A PAIXÃO PELO LIVRO DE FOTOGRAFIA – ENTREVISTA A FABRICE ZIEGLER, COORDENADOR DA FEIRA DO LIVRO DE FOTOGRAFIA DE LISBOA

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É já no próximo fim-de-semana, de 6.ª feira a domingo, 25 a 27 de novembro, que terá lugar a Feira do Livro de Fotografia de Lisboa, no Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico, na Rua da Palma, 246.

A organização é da responsabilidade de um grupo de 5 elementos, “Os Novos Suspeitos”: João Miguel Baptista (Livros / Projetos de Autor), Maria Lopes (Livros / Projetos de Autor), Miguel Henriques (Livros / Projetos de Autor), Pedro dos Reis (Editores e Livros / Projetos de Autor) e Fabrice Ziegler (Coordenação da Feira).

Foi com Fabrice Ziegler (FZ) que tivemos uma entrevista, realizada por e-mail, a propósito da Feira. Conhecer a sua história, evolução, objetivos, a reação dos Autores, dos editores e do público…

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António Bracons, Fabrice Ziegler, 2016

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O entusiasmo e a paixão de Fabrice: “eu gosto mesmo do projeto”, conduziram a alguma extensão da “conversa”, que opto por manter na íntegra. No final, pode ver a programação da Feira.

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AB – Fabrice, como surgiu a ideia / o projeto da Feira do Livro de Fotografia de Lisboa?

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FZ – A Feira do Livro de Fotografia, surgiu de uma proposta de um grupo informal “Os Suspeitos”, que me contactaram em 2009 para realizar uma exposição coletiva de fotografia. Na altura, era responsável da programação artística no espaço cultural de Lisboa, a Fábrica Braço de Prata. Este grupo, todos finalistas do Curso avançada de fotografia do Ar.Co, tinha imaginada, além da própria exposição, realizar um conjunto de micro-eventos no decorrer da mostra de forma a poder amplificar a visibilidade da exposição e agregar outros públicos. No meio das diversas ideias, existia uma proposta que me chamou particularmente a atenção: consistia numa pequena apresentação de fotolivros, sendo na maioria fotolivros auto-editados, dos próprios artistas e de alguns amigos deles. Esta proposta ia no sentido de um projeto que já tinha equacionado mas que não tinha concretizado até o momento. A partir daqui, com diálogo e colaboração, alargámos a proposta inicial e, juntos, definimos o que ia ser a futura Feira do Livro de Fotografia.

A primeira edição aconteceu um ano depois, em 2010.

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AB – Este já é o 7.º ano de Feira do Livro de Fotografia. Como tem sido a evolução ao longo destes anos: iniciativas, público, reflexos?

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FZ – Neste percurso, ao longo de 8 anos, muitas coisas aconteceram. Após a primeira edição, refletimos todos, e verificámos a potencialidade e a pertinência do projeto. A partir desta experiência resolvemos equacionar uma 2.ª edição e, sem o saber, iniciámos um ciclo que se soube adaptar e certamente evoluir.

Numa primeira fase de entusiasmo, muitas ideias nasceram e algumas implantaram-se, outras foram surgindo um pouco ao longo dos anos, finalmente algumas não eram apropriadas.

Quando construímos um projeto, temos sempre de pensar na sua pertinência e no público junto do qual poderá ter ressonância. Aqui o nosso primeiro obstáculo. Sabemos todos a potencialidade e a transversalidade própria da Fotografia, mas quando afinamos e pensamos em relação ao livro, já reduzimos os interessados, mesmo se quando falamos de Livro de fotografia continuamos a invocar a Fotografia. O público naturalmente interessado pelo livro de fotografia, não deixa de ser importante, não sou capaz de o quantificar, porque não existe estudo (do meu conhecimento) que aborda esta questão, existe uma percentagem, vaga, que indica o que representa dentro das edições de artes o livro de fotografia, e que contempla unicamente os livros registados e com ISBN, o que exclui muitos livros auto-editados… Além disto, uma das preocupações da Feira foi de valorizar o livro artístico, dando uma atenção particular aos trabalhos autorais.

