ATELIER DE LISBOA – NOVOS TRABALHOS #2, GALERIA AV. DA ÍNDIA, 2014

 

 

Um pouco à frente do CCB, em Lisboa, no n.º 170 da Av. da Índia, encontra-se a Galeria Av. da Índia, num espaço que a Câmara Municipal de Lisboa recuperou e que inaugurou com a presente exposição. Este espaço insere-se numa zona de antigos armazéns em recuperação.

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O Atelier de Lisboa, apresentou a exposição Novos Trabalhos #2, do Curso de Projeto #3 orientado por António Júlio Duarte, entre 20 de Setembro e 12 de Outubro.

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Participam na exposição Alexandre Inglez, Catarina Osório de Castro, Fernando Brito, Joana Henriques, João Mota da Costa, Manuel Luís Cochofel, Miguel Rodrigues, Nuno Barroso e Paulo Martins.

Estes autores são na maior parte dos casos profissionais, não na área da fotografia, mas esta assume um papel importante nas suas vidas. A qualidade dos trabalhos apresentados é notável, como se pode ver nas imagens apresentadas.

 

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DIGICKLECKS, ALEXANDRE INGLEZ

 

“O poeta e médico alemão Justinus Kerner em 1879 escreveu Kleksographien, um livro de poesia (apenas publicado em 1890) ilustrado com borrões de tinta (klecks), os quais viriam mais tarde a ser utilizados no estudo do subconsciente humano como ferramentas psicológicas – as famosas pranchas de Rorschach – …”

O trabalho de Inglez (Lisboa, 1959) é uma instalação, que “joga com a Apofenia, um termo proposto por Klaus Conrad em 1959, para o fenómeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios”, é apresentada como um grande biombo, partindo de uma única imagem digital, constrói uma imagem composta por quatro imagens simétricas, o que permite múltiplas leituras.

 

Da série “Digicklecks”, de Alexandre Inglez

 

 

 

LEOPARD, CATARINA OSÓRIO DE CASTRO

 

Catarina Osório de Castro (Lisboa, 1982) mostra o espaço, o tempo, as pessoas, o ambiente, quase como um álbum (Joana Henriques), mas diferente, cada imagem é única, por um lado, e parte de um conjunto, por outro. Faz sentido num determinado formato e faz sentido numa determinada posição – e parede / painel. Há um contemplar e um sentir. E as fotografias são esse contemplar e sentir.

 

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 Da série “Leopard”, de Catarina Osório de Castro

 

 

NAS HORTAS, FERNANDO BRITO

 

Brito prossegue o seu trabalho, já apresentado ao longo de 3 outros projetos: “Still”, com José Pedro Cortes, no Curso de Construção de um Livro (2012), “Augi #12” no Curso de Projeto, com Paulo Catrica (2012) e “Várzea”, no Curso de Projeto Grande Formato, com Daniel Malhão (2013).

O objeto é o mesmo: o “mapa topográfico nº 454, limitado a Sul pela Serra da Arrábida, a Norte pelo traçado da A2, a Este pelas terras de Palmela e a Oeste pelas urbanizações da Quinta do Conde”.

Neste projeto, centra-se nas hortas, sobretudo urbanas que vão proliferando, espaços de lazer e utilitários, grande parte de pessoas que deixaram, há muito, as suas terras e a agricultura e se estabeleceram na “cidade”.

 

 

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Da série “Nas Hortas”, de Fernando Brito

 

 

ÁLBUM, JOANA HENRIQUES

 

Joana Henriques (1991) apresenta um conjunto de fotografias intimistas, do seu espaço pessoal e familiar, como supostamente um álbum é. As fotografias estão dispostas de forma “dispersa”, conduzindo o visitante à sua procura, ao “desfolhar”, como o caso da porta, para encontrar a imagem, como um álbum se desfolha.

 

Da série “Álbum”, de Joana Henriques

 

 

POST-OP: FOUR OUT OF SEVEN, JOÃO MOTA DA COSTA

 

Mota da Costa (1954), médico especialista em cirurgia plástica e reconstrutiva na área de cirurgia da mão, fotografa os seus espaços, no tempo pós-operatório: depois da equipa cirúrgica e do doente terem deixado o espaço, enquanto este aguarda pela equipa de limpeza, para o preparar para nova intervenção. É um testemunho do trabalho, da ação, já sem a presença humana, apenas o que fica depois do que aconteceu.

 

Da série “Post-op: four out of seven”, de João Mota Da Costa

 

 

 

EDGE (ON THE OUTSKIRTS OF LISBON), MANUEL LUÍS COCHOFEL

 

Os arredores de uma cidade, Lisboa, vistos não no caminhar pela cidade, como Miguel rodrigues, mas através dos espaços virtuais, numa “imersão total numa realidade virtual proporcionada pelo Google Street View”, imagens em quase 360º e de quase todo o mundo. As imagens recolhidas, dos arredores de Lisboa, são “excisões, cortes cirúrgicos”, o enquadrar de uma realidade no universo virtual. Não é o real fotografado no seu espaço, mas o real fotografado na sua imagem.

 

 

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Da série “Edge (On the outskirts of Lisbon)”, de Manuel Luís Cochofel

 

 

 

ENSAIOS SOBRE A CONTAMINAÇÃO, MIGUEL RODRIGUES

 

“Curiosa coincidência, essa, entre o errar do erro e o da errância”, refere Miguel Rodrigues (Lisboa, 1978), que em 5 painéis de 5×5 fotografias apresenta aspetos da paisagem quotidiana, do espaço que ladeia o percurso diário que faz, a pé, em vez de o fazer de “camionete”: “Começo a errar pelos caminhos, a estar atento á paisagem que apresentam”, o caminhar, o olhar, permitem esta atenção, esta disponibilidade interior e temporal para ver, conhecer o mundo de forma mais profunda, concreta, real, ainda que à nossa porta.

 

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  Da série “Ensaios sobre a contaminação”, de Miguel Rodrigues

 

 

OSSOS, NUNO BARROSO

 

Nuno Barroso (Castelo Branco, 1981) fotografa com uma câmara de grande formato e centra-se no detalhe, no pormenor: de uma peça pequena ou grande, leve ou pesada, de uma paisagem, de uma pessoa, apresentadas “como uma série de posters, afirmando as composições como objectos plásticos”.

 

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Da série “Ossos”, de Nuno Barroso

 

 

CHÃO, PAULO MARTINS

 

Paulo Martins (Lisboa, 1975) apresenta em chão fragmentos, mais ou menos amplos, do chão que pisamos, por onde passamos, onde estamos, que nos rodeia, que passamos ao lado, que não vemos.

  

Da série “Chão”, de Paulo Martins (exceto a última)

 

 

 

NOTA: O copyright das fotografias reproduzidas é naturalmente dos respetivos autores.