VALTER VINAGRE, ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO. PETS, 2013

 

 

 

Valter Vinagre

Animais de estimação. Pets

Fotografia: Valter Vinagre / Texto: Valter Vinagre, Sérgio Gomes

Lisboa: Kameraphoto / Fevereiro . 2013

Português e inglês / 23,9 x 24,1 cm / não pag.

Cartonado / 250 ex. / Tiragem especial de 1/50 exemplares numerados e assinados pelo autor, acompanhados de uma prova fotográfica de 21,5 cm X 21,5 cm, impressa em Ultrasmooth Fine Art paper (de 7 fotografias disponíveis)

ISBN: 9789899638037

 

 

Valter_Vinagre-Animais de Estimação (1)

 

 

Animais de estimação são aqueles que podemos ter em casa. Que partilham a casa com o homem. por quem há estima e afeto.

O gato bravo, a raposa, o fuinha ou papalvo, o mergulhão de crista… São alguns dos animais que Valter Vinagre encontrou… em casas.

Vem assim desafiar a consciência para a vida selvagem, para a preservação da natureza, para a vida e os direitos dos animais.

 

 

A VIDA NA MORTE

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Há fotógrafos que teimam em trilhar os caminhos menos óbvios, mais espinhosos. Que gostam da provocação, da sugestão, da ironia e de alguma matreirice, sem que isso se pareça em nada com joguinhos florais ou ziguezagues barrocos – não é dar curva só para ver se a máquina aguenta, é dar a curva pelo prazer de derrapar, de andar no limite e de ver a poeira a levantar. Valter Vinagre é um destes fotógrafos. Pediram-lhe o sopro da vida e ele deu-lhes a boca escancarada da morte. Pediram-lhe o pulsar das coisas naturais e ele deu-lhes os olhos vítreos e a língua empastada de verniz. Pediram-lhe a celebração da dinâmica imparável da diversidade biológica e ele deu-lhes a monotonia taxidérmica que tenta ferir o tempo, estancando-o numa expressão terrífica, num corpo que não passa de uma cápsula de nada.
A série Animais de Estimação ganhou forma (e vida!) por causa de um convite ao colectivo [kameraphoto] para participar na iniciativa E.C0 2010 que reuniu em Madrid fotografias de vinte colectivos da Europa e da América do Sul. E, sim, no meio de todas as outras imagens de natureza viva eram estas imagens de natureza morta e teatral que mais poderosamente nos remetiam para uma ideia ampla de natureza em toda a sua infinitude e complexidade.

Há fotógrafos assim – que não têm emenda. Para nosso bem.

 

 

Qual era o desafio de partida para este trabalho?

Era fotografar alguma coisa relacionada com Biodiversidade em Portugal. Foram convidados colectivos de vários países da Europa e da América Latina.

Como é que te lembraste desta “fauna” que ainda sobrevive em muitas casas portuguesas?

Nunca tenho bem a noção de quando é que a ideia para um trabalho mais alargado surge. Durante a realização deste projecto tentei recordar-me do momento em que o assunto se atravessou à minha frente e me fez pensar, mas não consegui isolá-lo. O tema da morte, dos “cães danados”, de uma certa noção de ruína tem-me acompanhado… Quis registar a teimosia humana, a necessidade que temos de tentar perpectuar memórias, neste caso memórias naturais em extinção.
Quando nos chegou este desafio e se começou a discutir, na Kameraphoto, o que é que se ia fazer, lembrei-me logo dos animais embalsamados que muitas vezes aparecem expostos nos cafés. E fui, também, à procura deles espaços mais privados. Para o conjunto de 12 imagens, (neste momento a série tem 13) que apresento, acabei por seleccionar apenas uma das captadas em cafés. As restantes, foram tiradas em espaços privados.

Não deixa de ser interessante reconhecer que o conjunto pode ser lido também como a antítese da biodiversidade, se entendermos o termo na sua noção mais restrita, ou seja, como o conjunto de todas as espécies e seres vivos nos seus ecossistemas…

Agrada-me esse contrapé com o tema proposto. Há também alguma ironia no título da série, animais de estimação, tendo em conta que estes animais eram selvagens e acabam por ser domesticados depois de mortos, tornaram-se queridos das pessoas e como tal foram embalsamados e não destruídos. Em alguns casos, eram animais domésticos cujos donos os quiseram perpetuar desta forma.

Outra coisa extraordinária é que esta actividade pode ajudar a limitar ainda mais a biodiversidade, tendo em conta a procura de animais exóticos e raros para embalsamar…

Sim, é verdade. Mas há um dado curioso: esta actividade tornou-se cada vez mais rara por causa de uma lei que a enquadrava e que levantou o boato de que era proibido ter em casa animais embalsamados em perigo de extinção, o que fez com que muita gente deitasse fora esses animais e que a actividade acabasse também por sofrer… Ironicamente, isto significa que alguns animais embalsamados podem ser duplamente raros. Há poucos embalsamamentos bem executados. E maior parte dos que existem estão nos museus.

Há também uma mensagem que é: “Atenção! Qualquer dia para ver uma determinada espécie só desta maneira…”

Sim. Há um lado do trabalho que pode funcionar como alerta.

O conjunto dá um ambiente assustador, a fazer lembrar filmes de classe Z. Apesar de “domesticados” estes animais têm um ar tenebroso, agressivo. O flash sublinha esse aspecto e parece que os apanhaste em flagrante no seu meio natural…

É uma maneira de sublinhar ainda mais a ilusão de vida que se pretende criar com o embalsamamento. Por outro lado, ao dar parte do cenário onde estão arrumados, remeto para o seu lado doméstico e… definitivamente domesticado. São usados como bibelots.

O tema é biodiversidade, mas este trabalho é mais sobre a morte do que sobre a vida…

É mais sobre a morte, nitidamente. Não quis ir pelo lado do troféu de caça, mas mais pelo apego que as pessoas demonstraram ter por estes objectos que antes de serem bibelots foram animais vivos.

Dois dedos de conversa entre Valter Vinagre e Sérgio B. Gomes a propósito de Animais de Estimação, Maio 2010.”

In: “Animais de estimação. Pets” (resumo)

 

 

 

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Valter Vinagre, Animais de estimação. Pets, 2013

 

 

 

O livro foi lançado em 07.03.2013, por ocasião da inauguração da exposição E· CO. – Exposición de Colectivos Fotográficos Euroamericanos, comissariada por Claudi Carreras, em Madrid, Espanha, que reuniu 20 Coletivos Fotográficos de 20 países, de 2 continentes.

 

Incluído no projeto E.CO, o trabalho “Animais de estimação“, esteve exposto em março de 2012 no Instituto Cervantes Albuquerque, em 17014th Street SW Albuquerque, nos Estados Unidos da América.

 

CONVITE

 

“Animais de Estimação” apresenta-se em Lisboa, numa exposição promovida pela Fundação PT, no Espaço PT Andrade Corvo, R. Andrade Corvo, 6, de 6 a 30 de setembro de 2016.

Esta exposição tem o apoio gracioso do Centro Cultural Raiano / Município de Idanha-a-Nova, com a disponibilização das obras da sua coleção.

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António Bracons, Aspetos da exposição e da inauguração, 2016.09.06

 

 

Pode ver mais aqui.

 

 

 

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