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António Bracons, Aspeto da Mesa dos Autores, Feira do Livro de Fotografia, Lisboa, 2015

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Com esta vontade, trabalhamos no início principalmente com um público específico, o público das artes em geral ou, pelo menos, sensível à linguagem artística. Pouco a pouco, estamos a conseguir atingir um público mais alargado, mas sabemos que este não excede 20% do nosso público. O objetivo será conseguir alcançar 30% dos visitantes nos próximos anos.

Em 2010, no Poço do Bispo, tivemos cerca de 700 pessoas a visitar a 1º edição, mas em 2011 descemos aos 600. A partir de 2012 subiu tranquilamente, muito devagar. Em 2015, no seguimento de diversas circunstâncias, aproximamo-nos do centro da cidade de Lisboa, através da parceria com o Arquivo Municipal de Lisboa: passaram pelo recinto da Feira mais de 1300 pessoas. Este salto quantitativo teve reflexo na sustentabilidade dos participantes e foi promissor. Esta evolução é principalmente atribuível à mudança de lugar, aproximação do público e a uma melhor comunicação.

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AB – Desde as primeiras edições que tentam dar visibilidade os Autores: “os Autores são ‘o’ elemento central da proposta da Feira”…

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FZ – A Feira, sendo um projeto bicéfalo, é um coletivo composto atualmente por 5 elementos, soube construir uma estrutura informal onde é debatida e pensada a sua evolução. Daí vem a força do projeto e a sua permanência. Uma das marcas essenciais da Feira é o lugar dos Autores. O Autor é por natureza o elemento primordial da cadeia de valor das artes. A Feira é o lugar por excelência para divulgar e difundir os projetos autorais de fotografia. A arquitetura do certame é a seguinte, que tem três pontos fundamentais:

  • Primeiro, o projeto de autor em construção, as Maquetas (Dummies), aqui se apresenta o que os autores estão a experimentar e projetar numa fase primordial não finalizada.
  • O segundo ponto é a Mesa dos Autores, espaço coletivo onde os Autores podem promover os seus Fotolivros e os vender.
  • O terceiro ponto consiste na valorização dos profissionais do mercado. Aqui temos o Mercado de Fotolivros, onde tentamos convidar o maior número de entidades relacionadas com o fotolivro.
  • Em paralelo existe um programa de conversas, apresentações e lançamentos que acompanha os três dias da Feira.

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António Bracons, Aspeto dos Dummies / Maquetas, Feira do Livro de Fotografia, Lisboa, 2015

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AB – Tens tido, ao longo dos anos, feedback da Feira? De que forma fez mover/ desenvolver o trabalho dos autores, a produção editorial de fotografia em Portugal? Houve livros que surgiram, nomeadamente edições de autor, exatamente porque havia um espaço que permitia a sua visibilidade: a Feira do Livro de Fotografia?

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FZ – O que podemos testemunhar em primeiro lugar é a importância, a ligação que existe na comunidade relacionada com a Fotografia. Verificamos como a Feira passou a ser uma marca no calendário artístico, e como permite e favorece o encontro e o diálogo alargado. Este fator é, para nós, um aspeto extremamente pertinente. Percebemos igualmente que o evento é de todos, aqui não existe “estrelas” só existem pessoas que partilham a mesma paixão pela imagem.

Diria que a Feira passou a ser um momento privilegiado, quase um barómetro da produção de Fotolivros nacionais, essencialmente na sua vertente auto-editada, sendo os grandes grupos económicos pouco sensíveis a este nicho de mercado.

O que verificamos ao longo dos anos é uma melhor aproximação entre os autores e o público e achamos que a Feira tem contribuído significativamente.

A Feira é praticamente o único certame que dá lugar aos projetos, às Maquetas; além dela, acho que só existe os Encontros da Imagem em Braga que passou, há poucos anos a interessar-se por esta realidade.

