ATELIER DE LISBOA, A CIDADE – 1. A CIDADE EXTERIOR

A exposição A Cidade está patente na Confeitaria, na Rua João Saraiva, 28A, bairro de Alvalade, em Lisboa, de 25 de junho a 29 de julho de 2017.

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O Atelier de Lisboa apresenta a exposição A Cidade, coletiva dos alunos do curso de Projeto. A curadoria é de Bruno Pelletier Sequeira e apresenta-se na Confeitaria, na Rua João Saraiva, 28A, bairro de Alvalade, em Lisboa, de 25 de junho a 29 de julho (nas últimas duas semanas apenas à 6.ª feira e sábado).

 

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A Cidade reúne diferentes possíveis visões sobre a cidade.

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“Fronteira”, de Hélio Marques Pereira (Caldas da Rainha, 1971), domina a parede de fundo, imagens em grande formato, ora quadradas ora retangulares (diferentes formatos originais, respeitados) mostrando aspetos de “zonas de fronteira, a erosão e a humanização nos espaços, o domínio da espécie humana sobre o território”. Este projeto, que se prolonga há mais de dois anos, ao longo da zona litoral e sul do país, direcionou-se para o ambiente urbano, contínua em desenvolvimento.

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Hélio Marques Pereira, Fronteira, 2017

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“Liberdade”, de Nuno Silva (Lisboa, 1976) mostra a Avenida da Liberdade, em Lisboa, através das montras. “Fotografado entre novembro de 2016 e Abril de 2017, sempre no mesmo período temporal. A hora em que a luz do sol incide nas montras permite criar uma nova dimensão a partir da justaposição com o reflexo do mundo exterior.” Nas imagens confundem-se os manequins com as pessoas, sobretudo no interior das lojas. Deste diálogo visual resulta como que uma relação pessoal entre os intervenientes. E estamos na artéria de lojas mais caras da capital. Por outro lado, a apresentação contínua das imagens nas suas próprias molduras discretas, leva por vezes a procurar perceber onde começa e acaba cada imagem…

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Nuno Silva, Liberdade, 2017

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“Lisboa que só eu vi”, de Isabel Romero (S. Paulo, Brasil), mostra a cidade através dos tapumes e redes das obras, os recantos que se adivinham para além do arco ou da passagem, o detalhe dos mosaicos ou dos azulejos, a Lisboa que se mostra ‘escondida’. “Por entre os prédios, a luz única de Lisboa e o colorido perfume das árvores nativas da minha terra acalmam a minha saudade”.

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Isabel Romero, Lisboa que só eu vi, 2017

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“Onze Mil Kelvin”, de Isabel Correia (Viseu, 1971), leva às memórias de infância. “Cresci entre o campo e a cidade, e o final das férias de verão chegava acompanhado de ansiedade. Rodeada de arquitetura industrial e suburbana, sentia a falta das árvores, dos penedos e da natureza. A beleza e a ordem versus o bruto e o caos.” Assim, em dois panos de parede mostra-nos o fim do dia, em viagem, em partida, “O entardecer é acompanhado de um crescendo de emoções e de possibilidades.” O azul intenso do céu, onze mil Kelvin, leva à noite, á memória de casas, plantas, espaços.

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Isabel Correia, Onze Mil Kelvin, 2017

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“Pacemaker”, de Humberto Brito (Setúbal, 1980), “Um amigo de infância revive a guerra colonial e como escapou a um enfarte”, mostra o pacemaker. “À distância, a minha sogra saboreia a narrativa do camarada Bento com uma frieza enigmática.” (texto da placa; Brito explicará ainda que os dois viveram a mesma guerra, cada um no seu lado, num mesmo país.)

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Humberto Brito, Pacemaker, 2017

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Gabriela Petersen (Lisboa, 1956) vê da janela da sua casa, num 14.º andar, os edifícios em frente e, para outro lado, as movimentações de terras. “Ver”, ao longo do tempo, regista a sua evolução. “O nosso olhar está sempre sujeito à nossa interpretação, à nossa leitura, à nossa história.”

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Gabriela Petersen, Ver, 2017

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Catarina Bogarim (Lisboa, 1992) mostra em “Sem Nomes” objetos encontrados no lixo, deitados fora, mas que poderiam ainda ter utilidade. As fotografias estão montadas em blocos de betão moldados para o efeito, procurando dar “peso”, no sentido literal, aos objetos em causa, como que dando uma utilidade. “Pergunto: Que objectos são estes? A quem pertenciam? Porque deixaram de ser usados? Porque é que os abandonaram? Porquê aqui? Vão ser reutilizados? Para onde vão?”

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Catarina Bogarim, Sem Nomes, 2017

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No próximo post, a segunda parte da exposição: a cidade interior.

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As citações em cada autor são do texto do respetivo autor.

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Mais informações aqui.

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