CRÓNICAS SUBURBANAS – FERNANDO BRITO, JOÃO MOTA DA COSTA E MIGUEL RODRIGUES, 2015

 

 

 

 

Crónicas Suburbanas é o título da exposição que se apresenta nos Recreios da Amadora, de 18 de setembro a 18 de outubro de 2015.

 

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Fotografado no concelho da Amadora, estas “Crónicas” centram-se no espaço de periferia: as hortas urbanas, onde os residentes (urbanos) buscam um espaço de encontro com as suas origens (rurais), as zonas próximas da cidade, com o bairro social e as suas hortas ou, como um reflexo da cidade, os cães recolhidos que se encontram no canil municipal à espera de dono.

 

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Fernando Brito (1963) apresenta “Haverá sempre alguém nas hortas no Domingo que vem”. São imagens noturnas, a cor intensa, obtidas ao longo dos trilhos existentes por entre as hortas suburbanas na Av. das Palmeiras, espaços cultivados por residentes, que assim mantém o gosto pela terra, pela agricultura, que trazem das suas origens, deslocados do interior para a cidade. E, para quem trabalha, o tempo para a horta é ao domingo. Um lazer.

 

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Fernando Brito, da série “Haverá sempre alguém nas hortas no Domingo que vem”

 

 

João Mota da Costa (1954) em “Canil” fotografa os cães que residem no canil municipal. “Abandonados, perdidos, achados, agressivos, meigos, tristes, alegres, melancólicos, à espera de companhia para o que der e vier. / O canil da Amadora não abate animais a não ser em caso de doença grave e incurável, para evitar o seu sofrimento.”
As imagens são a preto e branco e os animais estão do lado de lá das grades e olham e brincam com uma réstia de esperança.

 

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João Mota da Costa, da série “Canil”

 

 

Miguel Rodrigues (1978) em “Vida Activa” centra-se numa zona em torno do antigo Aterro da Boba, dos bairros socialmente carenciados e do contraste entre as obras de planeamento como a rede viária e o aproveitamento do terreno pelos residentes, nomeadamente para hortas. Mas há também o terreno vasto, desocupado…

 

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Miguel Rodrigues, da série “Vida Activa”

 

 

São olhares interiores aos percursos que não fazemos nem vemos quando passamos pela cidade, mesmo quando habitamos a cidade.

É na Amadora, podia ser junto de tantas outras cidades.

A periferia é, tantas vezes, um espaço dos outros.