Podemos dizer que existem mais livros editados em 2016 do que em 2010, diria que duplicou em geral e que na auto-edição quadruplicou. Será viável para os autores? Não tenho a certeza, mas não deixa de ser muito interessante a acompanhar e favorecer. Aqui a dificuldade continua a ser a mesma: poucas pessoas adquirem Fotolivros, e quando falamos de Fotozine, reduz-se ainda mais.

A Feira passou a ser um contexto impulsionador, principalmente no campo dos projetos. Aqui sim, podemos dizer que a Feira favoreceu o surgimento de inúmeros projetos de Fotolivros, dos quais só uma parte extremamente reduzida dão origem a uma edição. Diria que só 5% dos projetos é editada.

Do lado dos profissionais, Autores e Editores nacionais, sabendo as restrições económicas do nosso mercado, e com a proximidade temporal de outros eventos de maiores dimensões, não se verifica uma relação direta. Podemos dizer que continuamos a beneficiar da confiança de todos os agentes do mercado relacionado com a edição fotográfica.

O que notamos, é uma maior vontade de poder apresentar novidades na ocasião da Feira. Muitos fotolivros são auto-editados nos dois mesas que antecedem a Feira. E representa, neste momento, cerca de 70% das propostas de Maquetas.

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António Bracons, Mesa dos Auto-editores, Feira do Livro de Fotografia, Lisboa, 2015

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AB – Qual tem sido a resposta e o feedback dos autores? Os autores têm correspondido? O que poderia melhorar?

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FZ – Como já referia, os Autores são os principais impulsionadores da Feira, o que vai de encontro da nossa proposta, cremos que a Feira seja de todos e principalmente um momento privilegiado de transmissão e partilha.

De facto, como já o referia, tentamos estabelecer um equilíbrio na proposta da Feira entre os Autores e os Expositores. O que verificamos na edição deste ano é uma participação mais afirmada da parte dos Autores. Isto não deixa de nos surpreender e ao mesmo tempo vai no sentido da evolução do mercado e da aparente facilidade de editar hoje em dia. De facto os Autores, principalmente os novos autores, continuam extremamente dinâmicos e com vontade de conseguir os seus próprios objetivos.

As Editoras são mais reservadas e têm outras estratégias, outros compromissos e trabalham de forma a desenvolver os seus próprios projetos.

De forma a melhorar esta situação deveria existir uma reflexão sobre a forma de financiar a criação no domínio editorial. Hoje a maior parte dos projetos editados fora é sustentado integralmente ou significativamente pelos autores. As editoras, mesmo dando algum acesso a financiamento público ou privado, preferem apostar na sua própria produção não alargando a sua oferta. Claro que é opção legítima que responde à linha editorial e compromissos diversos pelos quais ninguém se pode pronunciar. Agora, falta um ou diversos pequenos editores no mercado para dinamizar e alargar a oferta.

A organização da Feira gostaria poder contribuir e faz parte dos seus objetivos. Talvez conseguiremos ser mais ativos neste domínio no futuro.

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António Bracons, Aspeto geral dos editores, livreiros e alfarrabistas, Feira do Livro de Fotografia, Lisboa, 2015

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AB – E das editoras, livreiros e alfarrabistas?

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FZ – Os editores dedicados ao livro de fotografia são poucos. Há quem edita um livro todos os anos, outros que conseguem até 3 ou 4 títulos e muito raramente consegue-se ver um editor nacional com mais de 10 obras editadas. Pela natureza da Feira, naturalmente damos prioridade os Editores Independentes. Sabemos, pelas adesões que manifestam, que a Feira do Livro de Fotografia de Lisboa tem o seu lugar no panorama nacional e começa a ganhar o seu lugar no plano internacional. Agora podemos atribuir diversas motivações a este interesse, uma delas é a quase ausência de custo associada à participação em Lisboa, comparativamente a uma participação em Paris, Londres ou Nova Iorque e sentimos que o volume de negócio não deixa de ser interessante.

