EMÍLIA TAVARES, BATALHA DE SOMBRAS, 2009

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Emília Tavares

Batalha de Sombras. Colecção de Fotografia Portuguesa dos anos 50 do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado

Fotografia: Carlos Calvet, Gérard Castello-Lopes, Adelino Lyon de Castro, Frederico Pinheiro Chagas, Carlos Afonso Dias, Franklin Figueiredo, Fernando Lemos, João Martins, António Paixão, Victor Palla, Varela Pècurto, Eduardo Harrington de Sena, Sena da Silva, Fernando Taborda / Prefácio: Maria da Luz Rosinha, David Santos e Pedro Lapa / Ensaio: Emília Tavares

Vila Franca de Xira: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira – Museu do Neo-Realismo / 2009

Português / 19,2 x 23,0 cm / 195 págs.

Brochura com sobrecapa / 600 ex.

ISBN: 9789899600713

A obra inclui um ensaio de mais de 50 páginas sobre a fotografia em Portugal nos anos 1950/60, reprodução de 90 fotografias, as suas fichas técnicas e notas biográficas dos fotógrafos.

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“L’image n’est jamais une réalité simple”

Jacques Ranciére

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Esta obra, mais que um catálogo da exposição homónima, é a ponta de um iceberg gigantesco: dá a conhecer um pouco da fotografia que se fez em Portugal na década de 50, na maior parte desconhecida, com base nas imagens da coleção do MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado.

Os autores estão organizados em 5 núcleos, estando a maior parte dos autores distribuídos por vários deles:  “O salonismo e a herança naturalista”, com obras de Varela Pècurto, João Martins, 2 fotógrafos profissionais, dos mais conhecidos e que mais produziram; “Surrealismo: a fotografia ao serviço da ‘inquietação'”, apresenta Fernando Lemos, um dos autores que detém obra mais conhecida, o núcleo “Incursões abstractas e explorações formais da luz”, onde se destaca Pècurto, Eduardo Harrington de Sena e Fernando Taborda; “Formas sociais do realismo fotográfico”, com especial destaque para Adelino Lyon de Castro, e “Sob a influência da fotografia humanista e outras deambulações” engloba a obra de Gérard Castello-Lopes, Carlos Afonso Dias, também Pècurto,Victor Palla e Costa Martins.

“Nenhum destes autores pôde expor na altura, não havia interesse para isso ou não lhes foi dada essa importância.”, referiu Emília Tavares na ocasião.

Na verdade, as exposições individuais eram raríssimas (a exposição na Casa Jalco em 1952, pode ver aqui, é um dos raros exemplos), os salões configuravam a possibilidade de expor, tendo caraterísticas de concurso, havia quem os defendesse e quem fosse anti-salonista, recusando-se a participar. Havia também vozes críticas, procurando a qualidade e a seriedade, como é o caso de João Martins e do Grupo Câmara, de Coimbra. Voltaremos a este assunto em breve, a propósito do referido Grupo Câmara, do qual fizeram parte e colaboraram diversos autores aqui representados.

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Sobre esta obra, escreve Emília Tavares:

A colecção de fotografia do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado, foi iniciada em 1999, com o processo de doação das obras fotográficas de Fernando Lemos, pela A. T. Kearney, Portugal.

Na continuidade desta política de actualização das colecções, foram incorporadas no acervo, através de aquisições e doações, um conjunto de obras fotográficas representativas das dinâmicas da fotografia portuguesa ao longo da década de 50, momento particularmente interessante e mal estudado da sua história.

A fotografia portuguesa, neste período, reflecte de forma ímpar muitas das dissonâncias e conflitos estéticos então vividos, que só podem ser lidos e entendidos em articulação e cruzamento permanente com todas as outras áreas da vida cultural, social e política neste período.

A “batalha de sombras” que estas imagem evocam, é a repercussão duma sociedade cada vez mais polarizada entre a perpetuação duma ilusão e o desengano, produzindo imagens ensombradas por uma cultura fotográfica e artística pouco debatida, ignorando-se mutuamente, e em que cada imagem é a expressão dum dilema entre a “arte pela arte” e as rupturas (im)possíveis em prol duma arte de dimensão e participação social e humanista.

Mais do que uma batalha entre tradição e inovação assistimos a uma ambivalência entre representação e apresentação, técnica e inspiração, alta e baixa cultura, estética e ética, arte e ideologia. Na década de 50, todas as dissonâncias e incoerências são o reflexo duma relação interrogativa, sem bem que muitas vezes inconsciente, do objecto fotográfico face aos diversos entendimentos estéticos da cultura portuguesa, assim como da sua história.

Os autores e obras aqui apresentadas percorrem aspectos de grande diversidade, desde a fotografia amadora associativa e o meio salonista a ela associado, abordando a produção de autores inéditos, os amadores “anti-salonistas”, a fotografia no contexto dos movimentos neo-realista e surrealista, assim como a vocação ilustrativa e de inventário do objecto fotográfico.

A apresentação desta colecção de fotografia do MNAC-MC, assenta numa interrogação crítica de toda esta diversidade, permitindo a constatação de ritmos múltiplos na sua articulação, que levantam debates subjacentes ao objecto fotográfico de interesse generalizado actualizado, nacional e internacionalmente.”

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Batalha de sombras, 2009

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Depois de uma primeira mostra no Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira, entre 7 de março e 14 de junho de 2009, a exposição “Batalha de Sombras” foi apresentada na PhotoEspãna, no programa OpenPhoto dedicado a países convidados, na Fundación António Saura – Casa Zavala em Cuenca, Espanha, entre 11 de junho (inaugurada a 10) e 25 de julho de 2010, isto é, entre os feriados nacionais dos dois países.

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Pode ler este livro on-line no site do Museu do Neorrealismo, aqui.

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