FOTOGRAFIAS DA ATRIZ: COLEÇÃO REY COLAÇO

.

.

.

Este slideshow necessita de JavaScript.

António Bracons, Aspetos da exposição, 2017

Destacam-se as imagens: [Amélia Rey Colaço ao colo de uma das criadas da família, no jardim da casa de Lisboa], Junho de 1899 – [Amélia Rey Colaço em preparação para a sua primeira interpretação teatral na peça Marianela], Outubro 1917 –  [Amélia Rey Colaço na casa de família, em Lisboa], 1919 – [Fotogramas de cópia cinematigráfica do filme O Primo Basílio], 1923

.

.

A folha de sala identifica as fotografias expostas:

img074

img075

Folha de sala, pág. 2 e 3, identificação das imagens expostas.

.

.

.

Uma coleção, um arquivo de fotografia tem múltiplas vertentes e múltiplos caminhos possíveis, particularmente quando esse arquivo é de uma instituição, como um município. A responsabilidade e o interesse são acrescidos.

Não é só o testemunho da paisagem e da evolução física do território do município, de momentos de celebração ou de tragédia, das vivências dos seus habitantes, sejam do povo e dos trabalhos quotidianos, seja dos vultos das várias áreas ou dos decisores, em fotografias institucionais, os retratos individuais, familiares ou de grupo, as cerimónias de casamento ou batizado ou outros momentos, que fotógrafos profissionais ou amadores registam.

O registo dos amadores é também muito importante. E são também muito importantes os registos daqueles que nem são amadores, o snapshot ou instantâneo, os registos de família, as vivências intimistas, partilhadas por familiares e amigos mais chegados (no tempo em que não havia redes sociais e não se expunha a vida ou as vivências perante todos…)

E, quantas vezes estes registos adquirem grande importância, pelo testemunho de uma época ou de um extrato social, pelo fotografado ou pelo fotógrafo – pelo seu espólio ou para a sua história e compreensão, por exemplo – ainda que parte da sua obra se situe fora da área do município.

Assim, a vivência da menina, depois atriz e “grande senhora” do teatro, Amélia Rey Colaço é, sem dúvida, importante. Pela história da pessoa, pelos hábitos e costumes, no caso, pelo teatro (e cinema) representado. Fotografias feitas por familiares e amigos e também por grandes fotógrafos. E, de ressaltar também, a apresentação de frames de um filme, como fotografias (que são) de cena.

.

img072

Marcador (frente e verso)

.

A folha de sala apresenta a atriz:

Amélia Rey Colaço (Amélia Schmidt Lafourcade Rey Colaço) nasceu a 2 de março de 1898, em Lisboa e morreu a 8 de julho de 1990, filha de Alice Lafourcade Schmidt (1865-1938) e Alexandre Rey Colaço (1854-1928), reconhecido compositor e professor de música.

Teve três irmãs: Jeanne Lafourcade Rey Colaço Castro Freire, Alice Lafourcade Rey Colaço Menano e Maria Lafourcade Rey Colaço.

Casou com o ator Felisberto Manuel Teles Jordão Robles Monteiro (1888-1958), em 1920, com quem teve uma filha, Mariana Dolores Rey Colaço Robles Monteiro Lino (1922-2010), a qual doou a coleção de fotografias da família Rey Colaço, com imagens do final do século XIX e princípio do século XX, ao Arquivo Municipal de Lisboa/Fotográfico, em 2005.

A fotografia acompanhou o ambiente familiar com imagens do quotidiano nas casas de Lisboa e do Estoril, do convívio das irmãs e dos pais, de familiares, amigos próximos, empregados e animais de estimação. Na coleção também existem fotografias das poses de encenação para a sua primeira peça teatral Marianela, posturas teatrais e um pequeno conjunto de fotogramas do filme mudo O Primo Basílio, de 1923, no qual contracena com o seu marido Robles Monteiro.

A atriz Amélia Rey Colaço foi muito influenciada pelo ambiente familiar artístico dos pais e, principalmente, pelo gosto da representação, transmitido pela sua avó Madame Kirsinger, que tinha um salão artístico em Berlim. Estreou-se no teatro República (atual teatro São Luiz) em 1917, na peça Marianela, com 19 anos, no papel de uma vagabunda, evidenciando uma postura teatral que entusiasmou o público e a crítica da época. Com as lições de Augusto Rosa, reconhecido ator e amigo do seu pai, adquiriu a disciplina e a exigência de estar em palco num período em que ser atriz não era bem considerado na sociedade, sendo facilmente um foco de intriga.

Em 1921 fundou a companhia teatral Rey Colaço – Robles Monteiro com o seu marido, mantendo-a durante 53 anos, dos quais 35 foram no palco do Teatro Nacional D. Maria II. Apesar da morte do ator Robles Monteiro em 1958, a atriz continuou o seu trabalho com a companhia até 1974, quando se dá a revolução do 25 de abril. No período subsequente ainda representou alguns papéis, tendo também passado pela televisão.

A atriz é uma referência para o teatro nacional pela longa carreira, exigência profissional e bom gosto, que se refletia também nos cenários, figurinos e adereços, empenho e dedicação à arte de representar em palco.”

.

.

Esta folha enquadra ainda a importância da fotografia de cena:

.

O AML | Fotográfico ressalta a importância da fotografia de cena, a que destinou a [ANTE]câmara, pois:

A fotografia de cena, nunca exposta no Arquivo Municipal de Lisboa / Fotográfico, constitui atualmente um foco de interesse para todo o tipo de público que reconhece a vantagem de documentar as ações performativas, inerentes à cena teatral e fílmica dos momentos de ensaios, do plateau e bastidores, bem como dos espetáculos de dança e teatro, efémeros e irrepetíveis.

Com um vasto inventário de imagens documentais sobre o mundo do espetáculo – retratos de atores, imagens de cartazes dos espetáculos em cena, dos ensaios, das peças teatrais e de filmagens – apresentamos três momentos expositivos, um primeiro a partir do contributo do fotógrafo de cena e de eventos, Artur Bourdain de Macedo (1917-1997) [no Fascínio da Fotografia, aqui], dando destaque àquele que documenta, numa presença quase impercetível mas determinante para a constituição de uma memória do efémero; em seguida, um conjunto de imagens privadas da atriz Amélia Rey Colaço (1898-1990), focado na expressão corporal para preparar e desempenhar os seus primeiros papéis no teatro e no cinema; por fim, um elenco de retratos de atores e atrizes, bem como de cenas teatrais, provenientes de distintas épocas e coleções fotográficas, numa proposta discursiva que constrói e divulga o espetáculo a partir dos intervenientes e da ação performativa.

.

.

.

19990606_1895346820677251_7308287934393668099_n

.

Exposição patente na [ANTE]câmara do Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, de 27 de julho a 14 de outubro de 2017.

.

.

.

Anúncios