Agora o mesmo não podemos dizer para quem vem de fora. Nos últimos anos tivemos a possibilidade de receber e apresentar diversas propostas editoriais vindas de diversos países europeus. A impressão geral sempre foi extremamente positiva e a maior parte deles fica agradavelmente surpreendido pela qualidade de público e a sua diversidade. No geral, gostam do formato da Feira, mas o nível de vendas nalguns casos não sustentará a experiência, o que é determinante na internacionalização da Feira.

No domínio da internacionalização temos muito a aprender e a solucionar, porque é extremamente importante para o nosso contexto artístico e editorial. Só o ano passado, no seguimento da participação de um distribuidor de Fotolivros de Autor, houve dois projetos nacionais que foram selecionados para constar do catálogo de uma livraria alemã. É pouco, mas desde há 3 ou 4 anos já são cerca de 11 projetos que ajudamos desta forma a internacionalizarem-se.

Outro aspeto que muitas vezes os nossos profissionais não percebem, é o facto que os apaixonados dos fotolivros já sabem tudo e já conhecem os poucos intermediários nacionais; até já me foi sugerido diversas vezes ter uma Feira principalmente aberta pelo exterior… Não achamos que seja a solução, agora é verdade que os editores e distribuidores nacionais, por vezes não aproveitam bem a Feira, o que podia, talvez, ser melhorado, para bem de todos. Um exemplo muito prático e demonstrativo é o pouco entusiasmo a promover o evento, quando vão a Paris ou do outro lado do Atlântico, são os primeiros a se promoverem. É um pouco triste, temos todos a ganhar com um crescimento coletivo e a defender o nosso contexto.

Passados 8 anos estamos a assistir a algumas mudanças, e certamente dentro de pouco tempo o mapa terá mudado. Os principais agentes até agora poderão não ser os de amanhã, porque estão a surgir 2 ou 3 propostas extremamente ativas e bem organizadas que vão certamente modificar a perceção do mercado editorial independente nacional.

Curiosamente no campo do livro antigo e raro, que tem outra dinâmica e que beneficiou igualmente do recente entusiasmo à volta do livro de fotografia, sempre tivemos, desde a primeira edição, a presença de um só alfarrabista, o Nuno Franco. O seu contributo foi sempre excelente e soube aproveitar um mercado em desenvolvimento para ganhar um novo público na Feira. Hoje tem os seus clientes que passaram a visitar a Feira e que descobrem igualmente os livros editados hoje.

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AB – Como tem sido a resposta do público?

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FZ – O público é um dos fatores mais incerto e indispensável ao projeto. Cuidamos dele e tentamos estar atentos às suas expectativas, de acordo com os nossos objetivos.

Muitas vez o público confunde-se com a comunidade artística, porque aqui os autores são espectadores ao mesmo tempo que contribuem. Isto deve representar cerca de metade do público, o que demonstra a importância e riqueza do meio criativo. A outra metade é composta por pessoas que têm interesse ou curiosidade na fotografia e diversamente na edição de fotolivros.

A Feira tem uma grande força, é transversal, não se dirige a uma faixa etária, não é para um grupo específico, temos a presença de pessoas de todas as gerações. Podemos dizer que a idade média do público se situa nos quarentas anos.

Desde de 2013, realizamos diversos inquéritos junto do público, dos autores participantes e dos expositores. Esta informação é extremamente importante para perceber e trabalhar o desenvolvimento do projeto. Sabemos, desta forma, que o nosso público é composto por cerca de 90% de pessoas licenciadas, que cerca de 57% são mulheres e que têm como hábito de consumo a aquisição de cerca de 4 livros anualmente. Neste ponto específico, verificamos nos inquéritos (350 em 2015), que nestas vendas de livros, da Feira, cerca de metade, 45% dos inquiridos, adquire só 1 ou dois livros de fotografia na Feira e existe igualmente um grupo restrito, cerca de 20% dos inquiridos, que adquire mais de 7 livros de fotografia na Feira. Os respetivos orçamentos variam, sendo a média de 60 €, mas há quem gaste de 400 € a 2.000 € na Feira.

