O FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA

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O FASCÍNIO DA REPRESENTAÇÃO

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Desde tempos imemoriais o Homem sentiu necessidade de se representar e de representar o que o rodeia. No Egipto (mais de 2500 anos A.C.), na Grécia, em Roma, as representações atingiram grande detalhe, técnica e perfeição, que ia evoluindo com a descoberta de novas técnicas, materiais e com a evolução dos estilos. Na Idade Média, as representações gráficas – essencialmente pintura e iluminuras, eram essencialmente de carácter religioso. Uma característica comum a todas estas representações é que eram bidimensionais: o Homem ainda não tinha apreendido a visão nas três dimensões: a profundidade não conseguia ser representada. Foi Filippo Brunelleschi, que em 1413, inventa a perspetiva linear, vindo revolucionar a forma de ver e de representar. Surgem aparelhos de desenhar, como a câmara obscura: num quarto escuro, a luz que passa por um pequeno orifício projeta-se na parede oposta, invertida; se passar através de determinada lente, essa imagem pode ser focada. A máquina fotográfica é o aperfeiçoamento deste princípio: uma lente melhorada, com controlo da abertura e do tempo em que abre.

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A FOTOGRAFIA: O FASCÍNIO DA TÉCNICA

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Em 1827, Nicéphore Niépce reproduziu pela primeira vez uma imagem, através da luz, utilizando betume da Judeia e várias horas de exposição. Louis Jacques Mandé Daguerre, desenvolvendo as experiências daquele, descobriu o daguerreótipo: emulsão de sais de prata sobre chapa de cobre, revelada com vapor de mercúrio, produzia um exemplar único: foi apresentado em 19 de Agosto de 1839, na Academia das Ciências de Paris: nascia a fotografia.

Paralelamente, em Inglaterra, W. H. Fox Talbot criava em 1840 outra técnica, produzindo um negativo sobre chapa de vidro – o calotipo ou talbotipo – que permitia múltiplas reproduções.

O desenvolvimento técnico de máquinas e objetivas, emulsões e suportes, quer negativos quer positivos, evoluiu a um ritmo estonteante: em 1851, Frederick Scott Archer descobria o colódio húmido, produzindo um negativo sobre chapa de vidro, que permitia múltiplas cópias de grande qualidade, com tempo de exposição mais reduzido, apesar do inconveniente de ter de ser preparado imediatamente antes de expor: qualquer trabalho de exterior ou reportagem era uma verdadeira expedição. Em 1871, Richard Leach Maddox cria o processo de gelatino-bromuro: um negativo que se conserva por um grande período, que necessita de uma exposição de escassos segundos e não precisa de ser revelado de imediato. Com a descoberta do celuloide, que servirá como base, George Eastman cria a película em rolo e, com ela, a Kodak: em 1888 coloca no mercado uma máquina fotográfica com filme para 100 imagens: “Carregue no botão, nós fazemos o resto”, era o slogan: a fotografia estava acessível ao grande público.

O princípio da câmara fotográfica – a câmara obscura: num quarto escuro, a luz que passa por um pequeno orifício projeta-se na parede oposta, invertida; se passar através de determinada lente, essa imagem pode ser focada – era conhecido há séculos. A máquina fotográfica é o aperfeiçoamento deste princípio. Em 1928 surge a primeira Leica, a primeira máquina a utilizar filme de 35 mm (negativo de 24 x 36 mm, formato 135), o pequeno formato. Desde então, este tipo de filme vulgariza-se, sendo ainda hoje o de maior consumo; o negativo reduziu-se ainda mais para máquinas miniatura e outras de espionagem, que viriam a ter um importante papel no decorrer da 2ª Grande Guerra. As máquinas, acessíveis ao grande público evoluem, e multiplicam-se, desde modelos mais simples aos mais complexos: passam a visor direto (SLR), integram fotómetro, motor para avanço da película, nos anos 1990 integram a focagem automática, capaz de acompanhar o movimento; as objetivas permitem a variação da distância focal (zoom) com grandes amplitudes, mais leves, precisas, com correção de vibração.

Depois de várias experiências desde o século anterior, a cor está acessível ao grande público nos anos 1960. Poucos anos depois é possível revelar um rolo e obter as fotografias em menos de uma hora; na década de 80 esta facilidade está ao alcance do grande público em qualquer loja fotográfica. É entretanto possível obter imagens instantâneas, através da Polaroid.

O desenvolvimento informático no último quartel do séc. XX e ao longo deste século, bem como da internet na última década, leva a hoje a fotografia seja integralmente possível – e quase exclusivamente – em formato digital: a base é apenas um suporte, a fotografia deixa de ser um objeto em si, passa a ser um ficheiro, um espaço de memória num sistema informático, facilmente manipulável e alterável, que se pode visualizar num monitor, imprimir numa impressora, enviar para qualquer ponto do mundo escassos instantes depois da captação (ou no momento) pela internet, ou diretamente, através de telefones portáteis.

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A FOTOGRAFIA: O FASCÍNIO DA IMAGEM

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Com o movimento pictorialista (1903–1917), a fotografia liberta-se da mera representação do real, adquire uma consciência de arte, para atingir a categoria de arte. A fotografia influenciou e influencia as outras artes, sendo também influenciada por elas, deixando por vezes, de ser um fim em si. É vista com detalhe e atenção, lida no contexto do seu tempo, da sua cultura, da cultura em que se insere, do seu autor. É valorizada, cuidadosamente preservada, extremamente cuidada e conservada. Deixa de ser mimética, para passar a ser simbólica.

A fotografia chegou depressa a Portugal, embora o seu desenvolvimento e respeito levasse mais tempo a ser conquistado.

Ao longo do séc. XX assume um papel próprio, torna-se fundamental na forma de ver o mundo, do registo dos momentos históricos e do quotidiano, da vida institucional e da vida particular de cada família e de cada pessoa.

Ainda no século XIX inventa-se o modo de imprimir graficamente diretamente a partir da fotografia, o que leva a um incremento da sua produção e valorização: muitos livros têm como base a imagem fotográfica, ou apresentam especificamente o trabalho de fotógrafos, tal como milhares de revistas e jornais. O mundo fica muito mais pequeno, mais perto. A imagem que temos do mundo deixa de ser do real, da experiência, mas da imagem; no limite, da aparência.

A fotografia veio assim a assumir papéis fundamentais, em todos os campos: desde o simples retrato à arte, do jornalismo ao testemunho social, a natureza e o ambiente, as viagens e turismo, a publicidade, são só alguns.

Modificou a vida do Homem e do mundo, levou o homem a questionar-se sobre a fotografia e a analisar a sua história.

Ao longo da sua vida, sob vários aspetos e de várias formas: técnica, estética, documental, afetiva… A Fotografia tem exercido permanentemente sobre o Homem um fascínio único.

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