NUNO MOREIRA, ZONA, 2015

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Nuno Moreira

ZONA

Fotografia de Nuno Moreira, texto de José Luís Peixoto

Edição do Autor / dezembro de 2015

Português, inglês, japonês / 14,0 x 21,0 cm / 108 pgs / 30 fotografias

Cartonado a tecido / 300 ex. numerados

ISBN: 9789892060835

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O objetivo da arte é representar não a aparência externa das coisas, mas o seu significado interior“, disse o antigo filósofo grego Aristóteles.

O espaço interior é a base para ZONA.”

Nuno Moreira

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Num período de duas semanas, fui apontando os sonhos. Sonhos muito simbólicos. Fiz uma listagem de conceitos-chave, percebi depois que eram arquétipos.”

Refere Moreira. Assim surgiu este projeto fotográfico.

ZONA explora tanto um espaço físico e mental – uma tentativa de representar a mente inconsciente e a natureza simbólica de arquétipos. Sempre, com uma forte dose de poesia envolvida.”

Para a concretização do projeto, Nuno recorreu a uma modelo, uma dançarina, pontualmente há a presença de uma segunda modelo. Nuno explicou em várias sessões o projeto, o que estava à procura, algumas ideias, algumas imagens definidas. Deixou liberdade para se movimentarem, para estarem.

Foi fotografado em película, em Tóquio, em julho de 2015, “Num dia, um dia longo, mas um dia. Num mesmo lugar”, diz Nuno. Escolheu um espaço amplo, num último piso, com muita luz natural.

Depois, um ano a editar, a fazer o grafismo, a definir o livro, que foi impresso em Portugal.

As fotografias recorrem ao imaginário. “O impacto de um sonho é muito forte.” As imagens são “impactantes. Simbólicas”.

O olhar intimista, pessoal, poético das imagens resulta neste livro magnífico.

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A abrir, as mãos estendem-se com uma chave, um convite, a entrar, a partilhar.

O livro prossegue num ritmo quase cinematográfico, quase sistemático na apresentação das imagens, no geral em formato quadrado, perfeitamente justapostas, 11 x 11 cm. Como um poema, com as suas estrofes.

As sucessões de imagens, magnificamente impressas em tritone sobre papel de 200 g, cor marfim, acetinado, é interrompido sistematicamente por conjuntos de 3 folhas pretas, onde o texto de José Luís Peixoto se escreve a prata em português, inglês e japonês.

Entre cada conjunto de imagens quadradas, que abre no geral com duas imagens, uma em cada página e segue com uma única imagem por fólio, depois o texto, e uma imagem retangular voltada a um novo texto.

A última sequência termina com um ramo de flores sobre uma mesa, uma despedida, uma partida.

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O espaço fotografado é um espaço vazio. Apenas uma mesa e uma cadeira, que pontualmente integram a fotografia.

Nuno vivia em Tóquio há quase três anos. A vivência no Japão leva-o a viver a mentalidade japonesa, nomeadamente o conceito de espaço: “os japoneses têm o ‘mah’: aceitar o vazio. Só percebi depois de fazer o trabalho.” Em todas as casas, no geral muito pequenas, há um espaço vazio, o vazio também existe, é aceite como tal: um espaço aberto, uma cavidade numa parede: para uma flor, para a fotografia de alguém que faleceu… ou para nada.

Escreve Elsa Garcia em “ZONA – Uma coreografia da psique”, no site do autor:

Uma sala de sonhos onde as palavras não surgem e o vazio se torna avassalador. Nela, a presença do corpo como um método de trabalho. É ele que define o espaço interior e exterior e é ele que representa o limite e tangência com a realidade, numa poesia gestual que se esfuma na penumbra.”

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O livro estava já editado, aquando de uma apresentação no Funchal. Nuno entra na Livraria Esperança e depara com um livro, ZONA, de Joana Ruas, editado em 1984, e depara com este texto (pág. 52):

Permanência

A realidade, tal como a vivemos, é tudo o que se opõe ao sonho. E o que se opõe ao sonho é tudo o que é permanente. Assim, só é real o que permanece.”

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Este é um livro sobre a presença e a ausência.

Sobre a procura e o encontro.

Sobre a chegada e a partida.

Sobre o fazer parte e o deixar.

Sobre o estar e o ser.

Sobre o sonho e a realidade.

Sobre a vida.

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Este é um livro, para Nuno, que

vive muito mais, no meu ver, é assim que olho para ele, do que está atrás das fotografias do que do que está nas fotografias. Uma questão de ausência e não de aparência.”

Este é um livro para saborear, para sentir, para ver com tempo, com disponibilidade.

É um magnífico poema fotográfico.

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Nuno Moreira expõe ZONA na Galeria Travessa da Ermida, na Tv. do Marta Pinto, 21, em Belém, em Lisboa, de 05 a 27 de março de 2016 (ver aqui).

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e em Coimbra, na Casa da Escrita, na R. João Jacinto, 8, de 1 a 28 de outubro de 2016.

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O livro é lançado em Tokio, Japão, na Kiet Noise Arts and Break, a 19.09.2016.

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Nuno Moreira (Lisboa, 1982) estudou Cinema, é um artista visual independente que trabalha em design gráfico, fotografia, colagem e às vezes vídeo.

Depois de trabalhar muitos anos em diferentes empresas, no sétimo dia do sétimo mês de 2007 a NM DESIGN foi fundada.

Desde então, tem trabalhado de forma independente através de seu próprio estúdio, que é especializado na direção de arte para capas de livros, música, design, fotografia e identidade de marca. Os seus projetos incluem colagens sobre a chancela ABRAKADABRA, numerosas séries de instalações, livros e projetos de fotografia; desde 2006 já expôs individualmente e em grupo em galerias de todo o mundo, movido pela curiosidade de conhecer diferentes culturas e viajar constantemente.

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Para ver mais sobre o autor ou a obra, ver aqui.

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Outros comentários e ensaios sobre a obra:

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