Em 6 edições duplicamos o nosso público, e esperamos conseguir alargar a sua adesão nos próximos anos. Isto é determinante pela viabilização do projeto e a sua evolução.

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António Bracons, Aspeto geral dos editores, livreiros e alfarrabistas, Feira do Livro de Fotografia, Lisboa, 2015

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AB – Tens alguns números das edições anteriores – presenças de autores e de público, número de exemplares vendidos, volume de vendas…?

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FZ – Em 2015, 42 Autores participaram nas Maquetas (Dummies) e 41 na Mesa dos Autores e Auto-Edição. Não temos informações sobre as vendas. O que sabemos é que alguns dos Autores conseguiram vender bem outros não encontraram o seu público.

Do lado dos expositores, não temos dados económicos, só podemos ter uma apreciação geral não comprovada, mas parece que foi o melhor ano de sempre, alguns referindo ter duplicado as vendas. Outros não se pronunciarem.

O que sabemos é que na generalidade as pessoas ficam satisfeitas.

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AB – Queres comentar sobre a facilidade atual de editar, nomeadamente com o print on demand ou mesmo com a impressão “em casa” (jato de tinta, etc, há diversos exemplos)…

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FZ – Aqui continua a existir uma oportunidade e ao mesmo tempo uma armadilha.

Produzir um Fotolivro é de facto extremamente acessível e economicamente possível. Agora é igualmente uma grande ilusão, certamente alimentada pelo sistema e diversos agentes económicos, que vivem a custo da ilusão de alguns autores mais vulneráveis.

Diria que hoje, com a maturação dos autores, já não vemos muitos disparates como era muito comum há 3 ou 4 anos atrás. Em 2010, 2012 regularmente os portadores de projetos de fotolivros sacrificavam-se e produziam em grande quantidade. O mercado muitas vezes não absorvia esta produção e hoje pontualmente continuamos a ver livros à venda auto-editados há mais de 3 anos. Hoje, salvo raras exceções, os autores preferem produzir em pequena quantidade, que muitas vezes, não ultrapassa os 50 ou 100 exemplares. Esta mudança permite aos autores reaver mais rapidamente um retorno sobre o investimento, permitindo regularmente reinvestir em novos projetos. Agora é muito importante perceber que são extremamente raros os que consegue sustentar o trabalho editorial.

Um outro aspeto extremamente importante, principalmente na edição autoral, é a falta de interlocutor. Normalmente os autores dirigem-se aos mesmos intermediários, o que pode ser uma boa base de reflexão, mas parece-me, pelo contrário, ter tendência a alizar a oferta, orientando numa só direção a oferta editorial. O meio é extremamente reduzido, sabemos, agora devíamos talvez pensar melhor a questão e tentar diversificar os discursos e, nalguns casos, a estética privilegiada. Existe uma tendência, não só nacional, a propor o mesmo, o déjá vu, o que acaba por retirar atratividade à produção atual em muitos casos.

Aqui, a Feira pode e tem tido pontualmente um papel importante para alguns autores. A apresentação de projeto sob a forma de Maqueta, o diálogo gerado nestas circunstâncias e os contactos estabelecidos permitem a alguns projetos evoluir mais rapidamente. Em paralelo tentamos, a nossa equipa, dialogar e contribuir na reflexão dos autores quando somos procurados para o fazer.

A produção nacional deveria ganhar a sua própria identidade ou, pelo menos, marcar uma diferença “geo-cultural”: aqui poderiam existir algumas pistas para encontrar o seu espaço próprio.

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AB – Queres falar um pouco sobre a organização?

