FLÁVIO ANDRADE, CIRCLE OF LIFE, 2017

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Flávio Andrade

Circle of Life

Fotografia e texto: Flávio Andrade

Flankus Books / Novembro . 2017

Português e inglês / 21,0 x 15,0 cm / 60 págs.

Brochura / 75 ex.

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“Circle of Life” é o terceiro livro de Flávio Andrade (Moita, 1964).

As fotografias deste livro são todas sobre a horizontal, mancha idêntica, apenas as páginas ímpares, que se abrem aos olhos do leitor acolhem imagens e texto. “Start”, “Middle”, “End” – Princípio, Meio, Fim – são as três partes que o compõem. As imagens, fortes e poderosas, a preto e branco, marcam um percurso do olhar e do sentir. Emoções.

Do infinito ao infinito.

Pelo meio, a nossa finitude.

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Escreve o autor, a abrir o projeto (em português, em inglês a encerrar):

Circle of Life é o resultado de uma depuração estética, que funciona como uma passagem entre momentos, mais ou menos visíveis, num círculo temporal, imaginário, conceptualizado com mensagens submersas, iconicamente.

É uma deambulação entre instantes, uma visita sem guia, com mais ou menos referências geográficas. Sem a necessidade de mostrar ou expor, mas sim de reportar um olhar ou olhares.

Não existe uma relação lógica e formal entre as imagens no contexto vida-morte ou nascimento-falecimento. Mas, sim, uma energia contida em cada uma das fotografias, que me remete para emoções, experiências e transposições.

A relação sequencial é ela também em si, um modo de provocar o olhar para além da imagem. O ser o trabalho a preto e branco, deve-se, em muito, a essa crueza e nudez que a ausência de cor provoca no real e que quis introduzir, libertando-o para o imaginário, o meu imaginário.

Em suma, Circle of Life é um círculo de emoções contidas, não visíveis de imediato, sobre a vida, esta vida que aqui mostro.

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José Soudo, fotógrafo e docente de Fotografia e História da Fotografia, escreveu sobre esta obra:

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A propósito deste livro “Circle of Life”, do Flávio Andrade e para além do que ele próprio escreveu sobre o seu trabalho, apenas acrescento a mais o meu próprio sentir, quando me confronto com estas fotografias, por ele produzidas e editadas neste projecto.

Olhei muitas vezes e “li” com profundíssima atenção, estas imagens escolhidas pelo Flávio, e por isso sinto-me tentado a ver passar pelos meus olhos, outros projectos recentes, quer do século XX como do XXI, imagens do nosso tempo. Imagens dos nossos tempos.

Quero ver por aqui, fotógrafos como o Victor Palla ou o António Júlio Duarte, o Joel Meyerowitz ou o Eugene Richards, o Garry Winougrand ou o Tony Ray Jones, e, e, e… ou, ou, ou…

Porquê estes? Porque não outros?

Porque, as memórias são selectivas e também porque as memórias são traiçoeiras, nada mais.

Não há aqui nenhuma injustiça em relação a outros fotógrafos que também poderia ter convocado, tão ou mais importantes que estes.

São estes no entanto, pela sua heterogeneidade, e também pela sua coerência, suficientes para suportar o meu raciocínio e isso basta-me para justificar o turbilhão das minhas memórias e por isso aqui vão então as minhas justificações.

Nestas fotografias e na sua escolha, ponto para mim tão ou mais importante que o próprio acto de fotografar, o Flávio Andrade incorpora subtilezas que são muito mais que o “momento decisivo”, dito Bressoniano.

Nestas fotografias estão/estarão “a decisão da indecisão do conteúdo”, logo e daí, tanta tensão latente ou tanta tensão evidente.

Escolham o vosso próprio ponto de vista.

Tensão essa, muito Pessoana, pois tal como Álvaro de Campos nos diz, o Flávio também me faz sentir que “o que é, não é o que é, mas o que parece que é”, algo que só a fotografia com a sua ilusão de mostrar a realidade, nos pode permitir, ao subvertê-la – a realidade – e trazer o que vemos, para o campo das memórias e não da verdade ou das verdades.

Insisto para mim e apenas para mim, que não há nada mais difuso do que as memórias do nosso ciclo de vida, do nosso circulo de vida.

E mais não digo, a não ser que este livro, para mim não é um livro.

É uma exposição de bolso, muito intimista…obviamente para quem gosta de fotografia com F muito grande, em oposição ao corriqueiro show-off de imagens aos milhões, que nos inunda o quotidiano e que mais não é que ruído visual…

Flávio, Parabéns por este “Circle of Live”.

Flávio, obrigado por esta partilha que nos permite ver um pouco mais fundo, mais profundo, do que és como pessoa e como Fotógrafo, neste círculo de emoções contidas, tal como tu próprio o dizes.

Lisboa, 11 de novembro de 2017″

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Flávio Andrade, Circle of Life, 2017

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Flávio Andrade (Moita, 1964) é formado em Fotografia pelo Ar.co (1998) – Centro de Arte e Comunicação Visual.

Como artista visual dedica-se exclusivamente à realização de projectos pessoais tendo como suporte a fotografia e o video. Expõe com regularidade.

É formador no Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), onde lecciona cursos de fotografia e fotojornalismo.

Colaborou na área do fotojornalismo durante vários anos para várias instituições, jornais e entidades públicas e privadas, tanto nacionais como estrangeiras onde ainda mantém ligação.

Entre 2003 e 2013 foi professor assistente na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde co-leccionou a cadeira de Teoria e Prática da Fotografia, no Curso de Comunicação Social e Cultural.

As suas fotografias fazem parte de coleções públicas e privadas em Portugal, como Instantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, Duna Parque Hotel Group, Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Museu de Fotografia de Braga, Museu de Jesus de Setúbal, Museu do Trabalho Michel Giacometti de Setúbal.

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Pode conhecer mais sobre o autor aqui.

Pode folhear o livro aqui.

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