FLÁVIO ANDRADE, DÉJÀ VU, 2017

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Flávio Andrade

Déjà vu

Fotografia e texto: Flávio Andrade

Lisboa: Flankus Books / Junho . 2017

Português e inglês / 20,0 x 25,0 cm / 100 págs.

Brochura / Inkjet digital printing / 60 ex.

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A fotografia não fala (forçosamente) daquilo que já não é, mas apenas, e com certeza, daquilo que é.”

Roland Barthes

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A fotografia é imagem, é uma memória, real ou ficcionada. Umas imagens trazem-nos outras à lembrança. Estamos constantemente rodeados de imagens: cartazes, ecrãs, jornais e revistas. Há imagens que vemos repetidas vezes (é uma das técnicas da publicidade), umas cativam, outras repugnam (como as dos maços de tabaco), algumas despertam-nos porque são ‘diferentes’ ou mostram um local ou ambiente que nos é familiar. Despertam afetos. Como um ‘déjà-vu’.

De algum modo, é esta ‘memória’ que Flávio Andrade cria, de modo recorrente, com esta obra.

Folheio o livro: a página direita (ímpar) mostra uma fotografia. A página esquerda (par) reproduz a fotografia da página anterior, numa dimensão reduzida. É um déjà vu que cria uma continuidade permanente e inequívoca ao longo de toda a obra.

As fotografias são do arquivo pessoal de Flávio Andrade. Na obra presente – e noutras que se seguirão – Flávio Andrade recorre às suas imagens, procura-as, construindo a sua obra presente. Obtidas no âmbito de um momento ou de um projeto, de um percurso, cada imagem regista emoções, sentidos, vivências. Arquivadas ao tempo, Andrade revive agora o seu trabalho ao longo de anos, dando-lhe uma vida e uma visibilidade. A fotografia, para além do momento registado, é um momento da eternidade.

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Andrade narra a origem deste projeto:

Baseado na leitura do livro Polaroids from the Dead, de Douglas Coupland, Déjà vu é uma metáfora visual de um tempo perpetuado, em modo intemporal, com recurso ao arquivo. Sem pretender fazer qualquer colagem ao livro de Douglas Coupland, este projecto utiliza fotografias de arquivo, conjugando a imagem – facto, documento/real e a imagem – ficção, na medida em que a ficciono, sobrevalorizando aspectos que lhe são exteriores. Saindo do conceito de Douglas, as histórias não são aqui vistas como figuras públicas, ídolos ou vedetas, mas antes como imagens de uma interioridade estética, do suposto, que parece, mas não é. O projecto é sentido como uma narrativa, sequencial e surreal. Procuro invocar elementos que façam esse transporte para o visto, sem ser visto. O título nasceu desse exacto momento, que é, ou foi, a sensação de algo já visto, de um passado que é recordado ou imaginado, de um passado vivido, consciente e presente.”

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Flávio Andrade, Déjà vu, 2017

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Flávio Andrade (Moita, 1964) é formado em Fotografia pelo Ar.co (1998) – Centro de Arte e Comunicação Visual.

Como artista visual dedica-se exclusivamente à realização de projectos pessoais tendo como suporte a fotografia e o video. Expõe com regularidade.

É formador no Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), onde lecciona cursos de fotografia e fotojornalismo.

Colaborou na área do fotojornalismo durante vários anos para várias instituições, jornais e entidades públicas e privadas, tanto nacionais como estrangeiras onde ainda mantém ligação.

Entre 2003 e 2013 foi professor assistente na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde co-leccionou a cadeira de Teoria e Prática da Fotografia, no Curso de Comunicação Social e Cultural.

As suas fotografias fazem parte de colecções públicas e privadas em Portugal, (Instantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, Duna Parque Hotel Group, Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Museu de Fotografia de Braga, Museu de Jesus de Setúbal, Museu do Trabalho Michel Giacometti de Setúbal).

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Pode conhecer mais sobre o autor aqui.

Pode folhear o livro aqui.

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