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FZ – A Feira do Livro de Fotografia de Lisboa, é uma organização informal, composta atualmente por 5 elementos, a Maria Lopes, João Miguel Baptista, Miguel António Henriques, Pedro dos Reis e eu, Fabrice Ziegler. Todos nós partilhamos funções e decisões. Esta equipa fantástica e extremamente generosa, trabalha ao longo do ano e disponibiliza muito tempo para o projeto. Aqui não existe um chefe, trabalhamos em conjunto e discutimos para elaborar e desenvolver o projeto. As decisões são tomadas por maioria, o que pontualmente obriga a procurar o compromisso. Pontualmente é extremamente exigente para todos nós conseguirmos dedicar-nos à Feira, nenhum de nós obtém ganho económico desta atividade, mas sabemos como é única e rica a experiência.

O grupo não é fechado, e pode sempre evoluir desde que haja respeito pelo projeto da Feira, pelos Autores que confiam no nosso trabalho, dos profissionais que acompanham o projeto e do público que participa no evento.

O facto de ser um projeto coletivo, dá força ao projeto e é garante do trabalho que realizamos. O grupo é quase o mesmo desde a primeira edição, mas beneficiamos pontualmente do contributo de outros elementos.

De forma a evoluir e conseguir alcançar outros objetivos, pensamos há alguns anos, em evoluir para uma estrutura associativa, o que poderá facilitar muitas coisas e finalmente alcançar recursos para reinvestir na dinamização do mercado editorial relacionado com o Livro de Fotografia.

O ano passado conseguimos uma parceria importante para o projeto, com o Arquivo Municipal de Lisboa. Esta parceria é baseada numa colaboração onde a Feira continua a ser da responsabilidade integral do coletivo e onde o Arquivo contribui com a sua estrutura e pontualmente com alguns apoios técnicos. Mais uma vez, esta parceria simboliza a abertura de espírito e o respeito das competências e particularidades de cada um. O Arquivo Municipal de Lisboa e a organização da Feira do Livro de Fotografia de Lisboa, têm muitas coisas em comum: a Fotografia, o público, os Autores e a vontade de beneficiar a coletividade.

Já estamos a preparar a edição de 2017 e os primeiros passos para 2018 já foram feitos…

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“Os Novos Suspeitos”: António Henriques, Maria Lopes, João Baptista, Pedro dos Reis e Fabrice Ziegler, organizadores da Feira do Livro de Fotografia

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FABRIECE ZIEGLER é alsaciano, nascido “poucos meses antes da revolução de 68. Cresci com abertura o mundo das ideias e das culturas. Passei pela Escola Superior de Artes Aplicadas de Strasbourg de onde fugi passados 3 anos…” Depois, em Paris, no Établissement Cinématographique et Photographique des Armées tirou um curso de operador cinematográfico e fotográfico.

A sua vida foi dedicada à fotografia e às artes durante mais de 20 anos. “Uma outra revolução, desta vez digital, acompanhei o fim de uma certa fotografia.” Passou pela publicidade e “desde 2005 voltei à minha paixão”.

Foi finalista do Concurso de Fotografia Purificación Garcia (Espanha) dois anos seguidos. Entre 2007 e 2009 “realizei um projeto pelo qual estou particularmente feliz”, Os Retratos às Sextas, projeto público de fotografia.

Em “2009 iniciei o meu trabalho de programador cultural responsável das Artes Visuais na Fábrica Braço de Prata, onde até final de 2015 pude desenvolver e apoiar diversos projetos artísticos”; em 2015 fez uma residência artística, a BV90. “Agora estou a preparar novos projetos, igualmente no domínio artístico e em relação com residências e fotografia.

E sou um dos Novos Suspeitos, voluntário e feliz por colaborar com a Feira do Livro de Fotografia de Lisboa.”

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PROGRAMA DA 7.ª FEIRA DO LIVRO DE FOTOGRAFIA DE LISBOA

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Entrada Livre. Para todos os públicos.

