FLÁVIO ANDRADE, THE CITY IN MY MIND OR THE FEAR OF MY SKY

“The city in my mind or the fear of my sky”, de Flávio Andrade, está em exposição na A Pequena Galeria, na Av. 24 de Julho, 4C, em Lisboa, de 7 a 28 de abril de 2018.

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Flávio Andrade, The city in my mind or the fear of my sky, 2016-2018

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O trabalho The city in my mind or the fear of my sky que Flávio Andrade apresenta n’ A Pequena Galeria revela uma persistente procura pelas entranhas da vida, no espaço urbano. O seu interesse pela cidade como lugar descolado do real permite-lhe percorrer geografias imaginárias, onde os lugares fazem habitar personagens que se ocupam de tarefas marcadas pela pulsão do desejo. Como diz Flávio, estes personagens “imaginados na cidade ou no campo, situam-se sobretudo, na minha cabeça”, ora condicionados às vicissitudes do quotidiano, ora marcados pela presença de um temor que se sobrepõe à ficção, dando-lhes uma existência mais próxima do real, onde o desejo, a religião, o prazer, o sexo e o sofrimento deixam as suas marcas.

O fotógrafo mergulha no dilema apontado por Jacques Le Goff (Por Amor Às cidades: Conversações com Jean Lebrun) entre a cidade real e a cidade imaginada. Esta dicotomia permite ao sujeito experiências que forçosamente atravessam as várias camadas do tempo e do espaço, instalados na malha urbana. Factores como a pressão, o desgaste, a alienação, a contaminação, o condicionamento de espaço, influenciam as relações entre sujeitos. Para o artista, estas ligações são mais marcadas pelos segredos do que pela partilha.

A cidade é como um corpo colectivo de micro e macro acontecimentos paralelos. O conjunto de fotografias expostas n’A Pequena Galeria apontam para esse sistema de ocorrências simultâneas. A interação entre as imagens orienta o olhar do espectador para um conflito entre a transparência e a opacidade, sugerida nas fotografias. Nesta existência simultânea encontramos ainda os corpos traçados de forma fragmentada, relacionando-se entre eles, como na referência de Le Goff a propósito da ideia dos cemitérios (ou cidade dos mortos), locais que, com o alargamento dos espaços urbanos, deixaram de estar fora da cidade e passaram a estar integrados no seu interior, adaptados como áreas de sociabilização. Este deslocamento abre um campo alargado de geografias imaginárias na relação quotidiana com a morte. No projecto The city in my mind or the fear of my sky esta ideia permanece como mote para uma aproximação às fotografias.

Orlando Franco, Curador

Professor na Universidade Lusófona

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Flávio Andrade registou a maior parte das fotografias em Lisboa, no Barreiro e em Almada, entre 2016 e 2018. O flash é um modo de destacar o objeto, criando altos contrastes, as impressões são de um negro profundo. A noite, é a noite, à noite. A cidade. “A noite traz-me sempre algo de mágico e misterioso; daí a escolha do flash, que serve para enfatizar a sensação de ausência, solidão, medo e sonho.”

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“The city in my mind or the fear of my sky”, de Flávio Andrade, está em exposição na A Pequena Galeria, na Av. 24 de Julho, 4C, em Lisboa, de 7 a 28 de abril de 2018.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2018

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Flávio Andrade (Moita, 1964)  é formado em Fotografia pelo Ar.co (1998) – Centro de Arte e Comunicação Visual.

Como artista visual dedica-se exclusivamente à realização de projectos pessoais tendo como suporte a fotografia e o video. Expõe com regularidade.

É formador no Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), onde lecciona cursos de fotografia e fotojornalismo. Colaborou na área do fotojornalismo durante vários anos para várias instituições, jornais e entidades públicas e privadas, tanto nacionais como estrangeiras onde ainda mantém ligação.

Entre 2003 e 2013 foi professor assistente na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde co-leccionou a cadeira de Teoria e Prática da Fotografia, no Curso de Comunicação Social e Cultural.

As suas fotografias fazem parte de colecções públicas e privadas em Portugal, (Instantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, Duna Parque Hotel Group, Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Museu de Fotografia de Braga, Museu de Jesus de Setúbal, Museu do Trabalho Michel Giacometti, Setúbal).

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Portfólio remetido pelo autor.

Pode conhecer melhor o trabalho de Flávio Andrade aqui.

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