FERNANDO CURADO MATOS, CARLOS MELO SANTOS, MARGEM DA AUSÊNCIA, 1998, E UM ROMANCE DE URBANO TAVARES RODRIGUES

No 5.º aniversário da morte de Urbano Tavares Rodrigues (Lisboa, 6 de dezembro de 1923 – Lisboa, 9 de agosto de 2013)

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Urbano Tavares Rodrigues, Fernando Curado Matos, Carlos Melo Santos

Margem da Ausência

Fotografia: Fernando Curado Matos, Carlos Melo Santos / Texto: Urbano Tavares Rodrigues / Design gráfico: João Machado

Porto: Edições Asa / 1998

Português / 17,7 x 24,6 cm / 76 pp.

Cartonado, revestido a tecido preto, com sobrecapa

ISBN: 9789724119755

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Fernando_Curado_Matos-Margem da Ausencia (1)

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O dia amanheceu triste, com aves naufragando na brancura do espaço e sinais de ausência à minha volta (lá fora também), os caixilhos da janela corroídos pelo salitre; em baixo na praia, a solidão soprando, ainda leve, sobre a água encrespada.

E a tua vinda sempre diferida. O grito de luz do teu olhar já não me aquece, falta-me a cumplicidade da tua mão tão pequena e tão lisa na minha mão ossuda e com veias salientes. O desejo enche-me as noites, quando não escuto as palavras do vento, e tu não voltas.

(…)

Tu és a alegria primordial, a liberdade absoluta, que eu não aguento longe de mim, noutros cenários, noutros convívios, dando a alguém que não eu a vida inteira o afecto que de ti transbordam.

Sei que este amor é excessivo e devia poder controlá-lo (ninguém esgota ninguém), que posso eu contra o facto de tu viveres sempre o presente e estares bem onde estás, com quem estás, na mais inocente das relações ou, quem sabe, na mais subitamente intensa?!

Simplesmente sofro. Um dia acordarei talvez de olhos secos e frios e dir-me-ei: “Consigo viver por mim e sorrir mesmo sem ti e olhar a vida como um jardim ligeiro, onde há plantas e flores voltadas para mim. Conseguirei? Pouco mais vejo no ecrã do mundo que não sejas tu ou as coisas que tu vês e que eu quero só para ti.

(…)

Tu, porque não vens, gostarias de ouvir estes sons, de ver as minúsculas flores lilazes, selvagens, que vicejam sob os juncos, filhas sáfaras da própria areia e da terra seca. Estás aqui comigo, de bruços, junto a esta figueira do inferno, procurando perceber o grito das gaivotas e das cagarras, nossas companheiras, olhando o oceano parado, que parece agora de argamassa, e, para lá das pegadas (estas são das gaivotas), o findar das ondas baixas que, depois de vencerem os recifes, se estendem pela praia em leques, em alvíssimas, longas franjas cariciosas (ou de suave indiferença?).

Urbano Tavares Rodrigues

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As fotografias em torno do mar, da praia que se estende lá em baixo, rodeada pelas falésias, as rochas que o mar vai moldando, a areia molhada que regista as pegadas…

Lado a lado, imagem e texto, numa mancha idêntica, paralela.

Um belo romance de Urbano Tavares Rodrigues, com as fotografias de Fernando Curado Matos e Carlos Melo Santos.

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Urbano Tavares Rodrigues, Fernando Curado Matos, Carlos Melo Santos, Margem da Ausência, 1998

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Fernando Curado Matos nasceu em 18 de janeiro de 1953 em Moscavide, Loures.

Trabalha atualmente como fotógrafo Freelancer, especialmente como fotojornalista de desporto.

Foi aluno na escola António Arroio onde concluiu o curso de Pintura e o Complementar de Imagem, Complementar de Artes dos Tecidos frequentou e concluiu o curso de Fotografia profissional na Escola Oficina da Imagem. Lecionou durante 30 anos no ensino público como professor de artes visuais e fotografia. Concluiu o estágio Pedagógico/Profissional e a respetiva profissionalização de professor no ensino público. Concluiu o curso Complementar para Professores na Universidade de Aveiro.

Foi credenciado pelo Conselho Cientifico – Pedagógico da Formação Contínua como formador de Artes Visuais.

Foi Professor Formador no CENFORES – Loures Norte, Centro de Formação de Associação de Escolas na área da Fotografia. Concluiu o Curso Profissional de Fotografia da Escola, Oficina da Imagem.

Foi professor e diretor do curso de fotografia da Escola Oficina da Imagem.

Atualmente é professor de fotografia na Magestil (Escola profissional de Moda de Lisboa).

