HOPE & FAITH – ESPERANÇA & FÉ. XXIV ENCONTROS DA IMAGEM [DE BRAGA] EM LISBOA

 

 

 

Encontra-se a decorrer a XXIV edição dos Encontros da Imagem, que se prolonga até 31 de outubro, sob o tema geral: Hope & Faith: Esperança e Fé.

 

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 Catálogo dos EI Hope & Faith

“Num momento admiravelmente promissor para a existência humana, povoada por uma infinidade de imagens, onde prolifera o sentimento que o mundo se transformou num gigantesco “ecrã” em que a realidade se evapora, o Festival regressa com a XXIV edição que se distingue pela espiritualidade do seu tema: A Fé e A Esperança.

Construída sob um conjunto de representações que envolvem o aspeto simbólico, cultural e religioso das identidades contemporâneas, Hope & Faith lança pistas sobre algumas das problemáticas mais pertinentes ligadas à Fé num tempo hiper-conturbado, permitindo antever a dimensão estrutural de um mundo novo em construção.”,

, escreve Ângela Ferreira, diretora artística dos Encontros, na Introdução ao catálogo e aos Encontros. Esta é a linha das exposições de mais de meia centena de autores, sobretudo em Braga, mas também no Porto e em Lisboa.

 

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 Programa de inaugurações dos EI

 

Nos dias 18, 19 e 20 de setembro inauguraram em Braga as exposições patentes naquela cidade e no dia 27 de setembro foi a vez de inaugurarem em Lisboa sete exposições.

Integrado nos Encontros, destaque, em Braga, para a 5.ª edição dos Emergentes DST, que selecionou quatro finalistas, jovens fotógrafos, para apresentar o seu trabalho, contando desde o início o apoio daquela firma, na sequência da leitura crítica de portfólios, por diversas personalidades nacionais e internacionais do mundo da fotografia, as noites de  projeções (“Hope Night Projections”) tendo em vista dar a conhecer a seleção dos autores finalistas da “Open Call 2014” e ainda o “Photo Book Market”, procurando promover os livros de fotografia e as edições de autor.

 

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 Programa dos EI

Fazemos um breve percurso pelas exposições de Lisboa.

 

 

GOOD DOG, de YUSUF SEVINÇLI na GALERIA DA BOAVISTA

 

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Yusuf Svinçli, série Good Dog

 

Na Galeria da Boavista, na Rua da Boavista, 47-50, Yusuf Sevinçli (Turquia, 1980) expõe Good Dog. O título vem de um misto de circunstâncias: do título “Stray dog” do fotógrafo japonês Daido Moriyama, como quem deambula e vê e encontra a cidade, a sua Istambul natal e onde vive, numa zona conhecida localmente como “Good Dog”, que não tem mais de uns três quarteirões de extensão.

As imagens são de um branco e preto intenso, mostram imagens da parte mais decadente e degradada da cidade, não aquela onde reside. Um testemunho de um tempo, um olhar comparável ao de outros fotógrafos, como Ed van der Elsken (Love in the Left Bank) ou Anders Peterson, para citar apenas dois nomes conhecidos.

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Yusuf terminou o curso de comunicação em Istambul e fez mestrado em fotografia documental, na Nordens Fotoskola, na Suécia, em 2004. Desde 2008, fez inúmeras exposições individuais e coletivas em todo o mundo, está representado pela Galerie Les Filles Du Calvaire, em Paris e Elipsis Gallery, Istambul, encontra-se a fazer uma residência artística em Portugal.

 

 

HOW TO FLY, de PEDRO GUIMARÃES na PLATAFORMA REVÓLVER

 

PGuimaraes_HTF5_large[1]Pedro Guimarães, How to Fly

 

“ ‘How to Fly’ é um conjunto de imagens produzido para um manual de instruções de vôo. Fazendo referência a várias formas de levantar vôo, literais e metafóricas”…

É assim que Pedro Guimarães (Braga, 1977) inicia a apresentação do seu projeto. É parte de um trabalho mais amplo: vemos cabines de aviões, fragmentos de sonhos, de viagens, de paisagens, de horizontes, de luz e de sombra. De excessos de luz, por vezes, de um horizonte vasto, que sobressai pelo risco das estradas, caminhos e da água, que refletem a luz, por vezes de forma excessiva.

Levantar voo e aterrar, por vezes com “embate violento contra o solo”… Um reflexo da vida, dos sonhos, da realidade, de querer chegar mais longe, mais além. E das quedas, do erguer, de levantar voo, ir mais além, mais longe.

