ANTÓNIO BRACONS, ROSTOS NA MULTIDÃO, LISBOA, 2016 – I

Marionetas de Chaozhou, China, da Colecção do Museu da Marioneta. Instalação de Susanne Themlitz, “Pela Ausência das Mãos”.

 

 

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

António Bracons, Rostos na multidão, 2016

 

 

Tive oportunidade de visitar há dias na Galeria do Torreão Nascente da Cordoaria Nacional a exposição “Sombras, Máscaras e Títeres da Colecção do Museu da Marioneta”, com trabalhos de António Viana, Francisco Tropa, Jorge Queiroz e  Susanne Themlitz, numa parceria do Museu da Marioneta e das Galerias Municipais de Lisboa (exposição de 25 Maio a 2 Outubro).

 

Uma das instalações de Susanne Themlitz (Lisboa, 1968), “Pela ausência das mãos”, cativou-me especialmente: num quadrado de cerca de 1 de lado, 121 personagens, Marionetas de Chaozhou, China.

Como um retrato da multidão.

Mas a multidão é composta por pessoas individuais.

 

A China tem uma longa tradição de teatro de marionetas, que começa com o teatro de sombra mas que se alarga a outro tipo de manipulações, como a marioneta de luva ou de fios. O conjunto de cerca de 121 marionetas chinesas de vara, escolhido por Susanne Themlitz para esta exposição, são, no entanto, exclusivamente da cidade de Chaozhou, na Província de Cantão, sendo difícil encontrar um grupo tão representativo como este.

Com origem no final do século XIX ou início do século XX, acredita-se que estas marionetas evoluíram a partir das marionetas de sombra, teoria bastante plausível dadas as semelhanças entre elas. Ambas têm cabeças que não se encontram fixas aos corpos, permitindo que várias personagens utilizem a mesma base. Também o local onde são colocadas as varas é idêntico: uma das costas e duas mãos. No caso das marionetas de Chaozhou as varas são amovíveis, e para esta exposição foram retiradas.

É visível a relação destas marionetas com a ópera chinesa: na verdade, as personagens são as mesmas e o espetáculo bastante semelhante. Neste grupo pode ver-se a diversidade de figuras, que diferem conforme a máscara que utilizam.”

Folha de sala.