FIDALGO PEDROSA, 40. O TEMPO NÃO PARA. TIME DOESN´T STAND STILL, 2015

“40. O tempo não para. Time doesn´t stand still”, de Fidalgo Pedrosa, está em exposição em Arruda dos Vinhos, no Centro Cultural do Morgado, na Rua Cândido dos Reis, de 9 de junho a 3 de julho de 2018.

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Fidalgo Pedrosa

40. O tempo não para. Time doesn´t stand still. Fotografia Photography 1975 – 2015

Fotografia: Fidalgo Pedrosa / Texto: Ana Homem de Albergaria, Fátima Cardoso, Fidalgo Pedrosa, João Veríssimo, Luís Osório, Marcos Fernandes, Mário Rui de Melo, Nélio Filipe, Susana Paiva / Conceção gráfica: Raquel Coelho e Bruno Rodrigues

Edição de Autor / Novembro . 2015

Português e inglês / 20,5 x 28,6 cm / 95 + 161 pp.

Cartonado / 300 ex.

ISBN: 9789892060392

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Ao longo da história da fotografia, alguns desenvolvimentos específicos ditaram grandes alterações e uma evolução significativa do médium. Sem dúvida, estes desenvolvimentos devem-se a descobertas e evoluções tecnológicas e químicas. A evolução e mudança dos suportes base é, sem dúvida, das grandes mudanças do paradigma da fotografia: na primeira metade da década de 1850, a mudança do daguerreótipo, em chapa de cobre para a chapa de vidro e a emulsão de colódio húmido, com o processo negativo-positivo, veio permitir a multiplicação das imagens; a evolução deste para o colódio seco no início dos anos 1880 foi outra grande evolução: era possível levar as chapas preparadas para onde quer que se fosse, sem ter de carregar o laboratório atrás. O abandono da chapa de vidro pelas emulsões em base de gelatina e a película em rolo, já no início do séc. XX, veio permitir as câmaras leves e portáteis, surgindo a primeira Leica em 1923, e tantas outras marcas e a possibilidade de disparos sucessivos. No início dos anos 2000, o filme foi substituído pelo digital, colocando a fotografia em qualquer telemóvel e permitindo a partilha imediata de qualquer imagem através da internet.

Todas estas mudanças permitiram, no seu tempo e com a sua evolução, uma maior democratização do médium, pela maior facilidade do processo, pela maior economia, pela maior leveza. Sem dúvida, a passagem do filme, analógico, para o digital, é uma das mais profundas e vivenciada por muitos dos que hoje fotografam.

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Isto também aconteceu com o Fidalgo Pedrosa e que espelha de forma especial nesta obra, onde revê os seus 40 anos de fotografia. Pedrosa desenvolve a sua obra em duas partes: o analógico e o digital. E cada uma assume o mesmo protagonismo: capa, textos, portefólio, biografia e agradecimentos. De facto, este livro tem duas capas: quando viramos (literalmente) o livro, passamos da fase analógica para a digital (ou desta para a analógica). Cada parte tem a sua paginação independente, como dois livros num livro único.

Destaque para o grafismo da capa e do miolo, o papel rígido, a impressão intensa.

Nos seus 40 anos de fotografia há um período inicial, analógico, de 1975 a 1981; depois de cerca de 28 anos sem fotografar, o digital surge a partir de 2010.

Como refere no prefácio, para Figaldo Pedrosa,

Fotografar é uma paixão e uma forma de expressão que me proporciona interação social, emoções e experiência de vida. (…)

Gosto das pessoas e de as fotografar numa perspetiva humanista e inclusiva.

É neste contexto de dedicação emocional à Fotografia que nasce o projeto 40 pela necessidade de partilhar e devolver à sociedade os trabalhos fotográficos feitos em suporte analógico e em suporte digital realizados durante o meu percurso de 40 anos enquanto fotógrafo.

Registar, preservar e divulgar os momentos humanos e a memória dos tempos sociais e políticos, tornou-se um prazer, uma motivação e um objetivo, respetivamente enquanto pessoa, cidadão e fotógrafo.”

