IMPLOSÕES, CONSTRUÇÕES E DEMOLIÇÕES. A EVOLUÇÃO DE UMA CIDADE VISTA ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA

Exposição patente no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, de 27 de julho a 18 de novembro de 2017.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2017

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Uma cidade encontra-se em permanente modificação, não só humana, mas também física. A recuperação, conservação e manutenção do seu património obrigam a obras permanentes, agora numa zona, depois noutra.

Para além destas, a construção de novos edifícios, equipamentos ou infraestruturas é permanente. Novos bairros que surgem, ou a substituição de edifícios existentes por outros mais modernos, leva à demolição do existente, por vezes por implosão, a aterros ou escavações e às novas construções.

Esta

exposição apresenta uma seleção de imagens provenientes do acervo do Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, de autores como Wenceslau Cifka, José Bárcia, Eduardo Portugal, Paulo Catrica, Pedro Letria, entre outros.

Abrange diferentes épocas de produção fotográfica que documentam vários contextos da cidade de Lisboa onde estas ações são evidentes. As imagens revelam a construção, a demolição e a implosão de edifícios e outras estruturas, fixando momentos irrepetíveis destes processos, testemunhando as variadíssimas transformações do espaço público e do património construído da capital.”

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Podemos assim ver um conjunto significativo de obras, através da fotografia e testemunhar o crescimento da cidade.

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As mais antigas referem-se ao Arco da Rua Augusta: Wenceslau Cifka fotografa a construção:

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Wenceslau Cifka, [Construção do Arco da Rua Augusta], c. 1862

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E temos uma de um turista (?), Calmels (?) que apresenta o Arco Triunfal:

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Autor não identificado, [Arco da Rua Augusta], 1873-03-19. A inscrição no original: “Le crayon au peintre, l’ébauchoir et le ciseau au Sculpteur / C’est pourquoi, Mon cher Gomes, je me contente de vos offrir / une épreuve photographique de mon groupe de l’Arc Triomphal / An. Calmels / 19 mais 1873”

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Alguém registou a demolição do arco grande do Aqueduto das Águas Livres, na Rua de Santo António à Estrela:

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Autor não identificado, Demolição do arco grande do Aqueduto na rua de Santo António à Estrela, 1897-04-10

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José Artur Leitão Bárcia captou a evolução da construção do Hospital Júlio de Matos, de que se mostram 13 imagens:

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José Artur Leitão Bárcia, Hospital Júlio de Matos, c. 1942

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Outras grandes obras são também registadas, por vezes na sua amplitude, como a construção do Bairro de Alvalade e do jardim do Campo Grande e do Instituto Superior Técnico:

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Abreu Nunes, [Bairro de Alvalade e jardim do Campo Grande], [c. 1953],

José Pedro Pinheiro Corrêa, [Instituto Superior Técnico], [c. 1934]

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Judah Benoliel regista a demolição do prédio onde estava instalada a padaria Castanheira de Moura – e da sua chaminé:

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Judah Benoliel, [Demolição do prédio onde estava instalada a padaria Castanheira de Moura], (195-).

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O crescimento da cidade leva à construção da avenida Infante Santo e, para tal, a demolição de um troço do aqueduto das Águas Livres, mereceu a atenção de Júlio Marques da Costa:

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Júlio Marques da Costa, [Demolição do troço do aqueduto das Águas Livres na zona das terras de Santana, para a abertura da avenida Infante Santo], 1949-05-09

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E, já nos anos 60, a construção do Metropolitano de Lisboa, num aspeto de Arnaldo Madureira:

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Arnaldo Madureira, [Metropolitano de Lisboa – obras], 1965-04.

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bem como da Ponte sobre o Tejo, inaugurada como Ponte Salazar, depois Ponte 25 de Abril, estas mostradas num diaporama, com imagens de Artur João Goulart (1962), Helena Corrêa de Barros (1965-08-14), Casa Fotográfica Garcia Nunes (1962-66), Artur Inácio Bastos (1962-66) e Arthur William Smith (1964-66):

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Construção da Ponte sobre o Tejo, Helena Corrêa de Barros, [1 fotografia, cor], (1965-08-14); Casa Fotográfica Garcia Nunes, [4 fotografias, preto e branco], (1962-66); Arthur William Smith, [5 fotografias, cor], (1964-66)

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Na década de 1990 destaca-se a recuperação da Zona Oriental, com a construção da EXPO’98, registada através de diversos levantamentos aéreos que mostram a evolução da sua edificação:

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Autor não identificado, [Levantamento aéreo da zona de intervenção da Expo’98 – Exposição Internacional de Lisboa], Voo: 12h43min. – 22 de maio de 1997, Estereofoto.

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Para a realização da EXPO´98, houve que realojar numerosos agregados que residiam na Zona de Intervenção, sendo para tal edificados vários bairros de habitação social (não só em Lisboa), alguns deles registados por Pedro Letria:

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Pedro Letria, Bairro do Armador, 1998; Rua Ricardo Ornelas, no Bairro da Flamenga, 1998

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Poucos anos depois, a construção dos novos estádios do Sport Lisboa e Benfica e do Estádio José de Alvalade, para a 12.ª edição do Campeonato Europeu de Futebol – EURO2004, foram gravadas por Paulo Catrica:

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Paulo Catrica, Interior do novo estádio do Sport Lisboa e Benfica, 2.º anel, 2003-05-15; Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 2003-07-18.

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Junta-se numa prateleira elevada os 37 volumes de projeto de construção do centro comercial Monumental, sendo os primeiros 7 volumes da demolição do Cinema Monumental.

Esta exposição mostra como uma das competências mais importantes de uma câmara municipal, o licenciamento urbano, permite uma visão transversal sobre o desenvolvimento da cidade. Não está aqui mostrado através dos projetos, mas do registo da fotografia, recorrendo a um conjunto significativo de fotógrafos da capital: Abreu Nunes, António Serôdio, Arnaldo Madureira, Arthur Júlio Machado, Artur Inácio Bastos, Artur João Goulart, Artur William Smith, Augusto José Fernandes, Eduardo Portugal, Casa Fotográfica Garcia Nunes, Ferreira da Cunha, Helena Corrêa de Barros, João Brito Geraldes, Joshua Benoliel, José Artur Leitão Bárcia, José Cândido d’Assumpção e Sousa, José Pedro pinheiro Correia, Judah Benoliel, Júlio marqes da Costa, Kurt Pinto, Mário de Oliveira, Paulo Catrica, Pedro Letria, Wenceslau Cifka, bem como uma instalação de Mónica de Miranda, e “Em simultâneo, decorre uma instalação sonora da autoria de Fernando Fadigas concebida especificamente para a exposição”, representando o ruído de obras.

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Exposição patente no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, de 27 de julho a 18 de novembro de 2017.

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