BENEFICIAR (CIT.), EUGENE ATGET

90 anos da morte de Eugene Atget (Libourne, França, 12.02.1857 – Paris, França, 04.08.1927)

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Agora que me estou a aproximar da velhice – isto é, setenta anos – e não tenho herdeiro nem sucessor, estou preocupado e atormentado pelo futuro desta bela coleção de negativos, que pode cair em mãos inconscientes da sua importância e, em última instância, desaparecer sem beneficiar ninguém.”

Eugene Atget, 1920

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Atget,Rue de la Montagne-Sainte-Geneviève,1924

Eugene Atget, Rue de la Montagne-Sainte-Geneviève, 1924. Col. The MET (aqui).

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Para todos os autores e artistas, a preocupação com a preservação do seu trabalho, para além da sua vida, é uma realidade: trata-se da memória, do testemunho, da arte, da vida, da criatividade.

Também para Atget, que tinha na sua “posse todo o Velho Paris”, a preocupação da sua preservação era manifesta. Mais que a preservação da sua memória, a preservação da “sua” Paris, que entretanto dera lugar à nova Paris do séc. XX.

Atget não era completamente desconhecido, pois vendia fotografias (provas) a particulares e instituições e a Bibliothèque Nationale tinha-lhe já adquirido 5 álbuns com 600 provas.

No entanto havia a preocupação da conservação do seu espólio, nomeadamente das placas de vidro, os negativos, essenciais para novas reproduções, bem como as muitas reproduções que possuía. É assim que em 1920 contacta Paul Léon, diretor das Belas Artes (citação), o Ministério adquire por 10.000 francos 2.126 placas de vidro, hoje conservadas nos Archives Photographiques du Fort de Saint-Cyr, às quais se juntaram mais 2.000 placas após a morte de Atget.

Nos últimos anos de vida conhece o seu vizinho da rue Campagne-Premiére, Man Ray e a sua amiga Berenice Abbott, que divulgará o seu trabalho nos Estados Unidos. Com a morte de Atget, André Calmettes, amigo e herdeiro universal, vende o espólio do artista, o que leva à sua dispersão. Abbott adquire 1797 placas de vidro e 2.000 provas, que em 1968 venderá ao MoMA – Museum of Modern Art, de Nova Iorque (cf. Laure Beaumont-Maillet (présentation), Atget Paris, Paris: Hazan, 1992).

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Berenice Abbott -Atget-1927

Berenice Abbott, Atget, 1927

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A Bibliothèque Nationale de France, a Mission du Patrimoine Photographique (Caisse Nationale des Monuments Historiques et des Sites), o Musée Carnavalet ou o Institut Français d’Architecture, o MET – Metropolitan Museum de Nova Iorque, entre muitas outras instituições, têm as suas imagens: chapas de vidro, provas, álbuns, as quais têm sido objeto de exposição e publicação  e são um recurso único e precioso, quer para conhecer a grande capital europeia, Paris, a Paris do séc. XIX, na sua arquitetura e paisagem, mas também profissões, vivências, hábitos, costumes…

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