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Para além das suas facetas de divulgação e de comercialização, pretende-se que a Feira do Livro de Fotografia de Lisboa continue a desempenhar um papel agregador e dinamizador na construção, transmissão e distribuição do Livro de Fotografia, de modo a gerar o interesse da comunidade vinculada à linguagem fotográfica, incentivando novos projetos e continuando a favorecer a criação de novos públicos.

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EXPOSIÇÕES:

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Exposições organizadas pela Lisbon’s Photobook Fair: exposição de Maquetas / Dummies (Entrada do Arquivo, rés-do-chão) e exposição do projeto “Atlantus” dos autores Martim Toft e Gareth Syvret (rés-do-chão):

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Martim Toft e Gareth Syvret, Projeto “Atlantus”

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Na exposição de Dummies participam: David Palazón, Miguel Henriques, Manuel Pessôa-Lopes, Simone André da Costa, o Movimento de Expressão Fotográfica, Ramón Peralta, Paulo Torres, Sara Faro, Stefano Reboli, Diogo Bento, Andrew Mellor, Sandra Kosel, Eduardo Sousa Ribeiro, João Afonso Januário, Ema Mota Ramos, Rosa Rodriguez e Hugo David.

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Podem ser vistas também as exposições organizadas pelo Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico:

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“Lisboa uma grande surpresa”, de Arthur Júlio Machado e José Candido d’Assumpção e Souza (ver aqui),

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“Panorâmicas de Lisboa – Rio”, fotografias de Judah Benoliel (ver aqui) e

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“Anónimo”, de José Luís Neto (ver aqui).

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Realiza-se ainda o workshop  “Voltando a Página”, sobre Projeto de Fotolivro: fotografia, livro e auto-edição, por Paula Roush, de 24 a 26 de novembro, com exposição de maquetas dia 27, último dia da Feira.

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1.º DIA DA FEIRA – SEXTA-FEIRA DIA 25 DE NOVEMBRO DE 2016

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16h00 – ABERTURA da 7.ª Feira do Livro de Fotografia de Lisboa

Visita livre das exposições e abertura da sala do Mercado de Fotolivros (rés-do-chão).

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16h00 às 21h00 – Mercado de Fotolivros

Com a participação do Arquivo Municipal de Lisboa, a STET – Livros & Fotografias, Sistema Solar – Documenta, GHOST Editions, Alexandria Livros, Dispara, The Unknown Books, Scopio Edition, Pierre von Kleist Editions, XYZ Books Lisbon, Ideias no Escuro e  Dostoevsky Publishing.

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16h00 e 19h00 – OFICINAS

Realizadas pelo Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico:

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“Os fotógrafos e das suas técnicas. Conversas à volta da mesa”, por Luís Pavão

(Requer inscrição prévia em arquivomunicipal.servicoeducativo@cm-lisboa.pt, Até 10 participantes / Oficina com a duração de 90 minutos) – Sala de leitura do Arquivo (1a andar)

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17h00 CONVERSA

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“A IMAGERIE, uma outra escola da imagem”, com Magda Fernandes e José Domingos

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18h00 CONVERSA

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“Direitos de Autores aplicada ao uso de fotografia e a edição de Fotolivro. Obra publicada e obra divulgada”, por Ana Bárbara Ribeiro, Jurista da Direção Municipal de Cultura de Lisboa (sob reserva)

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19h30 LANÇAMENTO

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“Portuguese Small Press Yearbook 2016”, com Isabel Baraona e Catarina Figueiredo Cardoso

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21h00 FECHO do 1o dia da Feira

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2.º DIA DA FEIRA – SÁBADO DIA 26 DE NOVEMBRO DE 2016

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11h00 Abertura da Feira

Visita livre das exposições e abertura da sala do Mercado de Fotolivros (rés-do-chão).

