando o texto escrito, como outras obras contemporâneas. Mas o livro, “é tão fotográfico como antropológico e sociológico” (Jorge Calado, “Au féminin, …, p. 28-29).

No entanto, não podemos descurar a qualidade das imagens e a sua origem: muitas são de profissionais e de arquivos, outras de amadores empenhados e reconhecidos e levam-nos hoje a reconhecer esta obra como de importância para a história da fotografia portuguesa.

Se a impressão das fotografias não é fantástica na 1.ª edição, de 1958, tipográfica, melhora na 2.ª edição, de 2003, em offsett, realizada sob a direção de José António Flores e com a utilização dos originais fotográficos de Maria Lamas e alguns outros, inclusive das pinturas e desenhos, sempre que foram localizados, procurando a melhor qualidade.

As reproduções de pinturas, na edição original, coladas sobre folhas de cartolina em extratexto, na segunda edição encontram-se impressas diretamente em folhas de cartolina, também em extratexto.

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7.

A segunda edição, é composta pelo fac-simile da 1.ª edição, enquadrado pela capa do 1.º fascículo e contracapa do 15.º fascículo.

É antecedido por diversos textos e fotografias, que ajudam a enquadrar a obra:

  • Texto de Abertura, da Editorial Caminho (p. IX),
  • Uma dedicatória de maio de 1948, “Para os meus queridos filhos” e “A todas as mulheres portuguesas”, quase todo manuscrito e assinado pela autora (p. XI),
  • “Quando eu nasci”, da neta, Maria Leonor Ribeiro da Fonseca Calixto Machado de Sousa (pp. XIII a XV);
  • “As Mulheres do meu País surgem”, de Maria José Cunha Lamas Caeiro Metello de Seixas (pp. XVII-XIX) e
  • “Chamamos-lhes hoje”, de Maria Benedita Monteiro (pp. XXI-XXII).

Reproduz o seu ex-libris, da autoria de Júlio de Sousa, c. 1927 (p. XXXIII), diversas fotografias da Autora e a capa do n.º 2 da revista A Mulher, 1947 / Cartaz da autoria de Maria Keil (p. XVI) [nota: os nomes indicados correspondem ao início dos referidos textos, que não têm título].

Após o fac-simile da obra (com novas impressões das fotografias) seguem-se os textos: “Breves apontamentos para a cronologia”, elaborados por Maria Cândida Caeiro (XXV-XXXIV) e “Agradecimentos”, desta e de Maria d’Aires Caeiro (p. XXXVII).

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8.

Sobre a visibilidade da obra, do ponto de vista fotográfico, há a referir que António Sena não a inclui na sua “História da Imagem fotográfica em Portugal 1839-1997”, Porto: Porto Editora, 1998: não cita no texto, nem nos índices de obras. Creio este facto poder-se dever ao livro ser considerado como um documento e as fotografias como ilustrações, para além que Maria Lamas não se terá assumido como fotógrafa.

Apesar de esta leitura ser possível, as fotografias não deixam de ser boas fotografias e, ao mesmo tempo, importantes documentos.

Quem alerta para a importância de Maria Lamas como fotógrafa é Jorge Calado, através do livro e exposição “Au Féminin: Womem Photographing Women 1849 – 2009”, de 2009, no Centre Culturel de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian: não em Portugal, mas numa das capitais da fotografia, Paris, como já referido.

Calado apresenta 140 fotografias de 100 fotógrafas. De quem apresenta mais imagens é de Maria Lamas: 8 fotografias, depois 6 de Eve Arnold, 4 de Rebecca Lepckoff, e das restantes fotógrafas 1 ou 2 apenas. De Maria Lamas é também a biografia mais extensa e a ela dá um espaço significativo no texto do catálogo.

Sobre este trabalho de Maria Lamas, que classifica de épico (p. 28-29), Calado descreve no catálogo de um modo inequívoco: “Em Portugal, o equivalente fotográfico da FSA (Farm Security Administration) é obra de uma única mulher: Maria Lamas”, elevando-a à estatura de grandes fotógrafas, como por exemplo, Dorothea Lange.

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Maria Lamas, As Mulheres do Meu País, 1958

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Maria Lamas, As Mulheres do Meu País, 2003

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Reproduzo a obra a partir da edição original. Da edição de 2003, as páginas complementares. Selecionei páginas com fotografias de Maria Lamas.

Pode ver sobre o livro de Jorge Calado, “Au Féminin: Womem Photographing Women 1849 – 2009”, Paris: Centre Culturel de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian, 2009, no Fascínio da Fotografia, aqui.

Pode (ver)ler uma (foto)biografia de Maria Lamas, por José Gabriel Pereira Bastos, aqui.

Pode ler “Texto e imagem fotográfica no primeiro contra-discurso durante o Estado Novo: «As mulheres do meu país» de Maria Lamas”, de Manuel Villaverde Cabral, na revista Comunicação Pública, Vol.12 nº 23 | 2017, colocado online no dia 15 Dezembro 2017, aqui.

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