PAULO TEIA, sj, NAMASTÉ. “A LUZ DE DEUS EM MIM SAÚDA A LUZ DE DEUS EM TI”, 2016

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Paulo Teia

Namasté. “A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti”

Braga: Frente e Verso / Outubro . 2016

Fotografia: Paulo Teia, sj / Prefácio: Ana Teia / Introdução e Crónica de viagem: Paulo Teia, sj

Português / 23,5 x 29,7 cm / 200 págs.

Brochura

ISBN: 9789899832268

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Conheci o Paulo Teia (Lisboa, 1969) no seu primeiro ano de estudante na Universidade de Coimbra, tinha 18 anos. A fotografia já era algo que lhe dizia muito, uma paixão, “não como hobby, mas como linguagem”, “é o encontro de dois olhares”. Em 1989 entrou para a Companhia de Jesus. Via algumas das suas fotografias, mas sobretudo, poucos anos depois, algumas que havia feito em Moçambique (ou no Malawi, na ocasião estavam milhares de refugiados moçambicanos), onde no âmbito da sua formação jesuíta estivera em missão durante algumas semanas: as pessoas, os rostos, os olhares eram imensamente expressivos: a pobreza, a dor, a tristeza, por vezes sorrisos, e dignidade, em crianças e adultos.

Em 2002, depois de estudar teologia em Madrid e Paris, foi ordenado padre, e assumiu uma paróquia na margem sul do Tejo, acompanhando as famílias e crianças dos bairros sociais do Pragal, ao longo de onze anos.

Em 2014 pediu um ano sabático, viveu sete meses em Madrid a estudar fotografia e ao longo de três meses, em peregrinação no Cambodja e na Índia: aqui, partiu de Calcutá para Ahmedabad, Surat, Tamil Nadu, Kerala, Goa e Bombaim, dedicado a um projeto fotográfico pessoal.

Com ele queria expressar uma das minhas mais profundas inquietudes como ser humano e como padre: dar a conhecer a vida dos mais pobres a partir da força da sua dignidade. Tratava-se de captar a luz da sua resistência ao caos, a força com que desafiam o estado de injustiça em que vivem sem perderem os contornos de pessoa, e de seres humanos que são. Quis também fazê-los primeiras testemunhas dessa mesma luz. Por isso, esforcei-me por entregar-lhes os retratos, os seus retratos, para que experimentassem a beleza e a verdade que partilharam comigo.

A viagem realizou-se entre os inícios do mês de agosto e finais de outubro. Passei o meu primeiro mês no Camboja e os dois últimos na Índia. Durante todo este tempo optei por fotografar exclusivamente os mais pobres que fui encontrando nestes dois países, as suas vidas e as suas lutas. Evitei fotografar o contexto da pobreza em que se encontravam, pois sinto que já é sobejamente conhecido por todos nós.

No presente livro encontramos apenas o trabalho realizado na Índia. São retratos de Dalits [os intocáveis] e Adivasi [população aborígene], os dois grupos humanos mais marginalizados e perseguidos desta sociedade de castas. Encontrei-os nas cidades e nos campos, sobretudo onde os meus companheiros jesuítas têm alguma obra social ao seu serviço.”

As fotografias não foram apenas para si, como prossegue na Introdução:

No final de cada jornada, em diferentes estados da Índia, reservei sempre dois ou três dias para revelar as fotografias e entregá-las pessoalmente aos seus legítimos proprietários, “dando o seu, a seu dono”. No total entreguei mais de doze mil fotografias, graças à ajuda de benfeitores que financiaram este projeto, e a quem muito agradeço. A alegria das pessoas, ao reverem-se nas fotografias, daria material suficiente para um outro trabalho fotográfico que não pude realizar.”

Para muitos, como diria depois, foi a primeira fotografia que viram.

Acompanhei de algum modo esta viagem ao longo das partilhas que fazia na internet: a vivência dos dias e algumas fotografias.

Saber deste livro foi uma agradável surpresa. Vê-lo, outra. A excelente qualidade gráfica e de impressão, as suas fotografias impressionantes, o rosto daquelas pessoas aparentemente tão distantes de nós, o seu “diário de viagem”, humano, partilha das vivências, dos encontros, das pessoas, da paisagem…

Este livro “É o registo de uma paixão por Deus e pela fotografia vivida entre «os mais pobres dos pobres» por terras indianas. Em 2014, Paulo Teia, apaixonado pelo mundo e pela vida, “foi ao encontro dos que vivem para lá de todas as periferias”, registou os sorrisos sofridos, os olhares resignados e, para além de toda a pobreza, a “dignidade do ser humano, que está para além de todas as barreiras, máscaras e diferenças que nós impomos”.

Atualmente o Pe. Paulo Teia está em Moçambique, é pároco da catedral de Tete, paróquia de Santiago Maior.

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“Namasté” é “o cumprimento usual de qualquer pessoa que se encontra com outra pessoa e faz um gesto, colocando as mãos no peito, juntando as mãos, e diz esta palavra como reverência.”

Deixo as últimas palavras ao Autor (Introdução):

“Namasté” … expressa o sentido mais profundo desta obra. Um profundo agradecimento feito de luz. Esse é o significado que escolhi da palavra “Namasté”, numa das suas múltiplas referências, e que significa literalmente, “A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti”.

Agradeço desde já a amabilidade de me terem deixado entrar nas suas e vossas vidas; que o mesmo Deus que une Hindus e Cristãos vos abençoe e vos dê a sua paz,

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Vosso padre Paulo Teia, sj”

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Paulo Teia, sj, Namasté. “A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti”, 2016

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Pode ver mais sobre este livro aqui.

Pode ler uma entrevista do Observador ao autor aqui e ouvir uma outra entrevista na TVI, aqui.

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