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11h00 às 21h00 – MERCADO DE FOTOLIVROS

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12h00 APRESENTAÇÃO de projeto autoral

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“Sete Círculos – Os Limites da Cidade”, com Eduardo Costa Pinto

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12h30 APRESENTAÇÃO de Fotolivros pelo Movimento de Expressão Fotográfica

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“El Silêncio de Las Cosas, Josef Sudek, Revisitado”, por Rita Pedros

“Tariq”, por Inês Albuquerque

“Narrativas”, por Rui Esteves

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14h30 APRESENTAÇÃO de projeto autoral

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“Cinza dos dias”, de João Gaspar

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15h00 APRESENTAÇÃO de projeto autoral

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“Zona – An Investigation Report”, de Fábio Cunha

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15h00 OFICINAS

Realizadas pelo Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico

“Dá vida à cidade” Por Ana Brites

(Requer inscrição prévia em arquivomunicipal.servicoeducativo@cm-lisboa.pt, Famílias, até 15 participantes / Oficina com a duração de 60 minutos) – Sala de leitura do Arquivo (1a andar)

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16h00 CONVERSA

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“Impressão de fotolivro em pequena quantidade” Com Joel Isaac da Gráfica 99 – Gabinete de Artes Gráficas. Propõe partilhar a sua experiência como responsável de produção editorial, aconselhando algumas soluções adaptadas os projetos de fotolivros.

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17h00 LANÇAMENTO do fotolivro

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“2:fototerapia” de João M. Almeida, Auto-edição – 2016

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18h00 LANÇAMENTO do fotolivro

“AWAKEN” de Fábio Miguel Roque, The Unknown Books – 2016

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19h00 APRESENTAÇÃO / Lançamento em Portugal

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“The Incomplete Princess Book” e

“Welcome to LTP” de Irina Popova Editada pela Dostoevsky Publishing (Netherlands)

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21h00 FECHO do 2.º dia da Feira

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3.º DIA DA FEIRA – DOMINGO, DIA 27 DE NOVEMBRO DE 2016

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11h00 Abertura da Feira

Visita livre das exposições e abertura da sala do Mercado de Fotolivros (rés-do-chão).

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11h00 às 20h00 – Mercado de Fotolivros

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12h00 às 18h00  EXPOSIÇÃO

Dos resultados do Workshop PAGE TURNER, Projeto de fotolivro com presença dos autores e da responsável da actividade Paula Roush Loja da Câmara, junto ao Arquivo (50m) – Sala de leitura do Arquivo (1a andar)

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12h00 APRESENTAÇÃO de projeto autoral

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“Horizonte”, de Hugo David

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12h30 APRESENTAÇÃO de projeto autoral

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“Classe I” (Ramon Peralta) e

“Classe Q” (Fábio Miguel Roque)

Projeto apresentado por Rui Luís, com a presença dos autores

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14h00 APRESENTAÇÃO de projeto autoral

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“For Shadows” de João Manuel Ramos Meirinhos

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15h00 APRESENTAÇÃO do fotolivro

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“NÓ” de Eduardo Sousa Ribeiro

Vencedor da primeira edição do SCOPIO International Photobook Contest / Scopio EDITIONS

Com a participação de Miguel Horta e de Pedro Leão, da Scopio Editions

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16h00 CONVERSA

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“Pequeno Editor?! Da edição de FotoZine ao Photobook, uma outra resposta à criação…” Com a participação de Fábio Miguel Roque da “The Unknown Books”, Rui Luís das “Ideias no Escuro” e Tiago Baptista das “Fanzines e Martelos”. Moderação de Pedro dos Reis

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17h30 APRESENTAÇÃO

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Scopio Edition, nova linha editorial do projeto

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19h00 APRESENTAÇÃO de projeto autoral

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“Meia Laranja” de Hermano Noronha

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20h00 FECHO DA 7.ª FEIRA DO LIVRO DE FOTOGRAFIA DE LISBOA

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Pode acompanhar no facebook, aqui.

Pode consultar o programa aqui (issuu) ou aqui (.pdf).

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Sobre edições anteriores da Feira do Livro de Fotografia, no Fascínio da Fotografia, ver aqui (2015) e aqui (2014).

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