FERNANDO GUERRA, RAIO X DE UMA PRÁTICA FOTOGRÁFICA

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Fernando Guerra, Projetos diversos, 2000 – 2017

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As fotografias de Fernando Guerra mostram a arquitetura humanizada. Interessa-lhe as obras habitadas. Os edifícios ou outras construções concluídas e habitadas, utilizadas. A presença humana – no interior ou no exterior – é uma constante das suas imagens, quer como fator de escala, quer como testemunho do habitado, do vivenciado.

Não foi fácil escolher algumas imagens para apresentar o seu trabalho aqui. A qualidade, a beleza das suas imagens, a vida, a cor, não tornam fácil uma seleção, reduzida por natureza. E o seu site apresenta um vasto panorama da arquitetura contemporânea portuguesa.

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Vem esta apresentação a propósito da exposição de Fernando Guerra que apresenta na Garagem Sul do CCB e está prestes a terminar (nem sempre tenho a disponibilidade que gostaria, para poder apresentar atempadamente muito do muito bom que se faz em fotografia em Portugal).

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Fernando Guerra (Lisboa, 1970), licenciou-se em arquitetura pela Universidade Lusíada de Lisboa (1993 e trabalhou durante cinco anos em Macau como arquiteto (1994-1999). Foi professor da cadeira de Projeto II no curso de Arquitectura da ARCA-EUAC – Escola Universitária das Artes de Coimbra (1999-2005).

Dedicando-se à fotografia de arquitetura, criou em 2000, com o seu irmão Sérgio o estúdio FG + SG, destacando-se como fotógrafo na sua especialidade e os projetos fotografados são já 1140 entre os realizados em Portugal e no resto do mundo, quer sejam de autores portugueses, como Álvaro Siza, Carlos Castanheira, Manuel Mateus, Manuel Graça Dias, Gonçalo Byrne, ARX Portugal, João luís Carrilho da Graça, Promontório Arquitectos, para referir só alguns, ou estrangeiros, podendo referir-se Márcio Kogan, Isay Weifeld, Arthur Casas, Zaha Hadid, Pei Cobb Freed & Partners. “Juntos são responsáveis por grande parte da difusão da arquitectura contemporânea portuguesa, nos últimos quinze anos.”

As suas fotografias são publicadas em muitas revistas da especialidade, como Casabella, Wallpaper*, Dwell, Icon, Domus, A+U, além de livros e monografias, estando desde 2008 agenciado por VIEW Pictures, Londres – Reino Unido; e também, desde 2006 agenciado por FAB PICS – International Architecture Photography, Colónia – Alemanha. O seu trabalho encontra-se representado em diversas coleções particulares e públicas e em 2015 o MoMa – Museu de Arte Moderna de Nova Iorque adquiriu seis trabalhos de Fernando Guerra para a sua coleção permanente.
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O site do autor (link abaixo), “tornou-se no ponto de partida para consultar arquitectura contemporânea portuguesa com mais de seiscentas reportagens online, bem como artigos especiais e publicações.”

Sobre o fotógrafo, podemos ler:

“Fernando Guerra é fotógrafo de arquitectura. A sua formação, porém, é de arquitecto. O seu olhar divide-se entre dois modos distintos de construir o mundo. Por esta circunstância, ele encontra-se numa posição privilegiada para protagonizar a metamorfose do campo fotográfico que fará com que esta prática de criação de imagens se venha a identificar, em parte, com o próprio campo arquitectónico.

Para compreender o espaço, os arquitectos, eventualmente com uma intencionalidade mais consciente que os simples utilizadores, circulam pelos edifícios. Captam a espacialidade da arquitectura deambulando, perscrutando, fazendo associações de ideias, de formas, de dimensões. É através desse movimento que descobrem as infinitas variáveis do espaço arquitectónico, as singularidades que fazem distinguir um espaço significante da miríade de construções insignificantes que invadem o nosso campo visual. E fazem-no cruzando aquilo que vêem com as memórias de outros edifícios que transportam consigo, muitas vezes adquiridas através da observação mediada pela fotografia. A nossa cultura arquitectónica, na impossibilidade de visitar todos os edifícios do mundo, é maioritariamente construída através do olhar de outros.

É neste sentido que Fernando Guerra lança um olhar generoso sobre a arquitectura que regista. Entre os edifícios que fotografa, não se percebe, exactamente, um juízo de valor sobre os conteúdos da arquitectura; antes um controle, ao nível das emoções, que busca homogeneizar todos os registos. Portanto, cultiva-se a ausência de qualquer moralismo-crítico que possa interferir com o resultado final da imagem e que busca posicionar-se (arquitectonicamente) num plano neutral, valendo-se a si mesmo. É simultaneamente um mundo onde não há arquitecturas melhores, nem piores. O fotógrafo, ao contrário do fotógrafo-artista, é convocado e responde através do seu conhecimento de expert. Se manipula a imagem, isto é, se lhe retira um excesso qualquer de “realismo”, fá-lo consciente que trabalha num domínio de imparcialidade.”

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Folha de sala, rosto

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O texto da folha de sala da exposição, da autoria de Luís Santiago Baptista, curador da exposição, apresenta-nos a sua obra:

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Folha de sala, fragmento

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Em 2012, Fernando Guerra foi nomeado Canon Explorer, assumindo o papel de embaixador da Canon Europa ao nível da fotografia de arquitetura. É também embaixador da Porsche, uma paixão. Na exposição estão também alguns automóveis.

Entre outros prémios, foi o vencedor do Award in the Architecturre + Photography 2016 da Achitizer “Architectural Photographer of the Year 2015”, da Arcaid Images e da Plataforma Arquitectura, “Obra del año 2015”.

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Fernando Guerra, Aspetos da exposição “Raio X de uma prática fotográfica”, 2017

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A exposição Raio X de uma prática fotográfica, que se apresenta na Garagem Sul – Exposições de Arquitetura, do Centro Cultural de Belém, de 11 de julho a 15 de outubro de 2017, com curadoria de Luís Santiago Batista, apresenta a obra do fotógrafo Fernando Guerra em duas grandes linhas: o percurso biográfico, através de um friso cronológico da sua atividade, com uma extensão de cerca de 50 m, e uma seleção da sua obra, em maior dimensão.

O friso, além de apresentar o percurso cronológico da sua atividade, por anos, onde mostra, do lado esquerdo, uma imagem de cada projeto fotografado e do direito, uma linha de livros e revistas desses anos (algumas), em que as suas imagens fazem a capa, para além do equipamento que utilizou, do analógico ao digital, slides, provas, apresentações, fotografias, quer do arquiteto Siza Vieira, de que é o fotógrafo há bastantes anos, a outros projetos paralelos: imagens e edições, cartazes de exposições, merchandising da sua marca… Uma “fotobiografia” do autor.

Em diversas telas projeta fotografias em grande dimensão, segundo linhas temáticas: Álvaro Siza Vieira, dia, noite, território, são apenas algumas. Cinco caixas apresentam com imagem e som o testemunho de cinco críticos sobre a sua obra: Álvaro Domingues, David Santos, Jorge Figueira, Pedro Gadanho e Susana Ventura.

Paralelamente ao friso cronológico, um conjunto de pouco mais de meia centena de molduras abriga, cada uma, duas fotografias de uma ou duas obras de um atelier, devidamente identificadas.

Ao fundo, em cada um de três núcleos, apresenta 3 fotografias, “escolha” sua.

Algumas infografias complementam a exposição, dando informação estatística sobre o trabalho do fotógrafo.

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Pode conhecer melhor o trabalho de FG+SG aqui.

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