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A parte analógica, desenvolve-se essencialmente de 1975 a 1981, com algumas incursões nos anos 2000, divide-se em 4 partes: Crianças, Gente, Social e Etc. A parte digital, de 2010 a 2015, divide-se em 3 partes: Geometria Descritiva, Instante Decisivo e Proximidade. Cada uma das partes tem um texto de um dos autores convidados: Fátima Cardoso, Ana Homem de Albergaria, nélio filipe, Susana Paiva, Marcos Fernandes, Mário Rui de Melo e João Veríssimo.

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O trabalho inicial de Pedrosa, no pós-25 de abril, é essencialmente de denúncia da pobreza, é centrado nas crianças e nos idosos, mais pobres, mas já com o olhar na rua, no espaço exterior e nessa vivência, que evolui para a street photography, já nos anos 2010, os instantâneos do dia-a-dia, centrando-se ora nas pessoas, ora nas geometrias do espaço, mas onde as pessoas têm obrigatoriamente uma presença.

Na parte analógica regista Portugal, no digital, além do seu país, sobretudo a capital, passa também por outros países e cidades: Madrid e Barcelona, Roma, Bruxelas, Edimburgo, Paris, Budapeste, entre outras.

Quando fala no “Analógico”, partilha:

Em 1975, a realidade social em Portugal, na sequência dos acontecimentos militares do 25 de Abril de 1974, era de esperança e de mudança.

Na altura a minha disponibilidade para “mudar o mundo” era proporcional à energia e à esperança dos 20 anos de idade e ainda ao momento político que atravessávamos, ….

A descoberta e consolidação da minha personalidade encontraram na técnica fotográfica a “ferramenta ideal” para conhecimento próprio, afirmação pessoal e cívica.

Ver e sentir o mundo social e estético, comunicando através da Fotografia a minha opinião e sensibilidade à sociedade, foi, de plena consciência, reconhecido como uma atividade de prazer e de descoberta.

Naqueles anos, fotografar situações menos positivas em bairros, cidades ou no mundo rural, era, genericamente, um ato desejável e bem recebido, pois associavam-se esses registos à esperança de que, com a divulgação, denúncia e exposição pública, a vida melhoraria.”

Fidalgo Pedrosa fotografou durante vários anos, esteve 28 anos sem fotografar e pegou de novo na câmara fotográfica. A sua área é a fotografia de rua, street photography. Em “Fotografar”, refere:

 Todos somos Observados.

(…) Sem que nos apercebamos ou sequer imaginemos, os outros, discretamente, observam o que fazemos.

Tornamo-nos assim, aos olhos dos Observadores, atores participantes de cenas reais ou imaginadas onde os “enredos” de amor e ódio, alegria e tristeza, encontros e desencontros, coincidências gráficas, momentos decisivos, únicos, irónicos ou irrepetíveis acontecem. (…)

Todos somos Observadores.”

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Destaco ainda as palavras de Luís Osório, sob o título “Um caçador do movimento interior”:

Nas fotografias de Fidalgo Pedrosa encontro um elo comum: o de me parecer, de um modo ou de outro, que o que vemos está no que pressentimos, no que não é ou está visível. O movimento das suas imagens é ferozmente interior; por vezes provoca-nos, noutras assemelha-se a um grito silencioso.”

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Fidalgo Pedrosa, 40. O tempo não pára. Time doesn´t stand still, 2015

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Fidalgo Pedrosa nasceu em Lisboa, a 18 de Fevereiro de 1955.

Fez  a sua formação fotográfica  na  APAF – Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, da qual foi dirigente entre 1978 e 1980, e no  IPF – Instituto Português de Fotografia, para além de” workshops e muita pesquisa, intuição e paixão”.

Em 1975, Inicia a prática da fotografia. Começou a expor individualmente em 1980 com “Fotografias a preto e branco”, APAF (Lisboa).  A partir de 2013 expõe regularmente em Portugal, Espanha, França e Brasil e publicou dois livros:  ” A vida num instante” e “40. O tempo não pára. Time doesn´t stand still”.

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