WIM WENDERS, ONCE. PICTURES AND STORIES, 2001

Foi atribuído a Wim Wenders o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para o Aumento da Consciência Pública sobre o Património Cultural 2017

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Wim Wenders

Once. Pictures and stories

Fotografia e texto: Wim Wenders

Munique: Schirmer/Mosel / 2001

Inglês / 15,7 x 20,8 cm / 272págs.

Brochura

ISBN: 9781891024252

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WimWenders-Once (1)

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Em Once. Pictures and stories – Uma vez. Fotografias e histórias, Wim Wenders junta apontamentos de memórias às suas fotografias. Alguns apontamentos abrangem duas ou três imagens, outras bastante mais. Das suas viagens um pouco por todo o mundo, este é como um caderno de memórias. E, ao mesmo tempo, um álbum / livro de fotografia.

O formato pequeno do livro permite o olhar intimista e o espírito de um diário de viagem que se vai preenchendo ao longo do percurso.

Várias são as presenças em Portugal:

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Da página 26 a 29, escreve, com as imagens da Praia Grande, 1979:

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Uma vez

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no extremo oeste

do continente europeu,

onde Portugal tem o seu nariz pontiagudo,

pelo menos no atlas,

deparei-me com um hotel abandonado.

Com cada onda

o Atlântico impõe a sua posse deste pedaço de terra.

Este lugar estava a pedir para se tornar um filme,

achei,

apercebendo-me ao mesmo tempo

que já tinha trazido a história comigo,

e que só aqui poderia tirar esse peso dos meus ombros.

A América estava “oposta”,

do outro lado do mar.

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O filme chamou-se “O Estado das Coisas”

com Henri Alekan como director de fotografia.

Foi um balanço bastante pessimista e sombrio do cinema,

mas mesmo assim, a luz do Henry ainda conseguiu dar brilho a tudo.”

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Nas páginas 240 a 243, com imagens de Potsdam:

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Uma vez,

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Potsdam fez-me lembrar

Lisboa…”

 

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E continua, nas páginas 244 a 253, com alguns telhados de Lisboa e pinturas murais pós-25 de Abril:

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… e Lisboa

a Alemanha

da minha infância…»,

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Wim Wenders, Once. Pictures and stories, 2001

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Foi ontem anunciada a atribuição do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para o Aumento da Consciência Pública sobre o Património Cultural 2017, a Wim Wenders, pela sua contribuição única para a comunicação da História e ideias multiculturais da Europa.

Este prémio foi criado em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a principal organização europeia de património, Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, tendo o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

 

Helena Vaz da Silva (1939-2002) foi jornalista, escritora, ativista cultural e política, fundadora do CNC e deputada ao Parlamento Europeu. Neste 5.º aniversário do Prémio, o Júri deu também um reconhecimento especial a Silvia Costa, de Itália, membro atual do Parlamento Europeu, pelo seu excelente contributo para o desenvolvimento de uma estratégia da UE sobre o património cultural e para a promoção do Ano Europeu do Património Cultural 2018.

A cerimônia de entrega do prémio terá lugar em 24 de outubro de 2017 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Em nome do Júri do Prémio, Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, referiu:

Wim Wenders não é apenas uma das principais figuras europeias do filme contemporâneo; é também um firme defensor da Europa através da nossa cultura compartilhada. Numa carreira de 50 anos, ele tem sido um verdadeiro mestre em busca de imagens e palavras para capturar o sentido do lugar na Europa. O Júri agradece particularmente a maneira original como Wenders consegue trazer os valores e ideais europeus à vida e promovê-los através das fronteiras através do seu prolífico trabalho, que abrange uma abundância de filmes inovadores, exposições fotográficas, monografias, livros de filmes e prosa.”

Wim Wenders afirmou:

Estou profundamente grato por este prêmio, porque me identifico com as ideias que o conduzem. A Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que qualquer coisa, no seu património cultural. Temos de continuar a construir o nosso futuro comum, mas o processo não deve esquecer de preservar o legado do nosso passado. Os médias digitais são meios de comunicação rápidos, mas são tão rápidos para incitar o esquecimento. Ao mesmo tempo, ajudam-nos a armazenar e preservar as nossas memórias preciosas de maneiras duráveis ​​e eficientes, como no cinema, por exemplo.”

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