ANTÓNIO BRACONS, A NEW PERSPECTIVE ON RUI MACEDO’S ALEXANDER M. COLLECTION – I . FRAMES, 2018

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António Bracons, A new perspective on Rui Macedo’s Alexander M. Collection – I . Frames, 2018

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A exposição de pintura A new perspective on Alexander M. Collection, de Rui Macedo, esteve patente na Galeria Municipal Vieira da Silva, em Loures, de 11 de novembro de 2017 a 3 de fevereiro de 2018.

A Coleção de pintura de Alexander M. é composta por obras “atribuídas a cinco diferentes artistas, autores de obras divergentes, tanto em termos de técnica, como em termos de temática, escala, época, objetivos e ideais”, identificados apenas pelas suas iniciais e com percursos distintos:

M. A. R., (paisagens marinhas) foi um pintor-leitor. (…) A sua exclusiva representação de marinhas é totalmente paradoxal pois M. A. R. sempre viveu no centro da Europa, nunca viajou, nunca viu o mar, nem sequer por registos fotográficos. Sabe-se que era um leitor compulsivo e lia tudo o que foi escrito sobre o tema, preferindo as descrições literárias aos estudos científicos.

A. R. M. (retratos) foi um pintor com um projeto. O seu objetivo artístico foi retratar o mundo através das pessoas que o habitam. Retratar todas as pessoas do mundo. Uma utopia que levou à execução de milhares de pinturas (…) O próprio pintor morreu sem ter conseguido pintar todas as pessoas do mundo e sem discípulos que continuassem o seu projeto pictórico.

R. A. M. A. (pinturas de molduras com os vidros partidos) foi um pintor ladrão. Obcecado pela sua própria obra artística, R. A. M. A. Foi compulsivamente levado a roubá-la dos locais de exposição e das coleções onde estava representado. A sua patologia desenvolveu-se e acentuou-se até ao seu suicídio no final do séc. XIX (…) O que aqui se mostra é o que resta da atividade ilícita deste pintor-ladrão e do seu modus operandi para recuperar os seus trabalhos.

R. M. A. (pinturas tapadas) foi um pistor-copista da mais elevada competência. O seu trabalho centrou-se, exclusivamente, na cópia de pinturas com cenas obscenas e repreensíveis pela moral e bons costumes de uma determinada época (a sua) e que, por isso, nunca chegaram a ser de acesso público. (…) Foi o próprio R. M. A. que as cobriu e as deixou como são exibidas hoje.

M. R. A. (naturezas mortas) foi um notável pintor que antecedeu o grupo espanhol denominado “Los Cromáticos”. O seu foco de interesse sempre foi, obstinadamente, a Teoria das Cores com preferência para as cores complementares. (…) os temas que selecionou para representar na pintura não lhe interessavam a não ser como pretexto para aplicar os contrastes próprios da sua relação cromática predileta.

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Naturalmente, estes seis personagens, o colecionador e os 5 artistas, não são mais que heterónimos do autor, Rui Alexandre Macedo.

Macedo intervém no espaço: pintou as paredes da galeria de azul lápis-lazuli e, além das telas, pintou as molduras, que construiu, por vezes, com diferentes perfis, noutros casos fazem parte da própria tela.

“É precisamente neste universo que se move o trabalho de Rui Macedo, criação (ou ilusão?) de um discurso que questiona todos os pressupostos e normativos estabelecidos pelas instituições museais e pela museologia em si.

Rui Macedo não cria apenas obras artísticas; ele intervém em cada espaço de forma concreta e direcionada. Trabalha in-situ, em perfeito diálogo com a arquitetura do espaço, criando discursos específicos que questionam a própria estrutura e o funcionamento do meio artístico atual.

Deste modo, a exposição A new perspective on Alexander M. Collection assume-se como um projeto pensado e desenhado especificamente para o espaço da Galeria Municipal Vieira da Silva, tendo sido criadas cinco formas discursivas independentes, ficcionalmente atribuídas a cinco diferentes artistas, autores de obras divergentes, tanto em termos de técnica, como em termos de temática, escala, época, objetivos e ideais.”

Cláudia Camacho, curadora.

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António Bracons, A new perspective on Alexander M. Collection, de Rui Macedo, Aspetos da exposição, 2018

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