Tem a carteira Profissional de Jornalista como correspondente da Cordon Press. É membro AS AIPS, (Internacional Sports Press Association) e da FPAK – Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting. É sócio do CNID, (Associação dos Jornalistas de Desporto).

Em 1986, recebeu um subsídio de trabalho da Fundação Calouste Gulbenkian, para uma pesquisa estética em fotografia.

Foi membro fundador do Grupo Íris participando nas exposições e nos livros editados pelo grupo.

Atualmente é professor de fotografia na Magestil – Escola profissional de Moda de Lisboa.

Expõe regularmente desde 1972 tendo realizado cerca de 30 exposições individuais e participado em inúmeras exposições coletivas em Portugal, Espanha, França, Itália e Tunísia.

Expôs coletivamente no projecto CONCEPTOS, uma peça com 12 fotografias no Museu Vostell de Malpartida de Cáceres (Museu de Arte contemporânea), único na Extremadura e um dos mais prestigiados de Espanha.

O seu trabalho está representado em museus e coleções particulares em Portugal e no estrangeiro: Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; Ministério da Cultura / Instituto Camões; Museu Municipal de Loures; L.T.E. – Electricidade de Lisboa e Vale do Tejo; Encontros da Imagem, Braga; Fundação PLMJ, Lisboa; Musée de la Photographie de Charleroi, Bélgica; Musée Nicephore Niépce, Chalon-sur-Saône, França; Centre Culturel André Malraux, Nancy, França; Galerie du Château d´Eau, Toulouse, França; Museu de Fotografia Contemporânea Ken Damy, Brescia, Itália; Musée d´Elysée pour la Photographie, Lausanne, Suíça.

Elaborou portfólios para a Câmara Municipal de Loures e da Guarda, Centro de Estudos Ibéricos e LTE /EDP (Electricidade de Portugal).

Entre os livros editados registam-se: monografias do concelho de Loures e Vendas Novas; História e Cultura Judaica, Guarda, 1999 (colaboração fotográfica), Corpo da Terra, 1991; Prata Negra, 1992; Espaço Cénico e As Pedras e o Tempo, 1993; Sabor a Sal e Lisboa Qualquer lugar 1994; Rostos de Pedra, 1995; Made in U.S.A., Lisboa, 1996; Outros Lugares – Vale do Tejo, 1997; Tajo Tejo – Doze Objectivos Fotográficos, Madrid, 1998; Margem da Ausência, 1999; Um País de Longínquas Fronteiras, 2000; Guarda Um (E)Terno Olhar, 2008; Leite Cardo e Mãos Frias, o queijo da Serra da Estrela no Concelho da Guarda, 2010; Papagaios Pelos Ares, Alcochete, 2010.

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Carlos Melo Santos depois de concluir o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa, licenciou-se em Direito, exerceu Advocacia e fez DEA em Comunicação Social na Universidade Complutense de Madrid.

Durante alguns anos dedicou-se à causa pública tendo tido, entre outros, os cargos de Vice-Presidente do Instituto Camões e de Secretário Nacional Adjunto para a Reabilitação e Integração de Pessoas com Deficiência.

Desde a sua juventude que escreve poesia e se interessa pela fotografia. Realizou várias exposições. Publicou dois livros de poesia: “Tempo das Rosas Eternas” e “Lavra de Amor”.

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Urbano Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa em 6 de dezembro de 1923.

Urbano Tavares Rodrigues não é apenas o grande escritor do Alentejo, das suas gentes e das suas paisagens, é também o romancista e contista de Lisboa e de outras atmosferas cosmopolitas que, como jornalista e professor universitário, bem conheceu, viajando por todo o mundo.
Catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa, membro da Academia das Ciências, tem uma obra literária e ensaística muito vasta e traduzida em inúmeros idiomas, do francês e do espanhol ao russo e ao chinês. Obteve diversos prémios, entre eles o de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o prémio Fernando Namora, o Ricardo Malheiros da Academia das Ciências, etc.
De entre os seus maiores êxitos de crítica e de público, destaca-se “A Noite Roxa”, “Bastardos do Sol”, “Os Insubmissos”, “Imitação da Felicidade”, “Fuga Imóvel”, “Violeta e a Noite”, “O Supremo Interdito”,” Nunca Diremos Quem Sois” e “A Estação Dourada”.
Urbano Tavares Rodrigues, que foi afastado do ensino universitário durante as ditaduras de Salazar e Caetano, participou ativamente na resistência e foi preso e encarcerado por várias vezes nos anos sessenta.
Faleceu no dia 9 de agosto de 2013, em Lisboa.

Adaptado de wook.pt.

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Pode conhecer melhor o trabalho de Fernando Curado Matos aqui.

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