CLÁUDIO GARRUDO, LUZ CEGA

Exposição em Lisboa, na Ermida Nossa Senhora da Conceição, Travessa do Marta Pinto, 21, de 06 de janeiro a 21 de fevereiro de 2018
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António Bracons, Aspetos da exposição e série “Luz Cega”, de Cláudio Garrudo, Ermida Nossa Senhora da Conceição, 2018.

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O céu é o grande écran do mundo.

Foi o primeiro e será o último,

se houver fim para o que teve princípio.

José Manuel dos Santos in catálogo da exposição

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O céu. É o céu que vemos nas fotografias de “Luz Cega”. O céu azul, muito azul. Com muita luz. O céu com nuvens. De um azul profundo e branco.

Cláudio Garrudo foi à cianotipia buscar o azul que adensa o céu e ressalta as nuvens, numa “Luz” intensa.

No interior da capela, aquele Céu e aquela Luz, são um Céu e uma Luz espiritual. Um espiritual religioso, ou um espiritual ‘simplesmente’. Que nos desafia a questionar, a procurar, a discernir, a ver, a confiar.

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Lemos na folha de sala:

Desde logo “Luz Cega” interpela-nos sobre se é a luz que nos cega ou se cegos ficamos pela luz, o que, podendo ser uma redundância, não o é pelo sentido subjacente a este mais recente trabalho de Cláudio Garrudo. A sua diferença está no sujeito da acção e na intenção que a suporta. Será, então, a luz, a fé, a crença que nos torna cegos, ou, em outra perspectiva, somos nós mesmos que nos deixamos cegar pela azafáma e imediatismo deste nosso tempo. Esta é a dialética que Cláudio Garrudo sugere a partir destas imagens, um projecto “site-specific”, pensado no significado e na religiosidade desta ermida, lugar de culto, outrora religioso. O culto, esse, poder-se-á dizer assume agora outras acepções, como por exemplo o dar lugar à reflexão sobre o mundo contemporâneo e as circunstâncias que nos rodeiam. A voracidade com que tudo acontece em muito se aproxima dos 8.3 minutos que a luz demora a percorrer a distância do Sol à Terra, e ainda assim ensejamos “ver a luz”, e, amiúde, insistimos cegamente, porque sem pensar, nessa procura, não dando tempo, não sabendo esperar pelo tempo, esse que se pode ganhar, ao invés de se perder. O véu diáfano que tem percorrido a obra de Cláudio Garrudo surge, aqui, através da luminosidade seja no conteúdo desta exposição, seja no seu aspecto formal, ao recorrer ao clássico e vagaroso processo de revelação por raios de luz ultra-violeta. Espaço e tempo juntam-se, portanto, nesta “LUZ CEGA”, o espaço para a reflexão que simboliza os templos, religiosos ou artísticos, e o tempo que deveríamos cada vez mais reclamar para dizer que não queremos ficar nem ser cegos no nosso pensamento e lucidez.”

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Cláudio Garrudo é “Fotógrafo, produtor cultural e pai, actividades a que se dedica de alma e coração. Dizem-lhe que nasceu em Lisboa em 1976, mas não se lembra. Já expôs individualmente em Portugal, Espanha, República Checa, Eslováquia e Roménia, participou em feiras de arte em Miami, Nova Iorque e Madrid, ganhou o primeiro prémio da VII edição da Bienal de Coruche e editou diversos livros de fotografia. É representado pela Galeria das Salgadeiras em Lisboa e artista convidado da H’art Gallery (Bucharest). Organizador do Bairro das Artes e do Mapa das Artes, membro da direção da associação Isto não é um cachimbo, consultor da INCM e coordenador editorial da Série PH (colecção de livros de fotografia). O seu trabalho artístico assenta na influência do cruzamento de diferentes territórios como a pintura, a música ou a literatura. Do ponto de vista formal há como que um véu diáfano sempre presente nas suas imagens e que é uma marca identitária do seu trabalho.”

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Poe conhecer melhor o trabalho de Cláudio Garrudo aqui.

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