NOVOS TRABALHOS #3 – ATELIER DE LISBOA – 1: TÂNIA CADIMA, “BERENICE” E CRISTINA H MELO, “NÃO, NÃO É UM ESPAÇO”, 2016

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A exposição “Novos Trabalhos #3”, mostra os trabalhos finais do Curso de Projecto do Atelier de Lisboa, de 2015/2016, apresenta-se em Lisboa, em Alcântara, na Travessa do Conde da Ponte, 31, entre 22 de outubro e 5 de novembro de 2016.

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António Bracons, Bruno Pelletier Sequeira – Atelier de Lisboa, 2016

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Esta exposição marca o início da comemoração do 10.º aniversário do Atelier de Lisboa.

A curadoria é de António Júlio Duarte, que foi também o orientador dos projetos de Bruno Sul, Cristina H Melo, David Grades, Kacau Oliveira e Nuno Andrade; Bruno Santos Valter Ventura orientaram o projeto de Tânia Cadima.

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António Bracons, António Júlio Duarte, 2016

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Neste post e nos próximos vamos ver os trabalhos destes autores.

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Tânia Cadima, Berenice, 2016

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António Bracons, Tânia Cadima, 2016

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Logo na entrada, vemos o projeto Berenice, de Tânia Cadima (Coimbra, 1979), um conjunto de fotografias de fotografias, fragmentos, com reflexos de luz. São retratos da autora, ao longo da sua vida, em várias idades.

Este é o terceiro projeto de uma trilogia, iniciada com Brejo, vencedor do Prémio Novo Talento FNAC Fotografia 2013, continuado em 2014, com o projeto Clepsidra em que fotografa fotografias da sua história – suas e da sua família, integrais, mas mergulhadas em água, onde as percebemos através da ligeira ondulação, como uma clepsidra, como um sonho (exposição Percursos, Projetos do 1.º curso de Projeto do Atelier de Lisboa, 2014) e que se conclui com Berenice.

Sobre o projeto, diz a autora:

O que sou eu?” e “O que é uma imagem?” Estas duas questões, que talvez sejam apenas uma, constituem o eixo em torno do qual tem girado o meu trabalho fotográfico.

Berenice nasce de um exercício reflexivo que procura responder a este duplo questionamento. Trata-se de um ensaio visual centrado numa dupla auto-representação: a minha e a do meio fotográfico. O que aqui se vê são fotografias de fotografias onde me vejo à luz de outros tempos.

A fotografia tem sido o meio privilegiado daqueles que trabalham o tema da identidade. A máscara. O espelho. O reflexo do espelho. O sujeito dividido, múltiplo, fragmentado, estilhaçado, morto. O fantasma. O simulacro. O encaixe sucessivo de simulacros. O abismo, a vertigem, a queda, o esquecimento. Tudo na fotografia aponta mais para um eu que desaparece.

A fotografia esconde-me mais do que me revela. Parece ser esta invisibilidade, esta impossibilidade de se ver que constitui o ser na sua essência primeira.”

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António Bracons, Aspetos da exposição, Tânia Cadima, Berenice, 2016

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Fotografias: impressão digital em papel fine art (100% algodão), 60 X 40 cm / 64 X 44 cm (mancha / folha, coladas sobre PVC 5mm, 1 PA + 3.

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Pode ver mais sobre o trabalho de Tânia Cadima aqui.

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Cristina H Melo, Não, não é um espaço, 2016

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António Bracons, Cristina H Melo, 2016

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A casa que Cristina H Melo (Lisboa, 1962) fotografou é uma casa habitada,  onde vivem familiares e onde entra sempre que quer, onde se sente em sua casa. A casa, o jardim, o atelier, fazem parte da sua vida, da sua história, representa o seu espaço a um nível imaginário e idealista. A casa vai ser vendida e, por isso, este último ano foi ano de mudanças. Decidiu fotografá-la, habitada. Não, não é um espaço, são os momentos do dia-a-dia, dos afetos, das cumplicidades, mais da vida que da memória.

A apresentação é em projeção contínua. Um diaporama de 14 fotografias em formato 4:6 com som sincronizado e duração de 4’00’’. A música é “Aurora” de Alva Noto e Ryuichi Sakamoto. Apresentado numa dimensão maior, como a casa é. Imaterial, como a casa, que vai deixar de ser da família e, portanto, vai deixar de ser um espaço “seu” de passar, de estar, de viver.

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Escreve Cristina Melo:

Há intervalos de tempo que constroem outro tempo vivido num espaço singular. Uma representação de momentos do dia a dia que não pretende ser mais do que uma visão individual de um lugar habitado através de um meio de expressão – uma sequência de fotografias ligadas por um fade in marcando um ritmo e uma intensidade, Um vai e vem de distâncias percorridas em metros quadrados, um espaço de encontros e muitas histórias por contar. Uma luz intensa, um jardim que cresce pausadamente pela ausência, o adiamento ou a incompatibilidade. O brilho de luz sobre a cara, o plano de fundo interrompido pela chuva de ontem, as vozes e os ecos, os ténis que ligam as salas uma às outras, a sonolência depois de um dia de trabalho, a cor que embala o afecto, o vazio trazido pela decepção do outro, o silêncio, a descoberta de uma melodia, sons e ritmos, passagens por outros encontros, outros tempos, tornando táctil estas coisas da experiência.

Não, não é um espaço resume-se a uma sucessão de acontecimentos interligados através da música, construindo uma trajectória quem sabe se real se um espaço virtual.”

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António Bracons, Aspetos da exposição, Cristina H Melo, Não, não é um espaço, 2016

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