 

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Pedro Guimarães, How to Fly, na Plataforma Revólver

 

 

MOKSHA, de MERCELO BUAINAIN na PEQUENA GALERIA

 

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Próximo, na Pequena Galeria, no n.º 4C da Av. 24 de Julho, o artista brasileiro Marcelo Buainain (Mato Grosso do Sul, Brasil, 1962) apresenta a Índia, através de Moksha, “um termo sânscrito que na crença hindu representa a libertação do ciclo do renascimento – vida e morte.”

São testemunhos da vivência espiritual e humana, nas margens do Ganges, o rio sagrado.

 

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Moksha, de marcelo Bouniain, na Pequena Galeria

 

 

ESPAÇO GINJAL, de HELENA GONÇALVES na GALERIA DAS SALGADEIRAS

 

HelenaG06_large[1]Helena Gonçalves, Espaço Ginjal

 

O Espaço Ginjal, era um ex-armazém, virado para as águas do Tejo, situado na Rua do Cais do Ginjal, 53/54, em Cacilhas. Foi gerido pelo Grupo de Teatro “O Olho Associação Teatral”, era também espaço de acolhimento de muitos outros artistas. Foi aqui que um outro grupo, “O Útero”, começou a sua atividade. O espaço veio a encerrar em 2010, depois de cerca de 20 anos de vida artística. Está emparedado.

Para Helena Gonçalves (Portimão, 1978) que passou por este espaço, as memórias são muitas, como para todos aqueles que nele viveram momentos importantes das suas vidas.

A apresentação na Galeria das Salgadeiras é quase uma instalação: as fotografias são apenas três, do número mais amplo da série: duas no piso de entrada e uma acima. Uma cortina negra protege a entrada, entramos. As paredes estão revestidas a negro, ‘placas’ de cartão negro, precárias. Sobressaem as imagens, suspensas, como se reais, como se estivéssemos no próprio espaço, o chão de terra… Subimos os degraus ao piso superior, envoltos no negro das paredes, e no vão da cobertura temos a outra cobertura e o resto do espaço, como se a galeria fosse um ecrã, como se as imagens fossem o real. Temos assim um espaço muito maior, como se estivéssemos lá, como se o vivêssemos. Como se ficássemos com saudades.

 

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Helena Gonçalves, Espaço Ginjal, na Galeria das Salgadeiras

Helena Gonçalves (Portimão, 1978). Vive e trabalha em Lisboa. Fez o Curso de Fotografia do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa (2000-2004), onde é professora desde 2005. Em 2006 foi finalista e representante na área da Fotografia na Bienal Jovens Criadores em Itália e em 2009 e 2010 foi finalista de «Emergentes» – Encontros da Imagem, em Braga. Realizou várias exposições individuais e coletivas.

 

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Ângela Ferreira, Helena Gonçalves e Ana Matos, da Galeria das Salgadeiras

 

 

TIME TO ACT, de MEL O’CALLAGHAN na CASA MUSEU MEDEIROS DE ALMEIDA

 

Mais acima, na Casa Museu Medeiros de Almeida, apresenta-se uma instalação, de Mel O’Callaghan (Sydney, Austrália, 1975) através de projeções vídeo, da passagem e interligação dos espaços do museu: a nossa passagem efémera pelos espaços, também eles efémeros: como o museu, espaço de memórias, do que já foi (útil, utilizado), mas já não é…

A gravação foi feita pelas câmaras de vigilância do museu: de performers vestidos de propósito para o efeito, bem como do público presente na inauguração, que deambula pelos espaços do museu, que “serão projetadas no espaço da galeria durante o tempo todo da exposição”.

 

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Mel O’Callaghan, Time to Act, na Casa Museu Medeiros de Almeida

 

 

BLUES, de MARCELO COSTA na GALERIA BELO-GALSTERER

 

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Marcelo Costa, da serie Blues

 

O artista português Marcelo Costa (Coimbra, 1978) apresenta desenhos de simetrias, realizados através do processo fotográfico da cianotipia, de onde tem origem o nome da série. A fotografia torna-se assim um meio de criação, confrontando a imagem, não de um enquadramento mas de um desenho geométrico, gravado pela luz.

 

 

MOMENTS OF TRANSITION, de MÁRIO MACILAU, na GALERIA BELO-GALSTERER

 

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Mário Macilau, Moments of Transition

Mário Macilau (Maputo, Moçambique, 1984) apresenta retratos efetuados no seu estúdio de Maputo, de mulheres e homens moçambicanos, as camisas e vestidos claros, estampados que se adivinham de múltiplas cores, feitos a partir de roupas doadas por países da Europa e dos Estados Unidos: transformadas a gosto dos seus utilizadores. Os fundos claros, mas cheios de cor, contribuem para uma alegria natural, que se quer passar para a posteridade. As fotografias são a preto e branco.

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